A Secretaria de Saúde de Campinas lança nesta quinta-feira, 27 de agosto, um painel interativo sobre acidentes por animais peçonhentos, que reúne dados históricos e informações sobre as ocorrências registradas no município. A plataforma pode ser acessada pelo link https://campinas.sp.gov.br/secretaria/saude/pagina/painel-interativo-acidentes-por-animais-peconhentos .

 

O lançamento ocorre durante a Semana Estadual de Enfrentamento do Escorpionismo, entre os dias 24 e 28 de agosto de 2026, iniciativa que tem como objetivo fortalecer e intensificar as ações de prevenção, vigilância e assistência relacionadas aos acidentes por escorpiões em todo o Estado de São Paulo. 

O painel interativo reúne uma série histórica desde 2015. Entre os acidentes analisados estão os que envolvem escorpiões, aranhas, lagartas, abelhas e serpentes. O objetivo é reforçar alertas e orientações para a população e guiar ações dos serviços de saúde.

A ferramenta permite filtrar as informações, por exemplo, por tipo de animal causador do acidente, ano, região de residência, Centro de Saúde de referência, faixa etária, sexo, sintomas e partes do corpo atingidas.

 

Os dados mostram que há uma tendência de alta nos casos de acidentes por animais peçonhentos nos últimos 10 anos e que os escorpiões são responsáveis pelo maior número de acidentes registrados em Campinas. 

 

Mais casos em períodos quentes e chuvosos

 

A plataforma também permite observar a distribuição das ocorrências ao longo dos meses e que há uma concentração maior de acidentes nos meses mais quentes e chuvosos, especialmente entre a primavera e o início do outono. 

 

Segundo a bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde, as condições climáticas influenciam o comportamento dos animais e podem provocar o deslocamento de alguns deles.

“Entre setembro e março, da primavera ao início do outono, é um período associado a temperaturas mais altas e maior pluviosidade”, explica.

Esta época também é marcada pelo aumento da reprodução de alguns animais.

“Nesse período há um aumento na reprodução dos insetos e aracnídeos, como aranhas e escorpiões. Além disso, com as chuvas, os escorpiões podem ser desalojados, podendo aumentar o número de acidentes”.

 

Mãos e pés são os mais atingidos

 

Entre as informações disponíveis no painel estão os principais sintomas e as partes do corpo atingidas. A dor local e o inchaço estão entre as manifestações mais frequentes, enquanto mãos e pés concentram a maior parte dos acidentes.

 

A informação também ajuda a reforçar medidas simples de prevenção.

“Fazer uma atividade no jardim usando luva e sapato fechado já previne a ocorrência de acidentes”, orienta Heloísa.

 

Os dados mostram ainda que 6,5% dos acidentes estão associados ao trabalho, ou seja, ocorreram durante atividades profissionais. As ocupações mais comuns entre as pessoas acidentadas em ambiente de trabalho são jardineiros, pedreiros e catadores de material reciclável.

 

Quatro óbitos registrados

 

Embora os escorpiões concentrem o maior volume de acidentes, os dados históricos do painel mostram que não houve óbitos causados por este animal em Campinas. Foram registrados quatro óbitos relacionados a acidentes por animais peçonhentos: três envolvendo abelhas e um relacionado a aranha.

 

No caso das abelhas, os óbitos ocorreram em situações de ataque maciço, com centenas de picadas, causando envenenamento. Já o caso relacionado à aranha envolveu uma complicação decorrente da lesão provocada pela picada.

“Os acidentes que evoluíram a óbito foram provocados por abelhas africanizadas e aranha do gênero Loxosceles, conhecida popularmente como aranha-marrom”, detalhou a bióloga.

 

A profissional destaca que os acidentes com aranha-marrom são raros, mas podem ser graves.

 

Crianças exigem atenção especial

A faixa etária também é uma das variáveis disponíveis no painel. Os dados indicam maior gravidade dos acidentes em crianças de até 10 anos, razão pela qual a orientação de atendimento é diferenciada.

 

“Por isso que a gente já indica que em acidentes causados por escorpião com crianças, os responsáveis devem procurar local que tenha soro, porque vai ter uma estrutura adequada para atendimento do caso grave, caso haja indicação de uso do soro”, alerta.

Em Campinas, os locais de referência para atendimento com disponibilidade de soro são o Hospital de Clínicas da Unicamp e o Complexo Hospitalar Ouro Verde.

Para adultos e demais situações, a recomendação é procurar a unidade de saúde mais próxima da residência. A necessidade de aplicação de soro é avaliada conforme o quadro clínico, com orientação do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), da Unicamp.

“A maioria dos acidentes não precisa do soro. Mesmo entre os acidentes graves, não são todos que vão precisar do soro, então, precisa ter esse monitoramento. A referência para o monitoramento do paciente é o Ciatox, que vai orientar se tem indicação de soro ou não”, aponta Heloísa.

 

Prevenção depende de barreiras físicas

Além de apresentar o painel, o site institucional da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) (https://campinas.sp.gov.br/secretaria/saude/pagina/unidade-de-vigilancia-de-zoonoses-de-campinas-uvz ) reúne materiais com orientações para evitar acidentes. No caso dos escorpiões, Heloísa destaca que não existe uma medida de controle químico eficaz que garanta a eliminação do problema. A principal estratégia é impedir a entrada dos animais nas residências e reduzir as condições que favorecem sua presença.

 

A instalação de barreiras físicas, como proteção em ralos e vedação de frestas e vãos sob as portas, também pode ajudar a evitar a entrada de outros animais.

 

“Fechar ralo e colocar barreira física debaixo de porta vai funcionar para vários animais, como aranhas, escorpiões, baratas e até roedores”, elenca. 

A orientação também é evitar o acúmulo de lixo e manter o ambiente organizado, reduzindo a presença de insetos que servem de alimento para os escorpiões.

 

Ferramenta também apoia ações de saúde

Além de permitir o acesso da população às informações, o painel pode ser utilizado pelos próprios serviços de saúde para desenvolver ações locais.

“Os profissionais de saúde podem consultar se sua região já tem um histórico de acidentes, qual a faixa etária mais acometida, para desenvolver políticas públicas e realizar ações educativas de prevenção aos acidentes”, explica a profissional.

 

Ação no Paço Municipal

 

Durante a Semana Estadual de Enfrentamento do Escorpionismo, estão sendo realizadas ações de sensibilização pela Secretaria de Saúde pelas seis regiões de Campinas. 

 

Nesta quinta-feira, está sendo realizada uma ação educativa no saguão do Paço Municipal. O objetivo é levar informações importantes para a prevenção de acidentes por escorpiões. Conhecendo os hábitos do animal e com medidas simples de manejo ambiental é possível evitar o aparecimento de escorpiões e evitar acidentes.