A parceria entre o poder público e a iniciativa privada contribui para ampliar o alcance das ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher em Campinas. Durante o Agosto Lilás, a Unimed Campinas utiliza a cartilha “Mulher, você não está sozinha”, elaborada pela Prefeitura de Campinas, em conjunto com o Ministério Público e outros parceiros, para orientar os funcionários sobre os diferentes tipos de violência contra a mulher, os sinais de relacionamentos abusivos e os caminhos para buscar ajuda.

O material foi disponibilizado no portal interno da cooperativa e vem sendo apresentado pela superintendente geral da Unimed Campinas, Elem Martins, durante visitas às diferentes áreas da instituição. A cartilha reúne informações sobre violência psicológica, física, sexual, moral, patrimonial e virtual, além de apresentar os serviços que integram a rede de proteção de Campinas. 

“Tenho conversado com as equipes sobre a cartilha, mostrando os diferentes tipos de violência que uma mulher pode sofrer, onde buscar ajuda e o questionário que ajuda a refletir: será que você está sofrendo algum tipo de abuso?”, explicou Elem.

Ações durante o Agosto Lilás

A programação da Unimed começou com uma palestra da promotora de Justiça Cristiane Hillal, que abordou o enfrentamento à violência contra a mulher e promoveu reflexões entre os participantes. A instituição também estendeu a divulgação das ações aos médicos cooperados. 

A cooperativa também prevê ações voltadas aos homens nos próximos meses. Segundo Elem, setembro deverá ser dedicado à discussão sobre masculinidade, prevenção da violência e o papel dos homens na identificação e no enfrentamento de situações de abuso.

“Além de falar com a mulher, que é quem sofre,  precisamos falar com os homens, para conscientizar e refletir, inclusive sobre a educação dos filhos. Como está a educação do filho dentro de casa e como ele vai tratar as mulheres no futuro?”, afirmou Elem.

A proposta, segundo a superintendente, é preparar especialmente os homens em posições de liderança, para que reconheçam situações de violência e saibam como agir. “Muitas vezes, o líder se depara com uma situação e nos procura para perguntar: ‘Eu não sei como lidar com isso. O que fazer?’. É importante que estejam preparados para acolher e orientar as mulheres”, explicou.

Empresa Amiga da Mulher

As ações fazem parte dos compromissos assumidos pela Unimed Campinas ao receber, em março, o Selo Empresa Amiga da Mulher, concedido pela Prefeitura em reconhecimento às iniciativas de valorização, respeito e ampliação das oportunidades para mulheres. O selo foi um marco para ampliar o envolvimento da instituição com a pauta. “Não é uma luta só do poder público. Precisamos nos aliar para avançar, inclusive trazer os homens, envolver as empresas e fazer um movimento maior”, disse Elem.

A Unimed Campinas possui 1.573 mulheres entre os 2.031 funcionários, o equivalente a 77% do quadro funcional. 

Convivência e acolhimento

Para a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Alessandra Herrmann, a participação de instituições privadas é importante para ampliar e fortalecer as ações de prevenção. 

“O enfrentamento à violência contra a mulher exige o envolvimento de toda a sociedade. As empresas têm um papel muito importante nesse processo porque são espaços de convivência, acolhimento e circulação de informação”, afirmou Alessandra.

Segundo a secretária, a abordagem do tema no ambiente de trabalho contribui para que mais pessoas reconheçam sinais de violência, conheçam os caminhos para buscar ajuda e estejam preparadas para apoiar mulheres que vivenciam essas situações. “Nosso objetivo é que essa conscientização vá além do Agosto Lilás, mas que seja incorporada de forma permanente pelas instituições, fortalecendo a rede de proteção e ampliando as ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher”, destacou.
 

Informação para prevenir e acolher

A cartilha reforça que a violência nem sempre começa com uma agressão física. Pode ser por outras atitudes, como controle, humilhação, medo, chantagem emocional e isolamento. Na Unimed Campinas, as equipes assistenciais estão sendo orientadas a acolher e encaminhar situações identificadas, enquanto a instituição trabalha na estruturação de ações permanentes de apoio. Atualmente, a orientação para mulheres que procuram ajuda é buscar os canais da rede pública de proteção.

Para a superintendente Elem, levar esse conhecimento para as empresas também ajuda a combater o julgamento sobre mulheres que enfrentam situações de violência, porque qualquer mulher pode estar sujeita a esse tipo de situação.

Agosto Lilás mobiliza Campinas

Em Campinas, o Agosto Lilás teve início no dia 2 de agosto, com uma programação gratuita e aberta ao público para informar e orientar sobre a rede municipal de proteção. A iniciativa é promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, com apoio das Secretarias de Saúde e Segurança Pública. A programação completa pode ser consultada aqui.

A campanha nacional transforma agosto em um período de alerta e mobilização para o enfrentamento à violência contra a mulher e faz referência à sanção da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026.

Cartilha está disponível para empresas e organizações

A cartilha de apoio e proteção à mulher está disponível gratuitamente no site da Prefeitura de Campinas. Empresas, instituições e organizações que desejarem utilizar o material em ações de conscientização podem acessar a versão digital neste link.

O material reúne informações para ajudar a identificar situações de violência, conhecer direitos e saber onde buscar ajuda. Também apresenta os serviços da rede de proteção de Campinas, como Delegacias de Defesa da Mulher, Centro de Referência e Apoio à Mulher (Ceamo), Casa Abrigo Sara-M, Defensoria Pública, Caism/Unicamp, Guarda Amigo da Mulher e Sala Lilás.