O Salão Vermelho do Paço Municipal recebeu na segunda-feira, 3 de agosto, a palestra “Quando a capacidade fala mais alto: superando barreiras e transformando vidas pela inclusão”, com os fisioterapeutas Ítalo Fernandes e Renata Costa. Promovido pela Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, o encontro reuniu dois relatos de vida que apontaram na mesma direção: os limites enfrentados pelas pessoas com deficiência estão, na maior parte das vezes, nas barreiras criadas pela sociedade, e não nas próprias pessoas.
A mediação foi da professora Thatiane Rubin, docente de Educação Especial da Rede Municipal de Ensino. Ao longo do encontro, os palestrantes relataram os desafios enfrentados desde a infância e o capacitismo, a discriminação que parte da ideia de que a deficiência torna alguém menos capaz. Também destacaram o peso do acesso à educação, das oportunidades e do apoio familiar na construção de suas trajetórias.
Ítalo Fernandes é o primeiro fisioterapeuta com paralisia cerebral graduado no Brasil. Seu nascimento foi marcado por complicações: ele nasceu depois do prazo previsto e sofreu falta de oxigenação provocada pelo cordão umbilical enrolado no pescoço, enquanto a mãe enfrentou violência obstétrica e depressão pós-parto. Na infância, conviveu com as baixas expectativas que a sociedade costuma impor às pessoas com deficiência e enfrentou bullying. Foi na escola pública que encontrou acolhimento, com o suporte do AEE, o Atendimento Educacional Especializado que a rede de ensino oferece a estudantes com deficiência.
A universidade veio com o financiamento do Fies, o Fundo de Financiamento Estudantil do governo federal, e com ela novos obstáculos. Ítalo contou que precisou enfrentar o julgamento de quem duvidava de sua capacidade. Hoje é fisioterapeuta, palestrante e influenciador digital, e atua há três anos no mercado de trabalho. Em sua fala, deixou o recado central da tarde: os limites, muitas vezes, estão nas barreiras impostas pela sociedade, e não nas pessoas.
Renata Costa, também fisioterapeuta e pessoa com paralisia cerebral, contou que, antes de se tornar profissional, viveu a experiência de ser paciente, lugar que ainda ocupa em muitos momentos. Por isso costuma dizer que sua trajetória foi, literalmente, “de paciente para profissional”. Segundo ela, essa vivência lhe deu um olhar mais humano e empático sobre o cuidado com as pessoas que acompanha. Renata destacou ainda o papel da fé em sua caminhada e afirmou que ser capaz, para ela, significa ir sempre um passo além daquilo que acreditavam ser possível.
Para a secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro, encontros como esse fortalecem o combate ao preconceito. “Debater inclusão e acessibilidade é essencial para combater o preconceito, eliminar barreiras e fortalecer políticas públicas que respeitem a autonomia e a dignidade de todas as pessoas”, afirmou.
A palestra teve entrada gratuita, com inscrição prévia, e contou com tradução em Libras, a Língua Brasileira de Sinais, e audiodescrição.

