Diante do aumento de casos de sarampo no Estado de São Paulo, quais são os principais cuidados que a população deve adotar? Para responder às dúvidas mais frequentes sobre a doença, o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas reuniu orientações sobre sintomas, formas de transmissão, prevenção, vacinação, condutas em caso de suspeita, entre outras informações importantes.
Campinas não registra casos de sarampo desde 2021 e, no ano passado, alcançou cobertura vacinal de 98,30% para a primeira dose da tríplice viral e de 92,41% para a segunda. No entanto, o Estado de São Paulo já contabiliza 23 casos da doença em 2026. Países como Estados Unidos, Canadá e México enfrentam surtos de sarampo.
A Secretaria de Saúde de Campinas vem adotando uma série de ações preventivas. Entre as quais, está uma campanha de multivacinação, iniciada na segunda-feira, 3 de agosto (https://campinas.sp.gov.br/noticias/campinas-da-inicio-a-campanha-de-multivacinacao-de-jovens-em-campinas-nesta-segunda-3-146415), e reuniões com representantes de escolas e hospitais para orientações.
A seguir, em perguntas e respostas, confira um guia com orientações sobre a doença:
– Por que o sarampo é considerado uma doença tão contagiosa?
O sarampo é uma doença altamente contagiosa porque é transmitida por meio de secreções respiratórias do doente expelidas ao respirar, falar e tossir. O vírus pode ficar suspenso no ar, em ambientes fechados, após duas horas da saída da pessoa infectada. Outro ponto é que essa pessoa passa a transmitir o vírus seis dias antes do aparecimento das manchas vermelhas no corpo (exantema). Um doente pode contaminar até 18 pessoas.
– Quanto tempo leva entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas?
O tempo entre a infecção e o aparecimento das manchas vermelhas no corpo (exantema), chamado de período de incubação, no caso do sarampo, varia de 7 a 21 dias após a exposição.
– Como identificar as manchas características do sarampo?
O sarampo se caracteriza pelo aparecimento de exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal, associado a febre e coriza e/ou tosse e/ou conjuntivite. No entanto, em decorrência de vacinação prévia, podem ocorrer variações na apresentação clínica.
Dessa forma, o ideal é que, se aparecerem manchas vermelhas no corpo associadas a quadro febril, o paciente procure por atendimento em serviço de saúde para avaliação. É importante que o paciente avise a equipe de atendimento e faça uso de máscara cirúrgica.
– O sarampo pode ser confundido com outras doenças? Quais?
Sim. Diversas doenças ou mesmo associação de doenças e/ou agravos podem resultar em um quadro febril, com manchas vermelhas no corpo e sintomas respiratórios, por exemplo, rubéola, dengue, zika, chikungunya, gripe, roséola (exantema súbito), eritema infeccioso (parvovirose), escarlatina, varicela, enteroviroses, riquetsioses, reações alérgicas e dermatites.
– Em que momento a pessoa começa a transmitir o vírus?
O período de transmissão do sarampo ocorre seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas no corpo (exantema).
– Quem deve se vacinar contra o sarampo?
A vacina tríplice viral (SCR) protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para todas as pessoas que não possuem o esquema vacinal completo, independentemente da idade. O calendário vacinal prevê a aplicação da vacina ainda na infância: a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Pessoas que não seguiram o calendário também devem ser imunizadas conforme o seguinte esquema:
– De 5 a 29 anos: duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias;
– De 30 a 59 anos: uma dose;
– Trabalhadores da saúde: duas doses, independentemente da idade.
Mais informações estão disponíveis no site da vacinação da Prefeitura de Campinas: https://vacina.campinas.sp.gov.br
– Se eu estiver vacinado, devo tomar mais alguma medida preventiva ao ter contato com alguém que está com sintomas suspeitos ou diagnosticado?
É sempre importante confirmar com um profissional de saúde se a vacinação está adequada e monitorar o aparecimento de sintomas pelos 30 dias seguintes.
– Quais medidas, além da vacinação, ajudam a reduzir a transmissão?
