As fachadas revitalizadas do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti (HMMG) estão recebendo murais pintados por artistas urbanos. A iniciativa integra o projeto ‘Mãos que Preservam’, realizado pelo Setor de Humanização da Rede Mário Gatti.
A iniciativa tem como objetivo resgatar e fortalecer o senso de pertencimento entre trabalhadores e usuários dos ambientes do hospital, promovendo o cuidado coletivo, a valorização e a preservação dos espaços de uso comum.
“Por meio de ações de sensibilização e engajamento, a iniciativa busca incentivar a corresponsabilidade na conservação do patrimônio, contribuindo para ambientes mais acolhedores, humanizados, seguros e sustentáveis”, disse a coordenadora do setor de Humanização, Lucimeire Graziela Martini.
Ela também destacou o papel transformador da arte para quem frequenta o espaço. “A arte pode beneficiar pacientes, familiares e profissionais de saúde de diversas maneiras, tornando o ambiente hospitalar mais acolhedor e humano. Seus efeitos vão além da decoração, influenciando o bem-estar emocional e, em alguns casos, até aspectos da recuperação”, aponta.
A proposta prevê intervenções artísticas em áreas estratégicas do complexo hospitalar, complementando as obras de recuperação das fachadas, que estão em fase final. Receberão as intervenções as paredes dos setores de raio-X, telefonia e nutrição.
Ainda segundo Lucimeire, a escolha dos artistas foi cuidadosamente baseada na linguagem visual de suas obras, considerando a singularidade dos traços, a paleta de cores e a força representativa de cada trabalho.
“Também levamos em conta a conexão que estabelecemos com suas produções, buscando artistas cujas obras transmitissem acolhimento, sensibilidade e emoções positivas. Quanto aos temas, priorizamos imagens e narrativas capazes de proporcionar conforto, esperança e bem-estar, contribuindo para tornar o ambiente hospitalar mais humano e inspirador”, detalha.
Curiosidade e participação
Lucimeire conta que trabalhadores, pacientes e acompanhantes demonstraram curiosidade e acompanharam a execução das pinturas e, em alguns momentos, manifestaram o desejo de participar e ajudar.
“Frequentemente, uns convidavam os outros para assistir ao trabalho em andamento, fazendo da criação das obras um momento de interação e contemplação. Essa experiência proporcionou descontração, alívio do estresse e momentos de apreciação artística, evidenciando que os benefícios da arte começaram antes mesmo da conclusão das pinturas”, relata.
Primeiro mural concluído
O primeiro mural foi finalizado na última quinta-feira, 23 de julho, pela artista Marta Henriksen. “Achei muito desafiador trazer a arte para dentro do hospital. Eu sei qual é a importância da arte, o quanto ela consegue transmutar os locais”, conta. “Na minha trajetória, eu não tive muito contato com a área da saúde, e eu achei muito incrível fazer esse projeto para trazer essa consciência de preservação, de pertencimento”, explica a grafiteira.
Ela escolheu um tema voltado à natureza lúdica, retratando uma vegetação e um coelho passeando. “A natureza é muito colorida, ela traz esse sentimento de paz”, justifica.
Pacientes participam de intervenção
Para o trabalho, Marta também se desafiou a sair de sua zona de conforto. Trocou os sprays que costumeiramente utiliza por tinta látex e pincel. Além disso, seu processo criativo envolveu os próprios pacientes do hospital.
“Teve paciente que pintou junto comigo, foi uma troca muito legal. Os funcionários ficaram muito felizes de estar vendo alguém pintar, de ter mudado aquele caminho dentro do hospital”, disse. “Eu acho que, como todo hospital, tem muitas pessoas que gostam de cuidar de outras pessoas, e aí eu me vi muito nesse lugar de cuidar daquele local, para que aquele local receba uma arte muito colorida que reverbere muita alegria ali”, avalia a artista.
Diálogo com a arquitetura
Para o arquiteto coordenador da revitalização, Danilo Silva, a iniciativa também busca aproximar saúde, cultura e cidadania. “A superfície está devidamente preparada para receber as obras, garantindo melhor qualidade, durabilidade e integração entre a revitalização arquitetônica e a intervenção artística”, explica.
O projeto foi desenvolvido para dialogar com a arquitetura existente, respeitando a identidade visual da instituição. As cores, formas e temas das obras foram planejados para complementar os edifícios já revitalizados.
“A proposta artística foi concebida para agregar valor à arquitetura existente. As cores, formas e temas escolhidos buscam criar harmonia visual com o edifício, destacando suas características sem comprometer sua identidade institucional. O objetivo é estabelecer uma relação equilibrada entre arte e arquitetura, tornando o espaço mais convidativo e significativo para quem circula pelo local”, destaca Silva.
Entenda a revitalização
As obras de revitalização das fachadas dos edifícios do Pronto-Socorro Adulto e da Hotelaria do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti utilizam materiais de maior durabilidade, com melhorias significativas na climatização e na impermeabilização.
Os serviços já estão em andamento e o investimento é de R$ 1 milhão. No caso dos murais artísticos, o trabalho dos artistas é voluntário e o material de pintura foi disponibilizado pelo hospital.
Os serviços da revitalização incluem limpeza das fachadas, tratamento de alvenarias e impermeabilização com pintura emborrachada. Além disso, serão instalados quebra-sóis (brises) nas janelas das enfermarias da hotelaria para melhor controle da incidência solar e melhoria da climatização dos ambientes.
Para a ação foi escolhida uma tinta emborrachada que oferece maior resistência às intempéries e às variações de temperatura.
“Esse tipo de pintura aumenta a durabilidade da fachada em pelo menos 10 anos até a próxima intervenção. Além disso, reforça o controle sanitário dos ambientes internos do hospital, evitando problemas de umidade e infiltração”, explica Marcelo Seccon, engenheiro-chefe operacional.








