Pessoas atendidas no Centro POP Sares II, no Centro de Campinas, assistiram na quinta-feira, 13 de agosto, ao documentário “Vidas Invisíveis”, debateram o direito à moradia e pintaram a faixa que será levada ao ato do Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, na próxima quarta-feira, 19, às 18h, em frente à Catedral Metropolitana.
A organização é do comitê que acompanha e monitora o plano municipal de atenção à população em situação de rua, conhecido como Comitê Pop Rua, que reúne representantes de secretarias municipais e mantém reuniões com organizações da sociedade civil, com trabalhadores dos serviços e com as próprias pessoas atendidas. A programação terá apresentações culturais, confecção de cartazes e tribuna livre, espaço em que qualquer pessoa presente pode pedir a palavra e falar. A participação é aberta a toda a população.
A atividade aconteceu no Centro POP Sares II, unidade da Prefeitura de Campinas que integra o Serviço de Acolhimento e de Referenciamento Social, o Sares, voltado ao atendimento de pessoas em situação de rua. O documentário exibido, de 2019, deixa que as próprias pessoas em situação de rua contem suas histórias e mostra como é o dia a dia de quem vive nessa condição. O filme foi produzido por Maria Julia Patrussi como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Universidade Paulista, a Unip, com edição de Eduardo Alves e orientação de Tassia Vinhas.
A partir do filme, o grupo abriu uma conversa coletiva sobre o que significa estar em situação de rua, sobre as diferentes trajetórias que levam uma pessoa a essa condição, sobre o direito à moradia e sobre o acesso às políticas e aos serviços públicos. Os participantes compartilharam experiências, percepções e reflexões, e o diálogo reforçou uma ideia central: estar em situação de rua não significa perder direitos, dignidade ou cidadania.
Na sequência, o grupo se dedicou à confecção do material do ato. Sentados no chão da sala, com pincéis e tinta branca sobre o tecido preto estendido, os participantes escreveram a data e o nome do dia nacional na faixa.
Foi o segundo encontro preparatório para o ato. Em 6 de agosto, o mesmo grupo debateu o Massacre da Praça da Sé e a Chacina da Candelária, a partir do documentário “Nós da Rua” e de reportagens da época, e começou a produzir os cartazes.
A atividade buscou fortalecer o protagonismo de quem é atendido pelo serviço, ou seja, estimular que essas pessoas ocupem elas mesmas os espaços de expressão e de reivindicação, em vez de apenas receber a política pública pronta. Mais do que produzir material para um ato, o encontro reafirmou a importância de dar visibilidade às histórias, às vozes e às reivindicações de uma população que muitas vezes é invisibilizada pela sociedade.
O 19 de agosto foi transformado em data nacional por lei federal em 2025, depois de mais de duas décadas de mobilização dos movimentos sociais. A escolha do dia lembra a série de ataques contra pessoas que dormiam na Praça da Sé, em São Paulo, entre 19 e 22 de agosto de 2004: 15 pessoas foram agredidas enquanto dormiam e sete morreram. O episódio ficou conhecido como Massacre da Sé e teve repercussão internacional.
“Quando abrimos espaço para a escuta e para o protagonismo da população em situação de rua, reforçamos que essas pessoas não podem ser vistas apenas como destinatárias das políticas públicas, mas como sujeitos de direitos e participantes da construção de soluções. O ato do dia 19 também representa essa oportunidade de dar visibilidade às suas vozes, reivindicações e histórias”, destacou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
Ato do Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua
Quarta-feira, 19 de agosto, a partir das 18h, com previsão de encerramento às 21h
Em frente à Catedral Metropolitana de Campinas, Praça José Bonifácio, s/n, Centro
Programação: apresentações culturais, confecção de cartazes e tribuna livre
Aberto a toda a população
Os Centros POP Sares
Os Centros POP Sares são unidades públicas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social voltadas ao atendimento de pessoas em situação de rua. Nelas, as pessoas atendidas encontram acompanhamento técnico, em articulação com a rede de saúde, a documentação civil e os benefícios sociais, além de espaço para higiene, alimentação e atividades de convivência que fortalecem vínculos e apoiam a construção de novos projetos de vida.
Serviço
Sares I
Rua Regente Feijó, 824, Centro
(19) 3231-4155 / 3236-4059
8h às 17h, dias úteis
Sares II
Rua José Paulino, 603, Centro
(19) 3235-2281 / 3235-1918
8h às 17h, dias úteis








