Esporte, lazer e sociabilidade são pilares do envelhecimento com qualidade em Campinas

 

O envelhecimento da população brasileira tem sido tema de debates em diferentes esferas e, inclusive, chegou até o Enem 2025, que propôs aos estudantes refletirem sobre as perspectivas da velhice no País. Em Campinas, a discussão já é vivenciada na prática por meio de políticas públicas que estimulam o envelhecimento ativo, com foco em qualidade de vida, sociabilidade e autonomia para pessoas com mais de 60 anos. 

 

A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) é responsável por grande parte dessas iniciativas. Por meio de programas e projetos gratuitos, o município oferece uma ampla rede de atividades gratuitas voltadas às pessoas com 60+, espalhadas por ginásios, centros comunitários, praças e parques. A proposta é clara, envelhecer com saúde, prazer e pertencimento. 

 

Vidas transformadas 

 

Campinas ocupa posição de destaque em eventos esportivos voltados a esse segmento, como os Jogos da Melhor Idade (Jomi), competição estadual que reúne atletas 60+ em diversas modalidades. Em 2025, o município assegurou o 6º lugar geral entre quase duzentas cidades. Foram conquistadas medalhas no atletismo, natação, vôlei adaptado, tênis e coreografia. 

 

Os resultados aparecem nos pódios e principalmente nas histórias, nas amizades e no brilho dos olhos de quem reencontrou no esporte um novo significado para a vida. 

 

O grupo campineiro de coreografia, formado por nove integrantes entre 60 e 69 anos, mostra como a atividade física redefine identidades e devolve alegria. Aos 68 anos, Rute de Sena Rodrigues participa dos Jomi há seis anos e descreve a dança como uma transformação pessoal. “Dá aquele friozinho na barriga, mas estou muito feliz. Além da parte física, fiquei mais desinibida e conquistei novas amizades”, relata. 

 

A paulistana Marly Soares, 69, mora há 16 anos em Campinas e mantém uma rotina intensa: musculação, alongamento e dança de segunda a sexta-feira. Ela compete nos Jomi há nove anos. “Quero sempre representar Campinas com muito orgulho e combater o preconceito contra a pessoa idosa. Sou super competitiva e farei o possível para trazer o primeiro lugar para a cidade.” 

 

No atletismo, a força do envelhecimento ativo se materializa na trajetória de Dionir Jeremias Baptista que, aos 80 anos, conquistou o ouro no arremesso de peso, mostrando que vitalidade e superação não têm prazo de validade. 

 

Na piscina, há resultados igualmente significativos. Aos 91 anos, Kenji Shimizu brilhou com dois ouros na categoria G (90+): 25m costas e 25m livre . Cosma Maria Luz de Souza, 80 anos, também garantiu dois ouros na categoria E (80–84): 25m costas e 25m livre . O time da natação teve ainda atuações consistentes como a de Maria Célia Zambello, 81 anos , com 9º lugar (25m costas) e 13º (25m livre), ou Hubertina Helena Gemma Bongers Mesquita, 67 anos – 8º lugar (50m costas) e 6º (50m livre). 

 

Para o secretário municipal de Esporte e Lazer, Fernando Vanin, “os programas voltados às pessoas com 60+ estimulam a autoestima, a autonomia e a participação dos idosos na vida comunitária. O esporte é uma ferramenta de inclusão e saúde, com impacto direto na qualidade de vida”, avalia. 

 

 

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