Campinas terá novamente desfiles de escolas de samba em 2027. A retomada foi definida nesta segunda-feira (17), em reunião entre a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, a Liga das Escolas de Samba de Campinas (Liesca) e representantes das quatro agremiações que vêm participando, em diálogo constante com o poder público, da construção da retomada da participação das escolas de samba no Carnaval de rua de Campinas.

O encontro contou com a presença da secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, do diretor de Cultura, Douglas Menezes, e do diretor de Eventos, Gabriel Rapassi. Participaram também representantes da Liesca e das escolas Leões da Vila Padre Anchieta, Rosa de Prata, Estrela D’Alva e Unidos do Shangai.

Programado para o dia 13 de março de 2027, na Avenida Francisco Glicério, no Centro de Campinas, o desfile das escolas de samba marca a retomada de uma tradição interrompida desde 2015, ano em que Campinas realizou os últimos desfiles com escolas de samba.

“Retomar os desfiles das escolas de samba é reconhecer a importância do Carnaval como uma das mais potentes manifestações da nossa cultura popular. O Carnaval movimenta artistas, músicos, artesãos, costureiras, produtores e uma ampla cadeia da economia criativa, além de preservar histórias e fortalecer os vínculos das comunidades com seus territórios”, disse Alexandra Caprioli.

“Além da realização do desfile, também vamos mobilizar iniciativas de formação e preparo, contribuindo para o fortalecimento das escolas e dos profissionais envolvidos nessa importante manifestação cultural”, completou a secretária.

União das escolas de samba

Presidentes das escolas e representante da Liga das Escolas de Samba de Campinas (Liesca) destacam que o retorno previsto para 2027 representa não apenas a volta dos desfiles, mas também o reconhecimento de uma história construída pelas comunidades, a valorização da cultura popular e a abertura de um novo ciclo para o samba na cidade.

Para o presidente da Unidos do Shangai, Messias Souza da Silva, o anúncio é resultado de anos de resistência e persistência das escolas. “Por muitos anos, as escolas de samba de Campinas mantiveram viva a esperança de voltar à avenida. Foram anos de luta, resistência e amor pelo Carnaval. Anunciar essa retomada mostra que valeu a pena não desistir. Pelo desfile das escolas de samba, a luta nunca acaba. Unidos sempre!”, afirmou.

A presidente da Leões, Elizeth Campagnuci, ressalta que a retomada também representa a recuperação da credibilidade das escolas de samba de Campinas. Segundo ela, mesmo longe da avenida, as agremiações continuaram desenvolvendo projetos, movimentando suas comunidades e demonstrando sua capacidade de organização. “Voltar à Glicério é uma oportunidade de mostrar para a cidade, para o poder público e para possíveis parceiros que vale a pena acreditar e investir nas nossas escolas. Queremos que 2027 seja não apenas o ano da volta, mas o início de um projeto sólido”, destacou.

Para Michel Moraes Furtado, presidente da Estrela D’Alva, o retorno dos desfiles oficiais representa o resgate de uma trajetória que faz parte da identidade das comunidades. “Mais do que voltar a desfilar, estamos resgatando uma história, preservando um legado e dando continuidade a uma trajetória que faz parte da identidade da nossa comunidade”, afirmou. Segundo ele, o samba e os desfiles têm o poder de aproximar pessoas, fortalecer vínculos, promover inclusão e transformar vidas por meio da arte, da educação e da convivência.

O presidente da Rosa de Prata, Jorge Camargo, destaca o papel fundamental das comunidades na manutenção da tradição do samba. “A força de uma escola de samba vem da sua comunidade. É nela que estão nossas raízes, nossas histórias e as pessoas que mantêm o samba vivo de geração em geração. Voltar à avenida depois de tantos anos é uma conquista de cada componente, de cada família e de todos que continuaram acreditando”, disse.

Já o presidente da Liesca, Edson Joia, ressalta que os desfiles reúnem cultura, inclusão, tradição e ancestralidade, além de movimentarem a economia e gerarem renda. Para ele, a união das quatro escolas que mantiveram o samba vivo em Campinas abre um novo momento para a cidade. “Hoje vivemos novos tempos, e a união das quatro escolas que seguraram a barra, que não deixaram o samba morrer literalmente em Campinas, abre um novo ciclo em nossa cidade”, afirmou.