Cerca de 50 produtores, artistas e gestores participaram, na última sexta-feira, 14 de agosto, da I Conversa Pública “Lei Rouanet em Campinas – Perspectivas para o Cinema na Metrópole do Interior”, realizada na Casa do Lago da Unicamp. O encontro discutiu os investimentos públicos destinados ao audiovisual em Campinas, as possibilidades de financiamento por meio da Lei Rouanet e a necessidade de ampliar o diálogo entre realizadores e potenciais patrocinadores.

Com produção independente, o evento reuniu representantes do Ministério da Cultura (MinC), da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Campinas, da Câmara Temática do Audiovisual (CTAv) e profissionais do setor. Entre os principais encaminhamentos está a intenção de dar continuidade a encontros desse tipo e fortalecer a articulação entre quem desenvolve projetos culturais e empresas com potencial para financiá-los.

Um dos principais desafios apontados pelos participantes foi a captação de recursos para projetos já aprovados pela Lei Rouanet. Produtores e artistas relataram dificuldades para acessar empresas, apresentar propostas e encontrar profissionais especializados em captação, o que, segundo eles, acaba limitando a utilização do mecanismo como estratégia para viabilizar produções.

O coordenador da Câmara Temática do Audiovisual de Campinas (CTAv), diretor e roteirista Diego Ruiz, abriu o debate destacando o potencial histórico e econômico da cidade para o setor. “Precisamos de alternativas e entender melhor como funcionam as legislações de fomento indireto para estruturar melhor nossa produção”, afirmou Ruiz.

A secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, e o diretor de Cultura, Douglas Menezes, destacaram que a aproximação com empresas da região está entre as estratégias da Secretaria. Eles ressaltaram que programas como o Fundo de Investimento Cultural de Campinas (FICC) e a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) estão entre os mecanismos de financiamento atualmente vigentes para o setor cultural e audiovisual no município. A ampliação das parcerias locais e o acesso a outros mecanismos de incentivo, como a Lei Rouanet, também foram apontados como oportunidades para fortalecer o desenvolvimento de projetos na cidade.

Nesse contexto, parcerias com empresas e a utilização de mecanismos de incentivo, como a Lei Rouanet, foram apontadas como alternativas para ampliar as possibilidades de financiamento das produções locais.

O diretor de Fomento Indireto do MinC, Odecir Costa, apresentou as oportunidades de acesso a recursos por meio da Lei Rouanet e destacou a importância da qualificação dos produtores para a elaboração e captação de projetos. “É preciso conhecer e estudar os editais para não perder oportunidades. Para projetos de pequeno porte, o espaço é enorme, mas pouca gente enxerga”, afirmou.

Costa também apresentou mecanismos gratuitos de formação oferecidos pelo Ministério da Cultura para auxiliar artistas e produtores na preparação e apresentação de projetos, especialmente na etapa de captação de recursos. Segundo dados apresentados por ele, para cada R$ 1 investido por meio de renúncia fiscal, R$ 7,59 retornam para a economia e a sociedade, além de R$ 1,39 em arrecadação de tributos.

Outra iniciativa apresentada durante o encontro foi o “Filma Campinas”, projeto da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo que está em fase de estruturação experimental. A proposta é posicionar Campinas como um polo preparado para receber produções e facilitar a realização de filmagens na cidade.

Um dos idealizadores da iniciativa, o servidor público Ramiro Rodrigues, explicou que o projeto busca fortalecer a articulação local e aproximar diferentes agentes do setor. “O papel do Filma Campinas não é substituir os mecanismos federais de incentivo, mas facilitar a articulação local, conectando projetos aprovados a potenciais parceiros”, afirmou.

Durante o debate, produtores também compartilharam experiências sobre projetos aprovados que não conseguiram avançar para a etapa de patrocínio. Para a mediadora Marta Fontenele, é necessário construir novas formas de articulação e organização para que o setor audiovisual local possa aproveitar melhor as oportunidades oferecidas pela Lei Rouanet. “A lei funciona como mecanismo, a estrutura e o fluxo de análise dos projetos são ágeis e responsivos. Porém, sem canais transparentes de democratização e valorização do diálogo com as empresas, o setor audiovisual de Campinas perde oportunidades de desenvolvimento, apesar da vocação da cidade”, afirmou.

A coordenadora do escritório do MinC em São Paulo, Luiza Rosa, também participou do encontro e colocou a estrutura estadual à disposição dos produtores para apoiar o desenvolvimento do setor.

Ao final, os participantes reforçaram a importância de manter o diálogo entre poder público, produtores, artistas e iniciativa privada, com o objetivo de ampliar as conexões e criar novas possibilidades de financiamento para o audiovisual em Campinas.