As estratégias para redução dos sinistros envolvendo motociclistas e os impactos financeiros para o sistema de saúde foram discutidos pelo município durante reunião online promovida pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), realizada na manhã desta sexta (06/11). O prefeito Dário Saadi participou do último da série de webinários sobre mobilidade urbana. Cerca de 50 pessoas acompanharam.
O tema em debate era “Quanto custam os sinistros de trânsito com motociclistas para as cidades?” e o objetivo foi compartilhar soluções técnicas, modelos de financiamento e estratégias de gestão pública. Dário destacou a política de segurança viária adotada, por meio da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
“Em Campinas, temos tido sucesso na redução de mortes no trânsito com ações integradas que envolvem controle de velocidade, operações de fiscalização para combater o uso de álcool na direção e outras condutas de risco, intervenções viárias e campanhas de segurança”, destacou o prefeito.
Dário também reforçou os impactos financeiros dos sinistros envolvendo motociclistas no sistema de saúde municipal. “Os municípios vem assumindo, cada vez mais, estes custos. Anos atrás, cerca de 30% dos investimentos na saúde eram custeados pelas cidades e, agora, essa régua se inverteu, e o município precisa investir de 60% a 70% na saúde”.
Neste ano, Campinas chega ao nono mês consecutivo de redução em todos os índices de mortes no trânsito, incluindo os de motociclistas: foram 22 óbitos deste grupo – 24% menos que em 2025. Ainda assim, eles seguem concentrando 63% do total de mortes. Entre as ações preventivas destacadas pelo prefeito estavam as operações integradas, promovidas pela Emdec, em conjunto com a Guarda Municipal e Polícia Militar; a implantação, neste ano, de 10 novos radares e de nove pontos de videomonitoramento em pontos críticos; e as campanhas de segurança viária.
Campinas preside coalizão pela redução de mortes e lesões no trânsito
Desde setembro, Dário, que lidera a Comissão de Saúde da FNP, também preside a Coalizão pela Redução de Mortes e Lesões no Trânsito. Com duração de dois anos, a iniciativa é fruto de parceria da FNP com a Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global e a Vital Strategies.
Entre as ações previstas estão a capacitação dos municípios participantes e assistência técnica a cinco selecionados entre eles, o fortalecimento do combate ao álcool na direção e ao excesso de velocidade, a disponibilização de uma plataforma para calcular os custos dos sinistros e a discussão sobre a regulamentação de veículos autopropelidos.
Custos dos sinistros e planejamento da mobilidade em pauta
Mediado pelo analista de mobilidade urbana da FNP, Santiago Costa, o webinar contou com temas apresentados pela secretária Municipal de Saúde de Curitiba/PR, Tatiane Filipak; e pela analista de Planejamento da Mobilidade do WRI Brasil, Karolina Silva de Jesus.
A secretária de Saúde de Curitiba compartilhou dados sobre a sobrecarga dos sinistros envolvendo motociclistas na rede municipal de saúde. O impacto econômico foi estimado pelo município em mais de R$ 390 milhões em toda a linha de cuidados de sinistros envolvendo motociclistas neste ano. “Além do atendimento inicial, existe o pós-trauma porque a demanda não termina na alta hospitalar, é uma mobilização contínua da rede nesse atendimento”, enfatizou Tatiane.
Pelo WRI Brasil, Karolina de Jesus, compartilhou um estudo recente que avaliou características do ambiente urbano, principalmente velocidade e infraestrutura na segurança viária nos países de baixa e média renda. Entre as conclusões estão a necessidade de intervenções de velocidade, basear as ações nos principais fatores de risco de cada localidade e avaliar a geometria das vias tanto para identificar pontos que favorecem a insegurança dos motociclistas quanto para planejar intervenções. “A velocidade é um fator comum identificado em todos os países que fizeram parte do estudo e é responsável por um número maior de mortes e lesões de motociclistas”, compartilhou a representante do WRI Brasil.
