A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), em parceria com a Iniciativa Bloomberg para a Segurança Viária Global (BIGRS) e o WRI Brasil (World Resources Institute – Instituto de Recursos Mundiais) promoveu, no período da manhã desta quinta-feira, dia primeiro de outubro, o segundo encontro presencial do ano sobre infraestrutura cicloviária. A atividade contou com a participação de técnicos da Emdec e da Administração municipal envolvidos com o tema, e também com grupos de cicloativistas.
Um dos momentos da reunião foi a realização de uma visita técnica guiada na rota cicloviária da avenida Dr. Jesuíno Marcondes Machado, no trecho existente na região da Chácara da Barra. O ponto de encontro foi na Praça São Pedro Apóstolo. Em torno de 35 pessoas participaram da vistoria. Divididas em seis grupos, elas analisaram as condições da rota.
No local, ocorreu a avaliação do tipo da rota cicloviária (ciclovia, ciclofaixa, ciclorrota, ou calçada compartilhada / partilhada); localização; condições da sinalização, iluminação, pavimento e manutenção do local; travessias e arborização; circulação de veículos, ciclistas e pedestres; percepção do sentimento de segurança e conforto do espaço; e, por fim, uma troca de impressões, com o recebimento de sugestões.
Escuta ativa
A visita em campo envolveu grupos de cicloativistas e quem utiliza a bicicleta para o trabalho diário. José Antônio de Araújo Ribas tem 68 anos e é bancário aposentado. Costuma dizer que pedala “desde que nasceu”; mas, oficialmente, desde 1979 (quase 50 anos). Ele é fundador da Associação de Ciclistas de Campinas e Região – Ciclo Ativo. Hoje utiliza a bicicleta para lazer e pequenos deslocamentos. A meta pessoal é percorrer 500 km por mês. E cumpre, “religiosamente”, o objetivo.
“É excelente poder ‘comungar’ o poder público com quem, de fato, faz uso das ciclovias, quem utiliza a bicicleta como transporte e lazer. É fundamental ter essa parceria, esse contato”, enfatiza. Ele aponta duas sugestões para aprimorar o uso dos espaços: manutenção regular e mais conexões entre os trechos. E revela qual o ponto positivo: “…nos últimos dois ou três anos, através da Prefeitura e da própria Emdec, (o poder público) tem passado a ouvir mais os ciclistas. Isto traz um certo conforto. Porque eu sempre falo, nada melhor do que, antes de fazer, ouvir aquele que realmente precisa usar”.
Wesley César Gomes é “bike-entregador” há cerca de dez anos e trabalha nas regiões do Cambuí e Taquaral pedalando, por dia, em torno de seis horas. Ele também participou da visita e da troca de sugestões. “É interessante e necessária, né?! Que tenha mais atividades como essa. E que a conscientização chegue aos motoristas, que não respeitam os ciclistas. Eles (motoristas) alegam que o ciclista está no lugar errado”, enfatiza. E deu a sugestão de mais rotas cicláveis no interior dos bairros.
Interface com a Administração
A atividade também contou com técnicos da Administração municipal em forma de troca de experiências. Leandro Rosalém Ferreira é servidor municipal há cerca de 20 anos e atua junto à Secretaria de Cultura e Turismo. Ele explicou a ligação da atividade com a Pasta.
“Eu trabalho em Joaquim Egídio, num nicho turístico de Campinas, voltado ao mountain bike (MTB) e, também, ao “street’. Estou há oito anos lá e nós atendemos a parte turística e a logística. O pessoal que vai pedalar, correr, caminhar e fotografar, chegando na Estação Ambiental, que é onde eu fico, vai ser recebido por nós. É uma atuação conjunta com a SECLIMAS (Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade). Então, nós trabalhamos com o ciclismo e na preservação ambiental da APA (Área de Proteção Ambiental) de Joaquim Egídio e Sousas”.
Ferreira também avaliou como positiva a atividade. “Encontro fantástico por causa da conscientização, do aumento do ciclismo que está tendo em Campinas”.
Troca de experiências
O encontro sobre infraestrutura cicloviária foi o segundo presencial do ano. A primeira oficina ocorreu em agosto, no Dia Nacional do Ciclista (19/08). A atividade faz parte do desenvolvimento de uma cartilha sobre o tema, que é uma das ações do Plano de Segurança Viária de Campinas.
Após a visita técnica, ocorreu um momento de compartilhamento das experiências e apresentação de resultados preliminares da pesquisa. Diogo Lemos, coordenador executivo da Iniciativa Bloomberg, avaliou a importância da troca de experiências. “Olhar especificamente para a infraestrutura cicloviária é fundamental, porque a bicicleta, o transporte ativo, é importante para tirar as pessoas da mobilidade motorizada, tirar das motocicletas. E a gente faz isto melhorando a infraestrutura, criando uma infraestrutura confortável e, principalmente, segura”.
Ele também analisou a importância da participação dos cicloativistas na atividade: “São eles quem conhecem, como ninguém, não só a infraestrutura cicloviária existente, mas a falta dela. Então, é um público que é muito ativista, são organizados e têm muito a dizer. E qualquer política pública deve escutar a população, principalmente a população-alvo”.
A avaliação é compartilhada pela analista de Mobilidade Urbana da Emdec, Michelle da Silveira Rosa. “Escutar esses cicloativistas é um dos passos mais importantes desse processo (construção da cartilha), porque a gente escuta a comunidade, a gente escuta quem está lá, quem vive essa dinâmica, no dia a dia, Eles são as pessoas mais indicadas para trazer, para a gente, o que está certo, o que está errado, como funciona, aonde nós devemos ir, nos apontar o caminho”.
Para colher sugestões de quem pedala, a Emdec está realizando uma pesquisa que vai orientar as melhorias e a ampliação das rotas cicloviárias em Campinas. Ela pode ser acessada em bit.ly/FormularioCiclovias.
Também participam da ação a EPMobi (Escola Pública de Mobilidade de Campinas) e a UniEmdec (Universidade Corporativa Emdec).
