Agricultores da área dos Amarais, na região Norte de Campinas, visitaram na quarta-feira, 28 de outubro, o Sítio Boa, em Joaquim Egídio, distrito da região Leste, para conhecer um sistema agroflorestal em funcionamento. A visita integra o processo de implantação de um projeto-piloto de agricultura urbana no Parque Linear do Córrego da Lagoa/Quilombo, conduzida pelo Grupo de Trabalho Intersetorial dos Amarais, vinculado à Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), colegiado que reúne secretarias municipais e sociedade civil em torno do direito à alimentação.
O intercâmbio foi organizado pelo Programa Campinas Solidária e Sustentável, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, que trabalha no fortalecimento da agricultura urbana e periurbana, a produção de alimentos dentro da cidade e no seu entorno.
Sistema agroflorestal é o modo de cultivo que combina, na mesma área, plantas agrícolas, árvores frutíferas e espécies florestais, de forma a produzir alimento enquanto recupera o solo e a vegetação.
No Sítio Boa, o grupo foi recebido por Daniel Coundry, proprietário e integrante do grupo de trabalho. A propriedade era uma área de pastagem e hoje é uma agrofloresta orgânica certificada, com café orgânico, banana, amora, abacate e feijão, além de reflorestamento com espécies nativas da Mata Atlântica e criação de abelhas sem ferrão.
Durante a caminhada pela área, Daniel explicou como implantou e maneja o sistema, e respondeu a dúvidas sobre cultivo de bananeira, consórcio de culturas (o plantio combinado de espécies que se beneficiam umas das outras), recuperação do solo e implantação de agroflorestas. O sítio usa energia solar, tem sistema de captação de água e recebe visitantes em programas de educação ambiental ao longo do ano. Em junho, recebeu a medalha de bronze na categoria Voluntários do 19º Prêmio RAC-Sanasa de Responsabilidade Ambiental, pela recuperação de área de proteção ambiental por meio de agrofloresta e educação ambiental.
“Em outubro, a limpeza tirou 8,3 toneladas de resíduos do entorno do córrego e os moradores disseram o que precisava mudar. Agora os agricultores conheceram como se planta uma agrofloresta. O próximo passo é levar esse cultivo para os canteiros dos Amarais, com acompanhamento técnico do programa”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
A visita dá sequência às ações do grupo de trabalho no Córrego da Lagoa/Quilombo. Nos dias 7 e 21 de outubro, a Prefeitura retirou 8,3 toneladas de resíduos do entorno do córrego, nos bairros Jardim Campineiro e Vila Esperança, e ouviu moradores e agricultores cadastrados sobre as demandas do território. A implantação de agroflorestas no parque linear busca conciliar produção de alimentos, recuperação do córrego e das nascentes e geração de renda para as famílias que cultivam na área.
Serviço
Agricultores da região interessados em participar das ações do programa podem procurar o Programa Campinas Solidária e Sustentável pelo WhatsApp (19) 98437-4018.
