Uma parceria inédita entre a Secretaria Municipal de Educação de Campinas e o Museu de Ciências Exploratórias da Unicamp está valorizando as ciências e o letramento de alunos do ensino fundamental da rede municipal por meio da produção de cartas manuscritas.
A troca de mensagens ocorre entre estudantes matriculados no 6º ano das Emefs e integrantes da comunidade universitária que atuam em diferentes áreas: professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação ou de iniciação científica.
A iniciativa foi criada pelo Museu de Ciências Exploratórias em 2025, quando o projeto-piloto envolveu um colégio particular. Neste ano, ela foi ampliada para a rede municipal.
Como funciona a parceria?
A participação de alunos das Emefs no projeto Cartas Exploratórias de Ciência teve início no fim de maio, durante o evento Viva Ciência na Unicamp. Naquele mês, os alunos foram convidados pelas escolas a escrever cartas aos pesquisadores da Unicamp sobre dúvidas, interesses e percepções sobre as ciências biológicas, exatas, humanas e sociais.
Já na universidade, professores e pesquisadores tiveram o desafio de compartilhar, nas respostas, relatos sobre as próprias trajetórias, experiências e motivações, além da importância dos trabalhos realizados.
A experiência resultou em quase 400 cartas que foram respondidas pelos cientistas e foram devolvidas à Secretaria Municipal de Educação para serem entregues aos alunos nas escolas a partir da próxima semana. Com o resultado positivo, o trabalho pode ser ampliado em novas ações pedagógicas no próximo ano.
“Parte do projeto é a experimentação e, por isso, acabamos divulgando com pouca antecedência. Ficamos bem contentes com a participação das escolas, foi extremamente favorável. Cerca de 25% dos participantes do Viva Ciência aderiram e os cientistas também vão conhecendo aos poucos, isso aumenta o impacto para a população de Campinas”, explicou o coordenador adjunto do Museu, Guilherme Oliveira Barbosa, que também é professor do Instituto de Biologia da Unicamp.
“Além de ampliar o repertório dos alunos, permitindo conhecer diferentes áreas do conhecimento, o projeto fortalece o aprendizado da escrita. Promove uma relação afetiva entre o conhecimento científico e a pessoa que produz ciência. É uma ação que promove o diálogo científico de forma criativa e acessível para aproximar a comunidade escolar da universidade. No tempo em que vivemos, escrever uma carta e aguardar a resposta é uma experiência carregada de sentimentos”, ressaltou a assessora de projetos educacionais da Educação de Campinas, Mariana Volpato.

