Maternidade e carreira: mãe atípica transforma diagnóstico em superação e inspira colegas da IMA

Fabiana Ayres sempre teve dificuldade em se relacionar. Mas foi somente depois do nascimento do filho Arthur, de 10 anos, que começou a encontrar respostas para a própria condição. “Quando ele começou a ir para a escola, ficava sempre isolado dos colegas e isso me acendeu um alerta”, conta a funcionária da IMA (Informática de Municípios Associados).

Depois de alguns meses de investigação, veio o diagnóstico: Arthur era portador de TEA (transtorno do espectro autista). Ao levar o filho para tratamento, uma terapeuta percebeu um comportamento parecido em Fabiana e a alertou. “Ela disse para eu procurar profissionais, porque eu poderia ter a mesma condição que ele”, relembra. 

No ano passado, Fabiana teve a confirmação de que também é autista. “Isso me ajudou a entender muita coisa. Eu trabalho no setor de atendimento da IMA há 16 anos e sempre recebia feedbacks dos meus superiores sobre a minha forma muito direta de falar, mas eu não sabia ser diferente. Além disso, por trabalhar em lugares com muito barulho, eu ficava incomodada e me desregulava emocionalmente. Quando recebi o diagnóstico, pedi transferência e minha qualidade de vida aumentou bastante”, explica a colaboradora, que passou a atender as demandas de WhatsApp da assistência social e do 156 do município de Campinas.

Os desafios ainda existem. Para conciliar a rotina profissional sendo mãe solo de duas crianças neurodivergentes – o filho mais novo, Enzo, tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) -, Fabiana conta com o apoio do irmão e dos colegas de trabalho. “Para nós, ela é uma grande inspiração. Sou mãe de quatro crianças e a rotina não é fácil. Mas aqui a gente se apoia e troca experiências tanto profissionais quanto pessoais”, conta Angela Soarea, supervisora de atendimento da IMA.

Por fim, Fabiana reflete sobre a importância do tratamento, mesmo em casos de diagnóstico tardio, como aconteceu com ela. “Eu tinha muito preconceito e dificuldade de aceitar que eu precisaria passar por atendimento multidisciplinar e tomar remédio para o resto da vida. Mas quando eu entendi que tem dois seres que dependem da mãe estar bem para que eles também fiquem bem, eu passei a me priorizar. E eu acredito que esse seja o maior exemplo que eu posso deixar para eles”, conclui.