O Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, da Rede Mário Gatti, conta com um serviço de cirurgia bucomaxilofacial (especialidade da odontologia que trata de doenças, traumas, lesões e deformidades na região da boca, dos maxilares e da face) que funciona 24 horas por dia e é referência para Campinas e outros municípios da região. O departamento atende principalmente casos de trauma facial e dispõe de estrutura para diagnóstico e tratamento, incluindo tomografia e tecnologia de impressão 3D para o planejamento cirúrgico.
Segundo o cirurgião bucomaxilofacial e implantodontista Antonio Augusto Campanha, coordenador e referência técnica do serviço, os acidentes envolvendo motocicletas e as agressões físicas estão atualmente entre as principais causas dos traumas faciais atendidos pelo departamento.
“Hoje os acidentes com moto são muito frequentes. E nós temos, infelizmente, as agressões físicas. Tem agressão física nas mais diferentes classes sociais”, aponta o médico.
Trauma facial exige atendimento rápido
Os traumas podem atingir diferentes regiões, desde o couro cabeludo até abaixo da linha do pescoço, envolvendo nariz, lábios, mandíbula e maçãs do rosto, entre outras estruturas. Nas agressões e acidentes, as áreas mais atingidas são nariz, mandíbula e região dos zigomas.
Em casos graves, porém, o atendimento não começa necessariamente pela cirurgia da face.
“Quando o paciente tem um trauma em face, e embora a face seja muito importante, a gente tem que avaliar visão, respiração, mastigação. Quando tem um trauma facial, a gente subentende que outras partes também foram atingidas. Então, quando esse paciente chega no nosso pronto-socorro, o primeiro atendimento é no sentido de preservar a vida desse paciente”, explica Campanha.
Após a estabilização, a equipe bucomaxilofacial atua na reconstrução das estruturas atingidas. Em situações como ferimentos provocados por arma de fogo, que podem envolver grandes perdas de tecido, o atendimento da especialidade pode ser necessário já na urgência.
“O Mário Gatti tem um serviço de 24 horas de bucomaxilo. Se for preciso uma urgência, nós temos equipe, temos corpo de profissionais, temos residentes que dão essa cobertura 24 horas”, destaca o coordenador.
O departamento também conta com atendimento de ortodontia voltado a casos complexos e sequelas de traumas, inclusive para preparação de pacientes que precisam passar por cirurgias reconstrutivas. A estrutura permite que diferentes etapas da reabilitação sejam realizadas dentro do serviço.
Referência para 43 municípios
O Hospital Mário Gatti é referência para 43 municípios da região e recebe pacientes encaminhados por meio da regulação. Quando o paciente é encaminhado por outra unidade de saúde, a comunicação prévia com o hospital permite que a equipe se prepare para recebê-lo.
“Quando ele vem via sistema [de regulação], nós já recebemos essa informação e já nos preparamos para que o atendimento seja o mais rápido possível. Faz toda diferença”, afirma o cirurgião.
Impressão 3D reduz tempo de cirurgia
A tecnologia é uma das ferramentas utilizadas pelo serviço para tornar os procedimentos mais precisos e reduzir o tempo cirúrgico. A partir da tomografia, a equipe pode utilizar modelos criados por impressão 3D para planejar previamente a cirurgia e adaptar as placas que serão empregadas na reconstrução.
“A partir da tomografia, a gente faz uma reconstrução desse crânio da face 3D e aquelas placas que a gente vai usar, a gente modela, deixa tudo pronto antes. Então, uma cirurgia que duraria três horas, a gente faz com uma hora. Reduz tempo cirúrgico, menos morbidade, mais qualidade de cirurgia”, detalha o médico.
O planejamento também contribui para uma recuperação mais rápida. “Isso tudo traz o paciente de volta para a vida social muito rápido. Isso pelo SUS. Hoje a gente tem essa tecnologia aqui”, reforça
Sinais de fratura “escondida”
Uma fratura facial nem sempre é evidente. Mesmo sem cortes ou deformidades aparentes, alguns sinais podem indicar que houve esse tipo de lesão.
“Em caso de trauma, se você perceber desajuste nos dentes, mordida diferente, assimetria, sangramentos por dentro da boca, isso sugestiona que você pode ter tido uma fratura fechada”, alerta Campanha.
O inchaço também pode esconder alterações na estrutura óssea. Por isso, mesmo que a dor não seja intensa, a recomendação é procurar atendimento diante de alterações após um trauma.
Trauma dentário e corrida contra o tempo
Nos casos de dentes permanentes que são arrancados durante uma queda ou acidente, principalmente entre crianças e adolescentes, a rapidez no atendimento pode fazer diferença para a preservação do dente.
“Quanto mais rápido esse dente retornar para o leito dele, maior a chance do paciente não perder esse dente”, orienta o especialista.
Prevenção começa no trânsito
O uso correto dos equipamentos de segurança é uma das principais formas de reduzir a gravidade dos traumas. Para motociclistas, o cirurgião reforça a importância do capacete adequado, que ofereça proteção também à região do rosto.
O especialista também chama a atenção para a associação entre acidentes, álcool e outras drogas e reforça que quem beber não deve dirigir.
Para ele, o crescimento do uso de motocicletas, inclusive para entregas, reforça a necessidade de atenção à segurança no trânsito. “A gente percebe muito isso. Principalmente, depois das dez horas da noite, é o período em que são mais recorrentes esses traumas.”
Cirurgias menos invasivas
Um dos mitos relacionados aos traumas faciais é a ideia de que uma fratura de mandíbula necessariamente exige que o paciente fique com a boca “amarrada” durante semanas. Segundo Campanha, as técnicas cirúrgicas evoluíram significativamente.
“Uma das coisas que mudou é isso. Hoje, com a cirurgia, a gente coloca placas e parafusos, e o paciente sai de boca aberta e volta para vida normal, volta para a sociedade, volta a ter qualidade de vida em uma semana.”
A evolução tecnológica também permitiu procedimentos mais rápidos e menos invasivos, com planejamento prévio das intervenções.
Referência em formação
Além da assistência, o departamento mantém residência médica em cirurgia bucomaxilofacial, que atrai candidatos de todo o país. São duas vagas por ano e, segundo Campanha, cerca de 110 candidatos costumam disputar as vagas, o que representa mais de 50 interessados por posto.
“Nós não perdemos nada em tecnologia e qualidade. A cirurgia que eu faço no meu paciente particular, eu faço aqui no SUS, sem diferença nenhuma. E essa filosofia a gente passa para o nosso residente.”
Para Campanha, a qualidade do atendimento prestado à população é um princípio que deve orientar toda a atuação do departamento.
“Eu gostaria que o que nós temos aqui fosse multiplicado em outros lugares, porque funciona”, garante.








