Servidores que participam do curso “Travessias Negras: Liderança, Território e Transformação no Serviço Público”, da Prefeitura de Campinas, tiveram uma experiência de aprendizagem pelas ruas do Centro Histórico na quarta-feira, 17 de setembro. A atividade, chamada Rota Afro, apresentou aos participantes lugares relacionados à memória, à cultura e à presença da população negra na formação da cidade.
O percurso começou no Largo São Benedito e terminou no Paço Municipal, passando por referências como a Igreja de São Benedito, o Monumento à Mãe Preta e o Largo do Rosário. Mais do que conhecer os locais, a proposta foi estimular um novo olhar sobre espaços que fazem parte do cotidiano dos servidores e sobre acontecimentos e personagens que nem sempre aparecem nas narrativas tradicionais sobre Campinas.
Para o servidor Willian Azevedo Souza, psicólogo, a atividade mudou a maneira como ele passou a enxergar lugares pelos quais circulava diariamente. Ele mora há mais de 10 anos em frente à estátua da Mãe Preta e contou que nunca havia parado para observar a representação retratada no monumento.
“Eu moro em frente à estátua da Mãe Preta e passava por ela todos os dias para ir à Prefeitura, comprar pão ou sair de casa. Sempre via que era uma mulher negra, mas nunca tinha percebido que ela amamentava um bebê branco. Isso mostrou que, apesar de morar ali há tanto tempo, eu desconhecia uma parte importante da história de Campinas”, relatou.
A experiência também transformou a sua forma de observar o Centro da cidade. “Antes, eu passava pelos casarões históricos e via apenas casas. Depois da Rota, passei a enxergar um pouco da história de Campinas e, inclusive, uma parte da história da cidade que foi apagada”, afirmou. “Foi uma experiência muito ilustrativa e prática, que conseguiu sintetizar, em pouco tempo, muito do conteúdo e do estudo. Valeu muito a pena”, concluiu.
Para Sabrina Cosme de Souza, técnica de enfermagem, a Rota Afro permitiu que ela conhecesse a história da população negra nos espaços e territórios de Campinas. “Eu particularmente não conhecia muitas dessas histórias, por não ser da região, e adorei essa oportunidade. Foi muito importante conhecer como Campinas foi construída também pela população negra e perceber como essa história e essa trajetória influenciam a atuação de pessoas negras no serviço público do município.”
Para ela, a idealizadora da Rotas Afro, Julia Madeira, trouxe ao grupo importantes reflexões sobre a história da população negra em Campinas. “Existe um apagamento da população negra no território de Campinas, mas, apesar disso, a cidade tem um movimento negro muito forte. Agradeço ao Travessias Negras por essa oportunidade de conhecer um pouco mais dessa história, porque ainda temos muitas histórias da população negra de Campinas que precisam ser contadas.”

