O número de estabelecimentos de odontologia interditados pela Vigilância Sanitária de Campinas cresceu 280% entre 2024 e 2025 — de 10 para 38. Em 2026, só nos seis primeiros meses, já são 44, marca que supera o total de todo o ano anterior. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 5 de agosto, Dia Nacional da Vigilância Sanitária.

Neste dia, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária realiza ações de valorização dos servidores da área e de conscientização da população sobre o papel da vigilância no controle de produtos e processos de trabalho de interesse da saúde. Em Campinas, os servidores participaram, na manhã desta quarta-feira, de uma palestra com o auditor fiscal Maurício Delgado, com o tema “Conectando pessoas”, sobre os pilares da comunicação não violenta (CNV) no Salão Vermelho do Paço Municipal.

“Nosso trabalho é técnico e muitas vezes silencioso, mas está presente em cada consultório e em cada estabelecimento que a população frequenta. Fortalecer a vigilância e valorizar quem atua na ponta é garantir mais segurança para todos”, disse a coordenadora da Vigilância Sanitária, Ana Heloisa de Lima Vieira.

Fiscalização em Campinas

Campinas conta com 103.549 estabelecimentos que possuem no CNPJ “atividade de saúde” — atividade sujeita à sua fiscalização —, entre eles 1.829 com atividade odontológica.

A Vigilância Sanitária acompanha 103.549 estabelecimentos com atividade sujeita à sua fiscalização na cidade, entre eles 1.829 com atividade odontológica. O trabalho é feito por uma equipe de 79 servidores — 64 autoridades sanitárias e 15 agentes administrativos.

No último ano, o serviço interditou 1.050 estabelecimentos entre farmácias, clínicas de estética, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), um aumento de 35% em relação a 2024, quando interditou 779 locais. Em 2026, já são 495 autos de infração emitidos.

Inspeções totais

2024 – 2632 inspeções

2025 – 2689 inspeções

2026 – 1400 inspeções (1ª semestre)

Destaque em odontologia

O setor de odontologia concentrou o maior avanço da fiscalização. As autuações mais que dobraram de 2024 para 2025, e as interdições mais que triplicaram no mesmo período. A equipe da vigilância em odontologia é composta por 5 dentistas.

Interdições

2024 – 10

2025 – 38 (aumento de 280%)

2026 – 44 (1º semestre)

Autos de infração

2024 – 113

2025 – 263 (aumento de 133%)

2026 – 73 (1º semestre)

O que a fiscalização encontra

As irregularidades mais comuns nos consultórios são:

– Ausência de licença sanitária;
– Estrutura física inadequada;
– Esterilização de materiais feita de forma inadequada;
– Ausência de responsável técnico;
– Descarte incorreto de resíduos.

Cada uma representa um risco real para o paciente, como contaminação durante o procedimento, transmissão de doenças, atendimento executado de forma inadequada e reações a produtos vencidos ou mal armazenados.

A vigilância também identificou casos de estabelecimentos sem qualquer licença e de exercício ilegal da profissão, principalmente na área de estética.

Como funciona a atuação

Toda inspeção tem caráter orientativo. A partir do que é encontrado, a vigilância avalia o risco à saúde. Quando o risco é grave, a interdição pode ocorrer de imediato, com ou sem multa. Quando não é grave, o responsável recebe um prazo para corrigir as irregularidades; se não o faz, as sanções podem ser aplicadas.

A interdição não é, necessariamente, permanente: assim que o estabelecimento se adequa, ele é liberado. Em 2025, 67 estabelecimentos foram desinterditados; em 2026, já são 57. O tempo varia caso a caso — há locais interditados em 2025 e liberados apenas em 2026, e outros que seguem interditados.

O setor também realiza ações educativas. A mais recente ocorreu em junho, na Associação dos Cirurgiões-Dentistas de Campinas (ACDC), a pedido da própria entidade, para esclarecer dúvidas sobre as novas regras de boas práticas de funcionamento definidas pela Anvisa.

Como o paciente pode se proteger

Antes de realizar qualquer procedimento odontológico, o paciente pode observar alguns pontos simples:

– Verifique se o local tem a licença da Vigilância Sanitária, que deve ficar exposta em lugar visível ao público;
– Observe a higiene do ambiente e do profissional;
– Confira a conservação e a validade dos produtos utilizados;
– Tire todas as dúvidas antes de iniciar o procedimento.

Também é possível consultar se um consultório tem licença sanitária válida. As instruções estão no site da Vigilância Sanitária de Campinas: https://campinas.sp.gov.br/vigilanciasanitaria

Como denunciar

Denúncias sobre irregularidades sanitárias podem ser feitas à Prefeitura pelo telefone 156 ou pelo WhatsApp (19) 2116-0156. Dúvidas e orientações podem ser solicitadas à Vigilância Sanitária pelo telefone (19) 2515-7134 ou pelo e-mail devisa.sanitaria@campinas.sp.gov.br