O Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras, da Secretaria Municipal de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (SMGDP) de Campinas, promoveu nesta quinta-feira, 6 de agosto, mais um encontro do curso Travessias Negras – Liderança, Território e Transformação no Serviço Público. Desta vez, a formação teve como tema “Mulheres Negras e Estratégias de Ascensão”, com debates sobre liderança feminina e desenvolvimento profissional.

 

A programação foi conduzida pela professora e mestre Luíza Mandela, referência nacional em educação e relações étnico-raciais; pela professora doutora Francis Roberta, diretora da EducaTV Campinas; e pela professora doutora Maria Fernanda Luis, gestora do Programa Memória e Identidade: Promoção da Igualdade na Diversidade (MIPID).

 

Durante o encontro, foram discutidos os desafios e as estratégias para ampliar a presença de mulheres negras em espaços de liderança, além de caminhos para o fortalecimento da trajetória profissional. Os participantes também realizaram uma atividade prática de tomada de decisão em cenários complexos, sob a perspectiva de lideranças negras.

 

“Este encontro trouxe uma reflexão essencial sobre os desafios enfrentados pelas mulheres negras em suas trajetórias profissionais e sobre as estratégias necessárias para ampliar sua presença em espaços de liderança. Ao promover esse debate e uma atividade prática de tomada de decisão, o curso fortalece competências fundamentais para o exercício da liderança no serviço público, sempre com foco na equidade, na diversidade e na construção de ambientes institucionais mais inclusivos”, destacou Daniel Estevão, coordenador do Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras.

 

Consciência e representatividade

 

Para a vice-diretora da Secretaria de Educação, Maria Fernanda Luiz, a presença de servidores negros conscientes em espaços de poder e decisão não é apenas uma questão de representatividade numérica, mas é uma exigência política, social e de reparação. “Ocupar esses lugares significa levar para a mesa de gestão a vivência, o olhar atento e a urgência de políticas públicas que realmente alcancem e protejam quem mais precisa”, comentou. “Quando ocupamos posições de liderança e decisão com consciência racial, rompemos com estruturas seculares de exclusão, abrimos caminhos para aquelas(es) que virão e construímos uma cidade verdadeiramente justa, equânime e inclusiva”, completou.

 

Ainda segundo ela, a jornada proporcionada pela formação do curso proporciona reflexão sobre protagonismo histórico, prática diária e acaba por conectando os participantes com a luta antirracista. “O Travessias Negras nos reafirma: nossa voz importa, nosso conhecimento constrói e o nosso lugar é, sim, onde as decisões são tomadas. Desejamos mudanças e esperamos que essa formação seja instrumento que provoque ou tensione a presença dos corpos negros em espaços ocupados majoritariamente por pessoas brancas”, analisou.

 

Comunicação não violenta

 

O próximo encontro será no dia 13 de agosto e terá como tema “Comunicação estratégica e gestão de conflitos”. O encontro será conduzido por Luiza Mandela e vai abordar os seguintes temas:

  • Comunicação não violenta com recorte racial;
  • Narrativa institucional;
  • Gestão de Conflitos.

 

Como atividade prática, os participantes vão elaborar um protocolo antirracista para os seus setores de atuação.

 

Formação voltada ao serviço público

 

Com carga horária de 100 horas, o curso é destinado exclusivamente a servidores públicos negros com potencial de liderança e interesse na pauta racial, em diferentes níveis hierárquicos da Administração Municipal.

 

Ao longo da formação, são abordados temas como liderança negra, gestão pública antirracista, filosofia Ubuntu, pensamento decolonial, racismo estrutural e ambiental, comunicação estratégica, inteligência emocional, gestão de pessoas e políticas públicas.

 

Além das aulas, o programa prevê mentorias, atividades práticas e o desenvolvimento de propostas voltadas à realidade do serviço público municipal, conduzidas por especialistas, pesquisadores, lideranças institucionais e representantes da sociedade civil.

 

Parcerias

 

A iniciativa fortalece a cooperação internacional entre Campinas e a Universidade Pedagógica de Maputo, em Moçambique, ampliando o intercâmbio de experiências sobre liderança, diversidade, território e gestão pública.

 

Também participam da formação a PUC-Campinas, por meio do Centro de Estudos Africanos e Afro-brasileiros Dra. Nicéia Quintino Amauro, e o Observatório MIPID (Programa Memória e Identidade: Promoção da Igualdade na Diversidade).

 

Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras

 

O Programa de Desenvolvimento de Lideranças Negras na Gestão tem como objetivo identificar e fortalecer servidores negros com perfil para ocupar funções de liderança na Administração Pública. Entre as ações previstas estão o desenvolvimento de competências gerenciais, o incentivo ao crescimento profissional, a formação de uma rede de lideranças negras e a produção de estudos sobre diversidade e seus impactos na gestão pública.

 

A iniciativa busca ampliar a presença de gestores e gestoras negras em espaços de decisão, contribuindo para uma administração pública mais diversa, representativa e comprometida com a equidade.