Mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) do Jardim Bassoli, na Região Noroeste, começaram a definir como será o parquinho inclusivo que será implantado na área anexa ao Centro de Saúde do bairro. As primeiras propostas foram apresentadas nesta sexta-feira (28), durante a reunião mensal do Grupo de Pais de Crianças com TEA, que reuniu cerca de 15 participantes na unidade.

O encontro foi conduzido pelo médico de família Pablo Enrique Mendieta e por servidores da Prefeitura de Campinas, representantes da comunidade e os arquitetos responsáveis pelo projeto do futuro parquinho.

Na primeira parte da reunião, o médico orientou as famílias sobre como agir em momentos de crise das crianças. As mães relataram situações recentes vividas com os filhos, as experiências foram discutidas em grupo e as dúvidas, esclarecidas uma a uma.

Mais do que um espaço de informação, o grupo se consolidou como um momento de escuta e de apoio entre as próprias famílias, que compartilham ali dificuldades, aprendizados e estratégias de cuidado.

O principal assunto do encontro foi o parquinho inclusivo planejado para a área ao lado da unidade de saúde. Os arquitetos Bruno Laginhas e Mariana Wandarti participaram da reunião para ouvir diretamente as famílias e conhecer as necessidades apontadas pela comunidade.

O Parquinho Inclusivo e Intergeracional do Bassoli, projeto que reúne sete secretarias municipais para criar um espaço público onde crianças com e sem deficiência brinquem juntas e onde diferentes gerações convivam, é uma das prioridades definidas para 2026 pelo Grupo Institucional do Poder Público do Jardim Bassoli, o Gipp. Em junho, a contratação da empresa responsável pelo projeto estava em andamento; agora, com os arquitetos definidos, o desenho do espaço chegou à etapa de escuta das famílias.

As sugestões apresentadas pelas mães nas reuniões do grupo serão consideradas na elaboração do projeto. Até o nome do novo espaço será escolhido pela comunidade, em votação.

Entre as propostas está a criação de ambientes fechados e tranquilos, onde a criança possa se acalmar com segurança e privacidade se tiver uma crise, sem precisar deixar o parquinho imediatamente.

As mães também pediram que o espaço seja cercado e tenha controle de acesso, para reduzir o risco de que crianças saiam sozinhas dali, algo que pode acontecer em momentos de desregulação, quando a criança perde temporariamente o controle sobre as próprias emoções e reações.

Outras ideias envolveram brinquedos capazes de despertar o interesse das crianças, como estruturas de escalada, pneus coloridos e equipamentos com jatos e efeitos de água. As participantes sugeriram ainda horário definido de funcionamento, com o local fechado fora desse período.

As servidoras Sara Castro, chefe do Setor de Gestão das Parcerias, e Danielli Guimarães, diretora do Departamento de Política, Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência, ambas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, também acompanharam o encontro. Elas afirmaram que a presença no grupo tem o objetivo de aproximar o serviço público das necessidades da comunidade e de levar atendimento àquela região.

As mães agradeceram a atenção da equipe do Centro de Saúde, dos arquitetos e das representantes do poder público, e algumas se emocionaram durante o encontro.

“Política pública boa nasce assim, com a comunidade dizendo o que precisa. As mães do Jardim Bassoli conhecem os filhos melhor do que ninguém, e é essa escuta que vai transformar o parquinho em um espaço de verdade inclusivo”, afirmou a secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro.

“O recado das famílias foi claro, e a resposta também é: o poder público vai continuar presente no Jardim Bassoli, ao lado dessas mães, para que nenhuma delas precise cuidar sozinha”, completou Vandecleya.

Continuidade

Ao fim da reunião, as participantes fizeram um apelo: que o trabalho com as famílias continue. Elas destacaram que espaços de escuta, orientação e convivência são fundamentais para quem cuida de crianças com TEA e enfrenta, todos os dias, desafios ligados ao diagnóstico, ao comportamento, à inclusão e ao acesso aos serviços públicos.

A proposta é que cada etapa do futuro parquinho seja construída com a contribuição de quem vai usar o espaço, transformando as necessidades apontadas pelas mães em um lugar de convivência, lazer, segurança e inclusão.