Veículos circulando acima da velocidade, diversas situações de avanço de sinal vermelho com risco aos pedestres e até motociclistas encobrindo a placa ao desrespeitarem o semáforo foram condutas de risco observadas em pontos da avenida John Boyd Dunlop e da Ruy Rodriguez, durante a operação assistida. Com base nos flagrantes e no histórico de 92 sinistros (acidentes) registrados entre 2023 e 2026, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) vai ativar equipamentos de fiscalização eletrônica em dois pontos destas avenidas, totalizando quatro pontos ativos, a partir do dia 20 de agosto.
Serão fiscalizados o cumprimento do limite de velocidade, que é de 50 km/h, avanço semafórico e parada sobre a faixa de pedestres. Os equipamentos vão funcionar como apoio tecnológico para reduzir sinistros, principalmente atropelamentos, e estimular o respeito aos limites de velocidade e às travessias.
Confira onde estão os radares e quantos sinistros foram registrados:
– Av. John Boyd Dunlop, próximo ao Terminal BRT Satélite Íris – Corredor BRT Campo Grande
  • 2 pontos no sentido Centro – bairro: no retorno e na travessia de pedestres.
  • 47 sinistros registrados entre 2023 e 2026 (raio de 200 metros): 27 com vítimas feridas, 17 sem vítimas, dois atropelamentos e um fatal.
Este ponto já conta com radares no outro sentido da via (bairro – Centro), próximo à Heitor Lacerda Guedes. O objetivo, agora, é ampliar a segurança no sentido oposto, junto ao retorno e à travessia existente.
– Av. Ruy Rodriguez x rua Plácido Soave, próximo ao Terminal Ouro Verde – Corredor BRT Ouro Verde
  • 2 pontos: Centro – bairro e bairro – Centro.
  • 45 sinistros registrados entre 2023 e 2026 (raio de 200 metros, em cada ponto): 21 com vítimas feridas, 17 sem vítimas, quatro atropelamentos e três fatais.
O cruzamento semaforizado recebe travessias constantes de usuários dos terminais Ouro Verde (convencional e BRT) e, também, do Hospital Ouro Verde.
 
As duas regiões registram a circulação de diversas linhas municipais, incluindo as linhas BRT20, 21, 25 e 26 (na JBD) e BRT0 e BRT11 (na Ruy Rodriguez), com travessias constantes de usuários do transporte público coletivo.
 
“A fiscalização por radares é parte de uma estratégia integrada adotada pela Emdec para inibir os comportamentos que matam no trânsito, juntamente com as blitze integradas, obras que ampliam a segurança viária e as campanhas que alertam a população”, destaca o presidente da Emdec, Vinicius Riverete. “Os dados demonstram que 90% dos motoristas que circulam na cidade respeitam as normas e não cometem infrações. Para salvar mais vidas no trânsito, precisamos mudar o comportamento dos 10% que insistem na direção de risco”, completou.
 
Os locais já receberam infraestrutura necessária para as ligações e os equipamentos já foram aferidos pelo IPEM-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo). A Emdec implantará sinalização vertical (placas) e faixas informativas para alertar condutores sobre a presença dos radares. 
 
Fiscalização será ampliada
 
A partir de aditivo ao contrato atual, o número de pontos de fiscalização eletrônica passa de 144 para 154 em Campinas. Ao final da ampliação, serão 86 equipamentos em semáforos – que registram avanço do sinal vermelho, parada sobre a faixa de pedestres e excesso de velocidade – e 68 fixos, para registrar excesso de velocidade.
 
A última ampliação do número de equipamentos de fiscalização eletrônica em Campinas ocorreu a partir de 2022, passando de 126 para 144 infraestruturas ativas. Desde então, a Emdec vinha adotando o remanejamento de radares como estratégia para ampliar a segurança em locais estratégicos. Onze pontos receberam os remanejamentos entre 2024 e 2026. Agora, foi necessário expandir o número de radares para alcançar outros pontos críticos que demandavam o reforço da fiscalização.
 
O aditamento atual segue a estratégia desta última ampliação: a maioria dos pontos estarão nos eixos das avenidas Ruy Rodriguez e John Boyd Dunlop, que contemplam os corredores BRT Ouro Verde e Campo Grande e, por isso, recebem travessias frequentes de usuários do transporte.
 
Campinas foi o primeiro município do Brasil a adotar os radares como instrumentos de apoio para o registro das infrações de trânsito, em agosto de 1994. Todos os valores arrecadados a partir das infrações de trânsito são investidos em projetos de planejamento/engenharia de tráfego, sinalização viária, fiscalização e educação de trânsito.
 
Velocidade e avanço semafórico causaram 40 mortes em vias urbanas entre 2025 e 2026
 
Os comportamentos de risco que serão fiscalizados pelos radares estão entre os que mais causam mortes no trânsito. Dos 13 casos fatais já analisados em 2026, quatro estavam relacionados ao excesso de velocidade.
A velocidade também foi o fator de risco que mais matou em 2025: em vias urbanas, foram 32 casos fatais. Outros quatro casos envolveram diretamente o avanço semafórico em 2025: foram vitimados dois condutores e um passageiro de motocicleta, além de um condutor e um passageiro de carro.
O excesso de velocidade e o avanço semafórico somaram, juntos, quase 72% das infrações de trânsito identificadas pelos radares até julho deste ano. Entre as 517,6 mil infrações flagradas pelos radares no período, 283,3 mil (55%) envolveram velocidade excessiva ou inadequada e 67,4 mil (13%), o avanço de sinal vermelho.