O prefeito de Campinas, Dário Saadi, participou nesta quarta-feira, 2 de setembro, em São Paulo, do seminário “Impactos do TIC-TIM e Regulação Urbana: oportunidades e desafios”, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Governo do Estado de São Paulo e pela Agência Reguladora de Transporte (ARTESP). O encontro reuniu prefeitos, gestores municipais e equipes técnicas para discutir como as cidades do eixo São Paulo–Jundiaí–Campinas podem se preparar para os impactos da implantação do Trem Intercidades (TIC) e do Trem Intermetropolitano (TIM).
Durante o encontro, Dário destacou que a discussão sobre planejamento urbano precisa ocorrer de forma simultânea ao avanço das obras, permitindo que os municípios se antecipem às transformações provocadas pela nova infraestrutura ferroviária.
“Esse tema é fundamental para melhorar a mobilidade urbana entre Campinas, São Paulo e Jundiaí, mas também traz oportunidades para que as cidades façam seu planejamento e melhorem o desenvolvimento urbano, principalmente no entorno das estações. Essa discussão, junto com as obras que já começaram do TIC e do TIM, é fundamental”, afirmou.
A reunião foi conduzida pelo subsecretário de Desenvolvimento Urbano do Estado de São Paulo, José Police Neto.
Planejamento antecipado
Para o prefeito, a implantação do sistema ferroviário deve ser analisada para além da melhoria da mobilidade. Segundo ele, a chegada dos trens representa uma oportunidade para reorganizar áreas estratégicas das cidades, especialmente aquelas próximas às futuras estações.
Dário observou que, tradicionalmente, grandes obras de mobilidade são implantadas antes de os municípios conseguirem promover as adequações necessárias no planejamento urbano e no sistema viário. “No Brasil, as grandes obras chegam, no caso das obras de mobilidade urbana, e depois os municípios correm atrás para acertar o viário, para tentar aproveitar alguma mudança de zoneamento urbano ou de diretriz viária. Essa discussão antecipada é fundamental”, disse.
O prefeito destacou que Campinas já vem desenvolvendo ações de requalificação e revitalização da região central e de áreas próximas ao eixo ferroviário. A chegada do TIC-TIM, segundo ele, amplia a possibilidade de avançar ainda mais.
“Campinas faz parte desse processo e vai discutir as alterações necessárias na região central da cidade e na Vila Industrial para aproveitar, no sentido do desenvolvimento urbano, a chegada do trem”, afirmou.
Centro como área estratégica
Dário destacou que Campinas já vem se preparando para essa transformação. O município conta com iniciativas voltadas à reocupação do Centro e de áreas estratégicas. Entre elas estão o Habita Centro, que prevê incentivos urbanísticos e fiscais para novos empreendimentos residenciais, comerciais e de uso misto; a Lei do Retrofit, voltada à recuperação e adaptação de edifícios antigos; e o Procentro, com incentivos fiscais para estimular atividades econômicas na região.
Nesse contexto, o prefeito apontou o Pátio Ferroviário como uma das áreas com maior potencial de transformação. O complexo também é objeto de uma proposta de implantação de um Hub de Inovação e Tecnologia, em parceria com a PUC-Campinas.
“Temos um pátio ferroviário de aproximadamente 310 mil metros quadrados. Parte dessa área já está ocupada e temos uma área importante que estamos trabalhando para viabilizar. A chegada do trem pode nos ajudar muito a avançar nesse processo”, disse.
Para Dário, a implantação do TIC-TIM deve ser incorporada ao planejamento urbano desde já, permitindo que Campinas aproveite a nova infraestrutura para induzir desenvolvimento, atrair atividades econômicas e promover a requalificação de áreas estratégicas.
“Temos que nos antecipar à chegada do trem. É uma oportunidade. Olhar o TIC-TIM somente do ponto de vista da mobilidade urbana é muito pouco”, reforçou.
Novo eixo de desenvolvimento
O projeto TIC Eixo Norte inclui o Trem Intercidades, que ligará São Paulo a Campinas; o Trem Intermetropolitano, entre Jundiaí e Campinas, e a modernização da Linha 7-Rubi. O TIC terá 101 quilômetros de extensão e tempo estimado de 64 minutos entre São Paulo e Campinas, com operação prevista para 2031. Já o TIM terá 44 quilômetros, com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos, e previsão de início da operação em 2029.
As obras começaram em março deste ano no trecho entre Jundiaí e Campinas e chegaram a Campinas em junho. Para 2027, está previsto o início das obras no trecho entre Jundiaí e São Paulo e da reconfiguração e modernização das estações. O projeto deve beneficiar diretamente 11 municípios e cerca de 672 mil passageiros por dia.
Além dos projetos diretamente relacionados ao eixo ferroviário, Campinas vem promovendo outras ações de qualificação da região central, como as obras do BRT Central, melhorias de espaços públicos e iniciativas de recuperação do patrimônio histórico. A estratégia é criar condições para que a chegada do TIC-TIM contribua não apenas para a mobilidade, mas também para a habitação, a atividade econômica e o desenvolvimento urbano.








