Essenciais para o trabalho de prevenção e na identificação de condições que possam indicar doenças antes que se agravem, os agentes comunitários de saúde (ACS) de Campinas ampliaram o número de visitas domiciliares neste ano.
O número de ações realizadas nas residências dos moradores passou de 56.685 no primeiro quadrimestre de 2025 para 101.690 no mesmo período de 2026, um aumento de 79,39%.
Os agentes desempenham papel fundamental na Estratégia de Saúde da Família (eSF), ao acompanhar de perto a realidade das famílias, identificar necessidades de saúde e fortalecer o vínculo entre a comunidade e as equipes dos Centros de Saúde.
Sua função, juntamente com outros profissionais da eSF, inclui:
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Visitas domiciliares;
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Cadastro dos usuários, famílias e domicílios;
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Busca ativa de casos identificados pela eSF;
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Acompanhamento de famílias;
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Identificação precoce de doenças e riscos à saúde;
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Orientação sobre os serviços de saúde;
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Orientação sobre práticas saudáveis.
Para Renata Joyce Luiz, coordenadora do CS Parque Valença, essa atuação faz toda a diferença na prevenção e no cuidado. “O agente comunitário de saúde é um elo entre o Centro de Saúde e a comunidade”, destaca.
Como identificar o agente?
Para que sua identificação seja facilitada pela população, evitando golpes, artifícios como QR code no crachá e colete são utilizados pelas equipes de ACSs.
O colete é azul escuro, com o brasão de Campinas no lado esquerdo do peito e o símbolo e nome do programa “Saúde com Agente” do lado direito.
Nas costas, na área superior há a informação “Disque Saúde 136”. Abaixo, há o símbolo do programa “Saúde com Agente” em destaque, acompanhado pelas identificações da prefeitura, do Conasems, do SUS, do Ministério da Saúde e do governo federal.
Ainda segundo Renata, a confirmação mais precisa da identidade do agente é possibilitada pelo QR Code. “A parte de trás do crachá tem o QR Code. Quando você acessa esse QR Code, aparecem todas as informações do funcionário: número de matrícula, quem ele é, entre outras”, explica.
Vínculos com os moradores
Outro diferencial é o vínculo construído ao longo dos anos com os moradores, o que permite um acompanhamento mais próximo das famílias. Segundo ela, o conhecimento do território permite que muitos problemas de saúde sejam identificados antes de se agravarem.
“O agente consegue identificar problemas antes deles chegarem até nós agravados”, ressalta. “Eu tenho um agente comunitário com mais de 10 anos de bairro e de comunidade, que conhece todo mundo: cada família e o seu histórico de saúde. Então, se nessa família a maioria tem diabetes, quando tem um membro novo, a gente já sabe que ele tem um risco maior de desenvolver a doença”, exemplifica Renata.
A coordenadora destaca, ainda, que esse trabalho vai além das visitas domiciliares e envolve o conhecimento dos equipamentos sociais e das necessidades da população. “Sem agente comunitário de saúde não tem Estratégia de Saúde da Família”, resume.
Confiança
A agente comunitária de saúde Leila Araújo, que atua na região do Parque Valença, explica que o contato rotineiro com os moradores facilita as visitas domiciliares. Para ela, esse relacionamento é uma das principais características da profissão e ajuda a fortalecer a confiança entre os profissionais e a população. “O vínculo é muito importante. Eu acho que a palavra ‘comunitário’, que está no nome do nosso cargo, faz toda a diferença. Não é só um agente de saúde, é um agente comunitário de saúde”, finaliza Leila.
Ela conta que alguns moradores desconfiam quando recebem equipes diferentes, o que reforça a importância dos meios de identificação. “Hoje em dia, a segurança da população está em primeiro lugar”, observa.
Profissionais qualificados
Para garantir a qualidade no atendimento à população, os agentes passaram por capacitação entre 2023 e 2025, por meio do Projeto Mais Saúde com Agente, em uma parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Já foram ofertadas duas turmas do curso, que totaliza de 1.275 horas de conteúdo e teve 538 agentes comunitários diplomados.
A iniciativa teve como objetivo qualificar a atuação desses profissionais para atender às necessidades das comunidades e identificar os fatores que afetam a saúde da população, principalmente dos moradores em situações de vulnerabilidade social.