A identificação precoce de casos suspeitos de sarampo, com correto isolamento do paciente doente; a notificação oportuna à Vigilância Epidemiológica e o início rápido das ações de bloqueio por aplicação de vacina ou de imunoglobulina ajudam na redução da transmissão do sarampo.
– Quem tem maior risco de desenvolver formas graves da doença?
O risco de complicações causadas pelo sarampo é extremamente variável, sendo maior em crianças menores de 5 anos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas desnutridas ou com deficiência de vitamina A.
– Existe tratamento específico para a doença? Se sim, qual?
Não existe tratamento específico para o sarampo. Nos casos sem complicações, deve-se manter a hidratação e o suporte nutricional, além de diminuir a hipertermia.
– O sarampo pode causar sequelas permanentes? Quais?
O sarampo pode causar sequelas permanentes relacionadas, principalmente, às possíveis complicações desencadeadas na evolução da doença. Por exemplo, quadros de encefalite, com danos permanentes (motores e/ou mentais) em cerca de 25% dos casos, além de surdez.
– Quando uma pessoa com sintomas deve procurar atendimento médico?
A procura por atendimento médico deve acontecer em pessoas com quadro febril que se some a manchas vermelhas pelo corpo (exantema).
– Em caso de suspeita de sarampo, devo ir diretamente a um pronto-socorro ou procurar a unidade básica de saúde?
Em caso de suspeita de sarampo, tanto os prontos-socorros quanto as unidades básicas de saúde de Campinas têm condição para atendimento do caso e coleta de amostras clínicas para realização do exame.
– A pessoa com suspeita de sarampo deve evitar contato com outras pessoas?
A pessoa com suspeita de sarampo deve evitar contato com outras pessoas em período de transmissão (seis dias antes até quatro dias após o aparecimento do exantema), principalmente, crianças menores de 5 anos, gestantes não vacinadas e imunossuprimidos graves.
– Por quanto tempo o isolamento é recomendado?
O isolamento para sarampo é recomendado durante o período de transmissão da doença, ou seja, seis dias antes até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas no corpo (exantema).
– Quem vai viajar para locais com circulação do vírus deve tomar alguma precaução além da vacina?
As pessoas que vão viajar para áreas de circulação do vírus do sarampo devem confirmar se o esquema vacinal contra a doença está completo. Em caso de necessidade de vacinação, o ideal é que a aplicação seja realizada no mínimo duas semanas antes da data da viagem.
Durante a viagem, evitar locais com aglomeração de pessoas, preferir ambientes abertos e ventilados.
– Quem teve contato com uma pessoa com sarampo deve tomar quais cuidados?
O contato próximo de caso suspeito ou confirmado de sarampo deve verificar se a vacinação contra a doença está adequada e atentar para o aparecimento de sintomas gripais (febre, tosse e/ou coriza), conjuntivite e manchas vermelhas no corpo (exantema) nos próximos 30 dias após a exposição.
– É possível contrair sarampo mais de uma vez?
Não. O sarampo é uma doença que gera imunidade em pessoas imunocompetentes.
– O sarampo pode afetar adultos ou é uma doença exclusivamente infantil?
O sarampo é uma doença que pode afetar qualquer indivíduo suscetível. No entanto, o risco de complicações é maior em crianças menores de 5 anos.
– Bebês e crianças são o grupo de maior risco? Se sim, por quê?
Qualquer indivíduo não vacinado tem grande risco de adoecimento, pois o sarampo é uma doença altamente transmissível. No entanto, é sabido que crianças menores de 5 anos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas desnutridas ou com deficiência de vitamina A têm maior risco para o desenvolvimento de complicações decorrentes da infecção.
– Quais são os riscos do sarampo durante a gestação?
As gestantes apresentam maior risco de hospitalização e complicações graves, como pneumonia e morte, em comparação com mulheres não grávidas. Além disso, podem surgir complicações na gravidez compatíveis com infecções graves, incluindo perda fetal, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e óbito neonatal. Por isso, recomenda-se a vacinação antes do período gestacional.
– Quem tem doença crônica ou imunidade comprometida corre mais riscos?
Os indivíduos com deficiência do sistema imunológico têm maior risco de desenvolver quadros com maior gravidade.








