Campinas recebe, neste mês de setembro, o espetáculo “Aqualtune e as Escreviventes”, da Cia. Nayambing. A montagem, escrita e apresentada pela atriz Jeniffer Éffe’s, propõe um encontro entre teatro, literatura, ancestralidade e memória negra, colocando no centro da cena histórias de mulheres negras que contribuíram para a literatura e para a construção da identidade brasileira.
 
As apresentações acontecem no dia 11 de setembro, às 20h, na Sala dos Toninhos (no complexo da Estação Cultura, no Centro), e no dia 18 de setembro, também às 20h, no Teatro Maria Monteiro (no bairro Padre Anchieta). A entrada é gratuita nas duas datas.
 
Inspirado no conceito de escrevivência, desenvolvido pela escritora Conceição Evaristo, o espetáculo percorre histórias de autoras negras brasileiras, de Maria Firmina dos Reis a escritoras contemporâneas. A proposta é resgatar narrativas que, ao longo da história, foram silenciadas ou apagadas, criando um espaço de reconhecimento, pertencimento e celebração.
 
A dramaturgia transforma o ambiente de um bar de quebrada em um território de encontro e memória. No lugar de um cardápio convencional, o público encontra histórias, poemas, livros, personagens e referências da cultura negra.
 
“Imagine entrar em um bar de quebrada e encontrar, no lugar de um cardápio convencional, uma seleção de histórias, poemas, memórias e vidas negras?”, propõe Jeniffer Éffe’s.
 
Nesse universo cênico, as comidas e bebidas do Bar Kintal da Kebrada ganham significado simbólico e passam a integrar a dramaturgia. Cada item do cardápio representa uma possibilidade de acessar uma memória, uma história ou uma experiência.
 
Aqualtune no centro da narrativa
 
No centro desse banquete simbólico está Aqualtune, princesa e guerreira congolesa ligada à história do Quilombo dos Palmares e tradicionalmente reconhecida como avó de Zumbi dos Palmares.
 
Para a atriz, a personagem representa a força de uma ancestralidade que atravessa gerações e estabelece uma conexão entre África e Brasil, passado e presente.
 
“Aqualtune representa a força de uma ancestralidade que atravessa séculos. Sua presença na cena estabelece uma ponte entre África, Brasil, passado e presente, revelando uma história marcada pela resistência, pela luta e pela construção de territórios de liberdade”, afirma Jeniffer.
 
A montagem também conta com a participação do ator Matheus Janeiro, que interpreta Davenga, personagem inspirado na obra de Conceição Evaristo. A presença do ator amplia a estrutura originalmente concebida como monólogo e cria um diálogo entre diferentes vozes, perspectivas e experiências negras.
 
Com a proposta de unir teatro e literatura, “Aqualtune e as Escreviventes” convida o público a refletir sobre quais histórias são preservadas, quais são esquecidas e de que forma a memória pode ser alimentada por novas narrativas.
 
“Cada prato pode revelar uma memória. Cada bebida pode despertar uma história. Cada livro pode ser uma nova experiência. E, no fundo desse cardápio, existe uma pergunta: o que alimenta uma memória? Aqualtune e as Escreviventes é teatro, literatura, memória e celebração”, destaca a atriz.
 
Serviço
 
Aqualtune e as Escreviventes
 
11 de setembro, às 20h
Sala dos Toninhos
 R. Francisco Teodoro – Vila Industrial
Entrada gratuita
 
18 de setembro, às 20h
Teatro Maria Monteiro
R. Dom Gilberto Pereira Lopes, 412 – Conj. Hab. Padre Anchieta
Entrada gratuita