A Secretaria de Saúde de Campinas reduziu em 19,95% o número de crianças menores de 5 anos não vacinadas ou com esquema incompleto após intensificar a busca ativa.
Em agosto, a Pasta identificou que 11.837 crianças nesta faixa etária estavam com registro de imunização pendente. O número caiu para 9.475.
“A redução demonstra o compromisso das equipes de saúde e a adesão das famílias. Embora ainda tenhamos um quantitativo importante a ser alcançado, o resultado mostra que estamos avançando na proteção das crianças”, avalia a coordenadora do Programa de Imunização de Campinas, Chaúla Vizelli.
Ela destaca que as 9.475 crianças pendentes representam um grupo que ainda necessita de avaliação individualizada.
“Parte dessas pendências pode corresponder a situações de atraso vacinal, enquanto outra parte pode estar relacionada à necessidade de atualização dos registros. Por isso, o trabalho continua com a busca das famílias, a atualização dos registros vacinais e a intensificação das ações de vacinação nas unidades de saúde e em atividades extramuros”, acrescenta.
Campinas não registra casos de sarampo desde 2021 e, no ano passado, alcançou cobertura vacinal de 98,30% para a primeira dose da tríplice viral e de 92,41% para a segunda. No entanto, o Estado de São Paulo já contabiliza 37 casos da doença em 2026. Países como Estados Unidos, Canadá e México enfrentam surtos.
Entenda a busca ativa
O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas identificou os casos em que há falta de registro da primeira ou da segunda dose da vacina tríplice viral ou da tetraviral no sistema e-SUS.
Isso pode significar que a criança realmente está com o esquema vacinal incompleto, mas também pode ocorrer porque ela foi imunizada em outra cidade ou na rede privada, ou por inconsistências no sistema.
Com base no levantamento realizado, equipes da rede municipal de saúde passaram a avaliar cada caso e entrar em contato com as famílias das crianças com pendências para convocá-las para a vacinação.
Multivacinação
No dia 3 de agosto, teve início uma campanha de multivacinação, que incluiu ações de imunização em escolas, um mutirão no Campinas Shopping, no dia 8 de agosto, e o Dia D, em 22 de agosto. No Dia D, foram aplicadas 587 doses da tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para pessoas com até 59 anos que ainda não completaram o esquema.
A estratégia de multivacinação ocorreu até 1º de setembro. Cerca de 60 escolas municipais e estaduais de Campinas receberam as equipes durante a campanha.
Reflexo na cobertura vacinal
Diante da intensificação das ações da Saúde Municipal, o número de doses de vacina contra o sarampo aplicadas em agosto deste ano, em Campinas, foi 94,64% maior do que a média do primeiro semestre de 2026.
No primeiro semestre, a média mensal foi de 3.452 doses aplicadas por mês. Em julho, ocorreram 3.669 imunizações, e, em agosto, foram aplicadas 6.719 doses.
“O resultado é fruto da mobilização e da sensibilização, de todo mundo trabalhando junto. Quando a gente começa a divulgar a campanha, informar sobre a importância da imunização, as pessoas se envolvem, procuram serviços, aderem às estratégias. Tudo isso faz com que o resultado seja mais efetivo”, destaca Chaúla.
Reuniões com instituições
A Secretaria de Saúde também organizou reuniões com representantes de escolas, universidades e da rede hospitalar da cidade para orientar sobre a organização dos serviços e reforçar os alertas sobre o sarampo.
O encontro com a rede hospitalar contou com a presença de 59 profissionais dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica, das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs) e de prontos-socorros.
Outra reunião foi com representantes de escolas de ensino infantil, fundamental e médio das redes pública e privada, além do Departamento de Vigilância Sanitária (Devisa).
Além disso, a Secretaria de Educação de Campinas enviou um comunicado às escolas municipais de educação infantil e de ensino fundamental para reforçar a importância de as famílias manterem atualizadas as cadernetas de vacinação das crianças e adolescentes de até 14 anos.
A orientação é para que as unidades dialoguem com pais ou responsáveis, por meio de conversas presenciais, WhatsApp, cartas e bilhetes, para reforçar que manter a imunização em dia é fundamental para a saúde.
No último dia 8 de setembro, as orientações foram divulgadas para representantes de 11 universidades do Município. Com 42 participantes, o encontro teve como objetivo sensibilizar sobre a situação epidemiológica atual, dar explicações sobre a doença e as formas de prevenção, destacar a necessidade da vacina e incentivar a comunicação interna com alunos e funcionários sobre o tema.
Quem deve se vacinar contra o sarampo?
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para todas as pessoas que não possuem o esquema vacinal completo, independentemente da idade. O calendário vacinal prevê a aplicação da vacina ainda na infância: a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Pessoas que não seguiram o calendário devem ser imunizadas conforme o seguinte esquema:
– De 5 a 29 anos: duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias;
– De 30 a 59 anos: uma dose;
– Trabalhadores da saúde: duas doses, independentemente da idade.
Mais informações estão disponíveis no site da vacinação da Prefeitura de Campinas: vacina.campinas.sp.gov.br
Atenção aos sintomas
A Saúde Municipal reforça a importância de a população ficar atenta ao surgimento de manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre, acompanhadas de um ou mais dos seguintes sintomas:
– Tosse seca;
– Irritação nos olhos (conjuntivite);
– Nariz escorrendo ou entupido;
– Mal-estar intenso.
A orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde diante de qualquer suspeita. Os profissionais de saúde também devem considerar o histórico de viagem de pacientes com sinais suspeitos da doença para que haja notificação rápida e adoção das medidas de controle.
