Oficina de Defesa Pessoal na Estação Cultura reuniu cerca de 40 mulheres
Cerca de 40 mulheres participaram nesta terça-feira, 7 de julho, da Oficina de Defesa Pessoal na Estação Cultura, realizada pela Empodere-se. A iniciativa é da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e o próximo encontro está marcado para o dia 18 de julho, na Biblioteca Municipal.
O objetivo da ação é capacitar mulheres para reconhecerem e enfrentarem situações de risco. As oficinas usam técnicas físicas e psicológicas de autodefesa, promovem a prevenção de relacionamentos abusivos e trazem reflexões sobre diferentes formas de violência.
“A oficina desta semana foi muito bacana, com uma boa participação das mulheres. Mas teremos mais encontros, então programem-se e participem”, convidou a secretária de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas, Eliane Jocelaine Pereira.
Para a criadora da Empodere-se, Amanda Lemes, o workshop foi muito positivo e, em sua opinião, um dos mais marcantes da temporada. “Além das técnicas de autodefesa, trabalhamos o fortalecimento emocional, a importância de impor limites, dizer não em situações de desconforto e não se encolher diante da violência”, disse.
Ela conta, ainda, que a roda de conversa no final foi muito emocionante, com relatos de superação e reconhecimento da importância desse trabalho para mulheres, professoras e alunas. “Saímos muito felizes com o resultado e acreditamos que a Estação Cultura, pela sua história e simbolismo, também contribuiu para tornar essa experiência ainda mais significativa”, completou.
Para participar das próximas oficinas, é recomendado que as interessadas se vistam de maneira confortável. Roupas de uso cotidiano no trabalho também são adequadas, já que a defesa pessoal é uma ferramenta de segurança e não um esporte.
As oficinas contam com recursos de uma emenda impositiva.
Depoimentos
Ana Carolina dos Santos Martins – “Aprendi que manter o olhar firme e não se intimidar diante de um possível agressor pode fazer a diferença. É um conhecimento que pode salvar vidas.”
Sara Micaroni – “A gente pode estar em situação de vulnerabilidade, mas não é vulnerável. Autodefesa também é autoconhecimento.”
Jasmim Oliveira – “Quando as instrutoras falaram sobre a questão de ‘olhar no olho’, eu achei muito forte. Para mim foi até difícil essa dinâmica. A mulher passa por situações em que pode dizer para um homem, que fica com o olhar fixo nela: ‘Quem você acha que é?’. Os homens não imaginam que a mulher vai reagir.”
Marta dos Santos Neves – “Eu fiquei impactada e refleti quando as instrutoras falaram que ‘as pessoas que nós amamos, nós protegemos’. Mas nós mesmas não nos protegemos. Isso me fez pensar e mudar de ideia.”
Kelly Arduino – “A abordagem retratada aqui é muito importante, pois olhou para todos os níveis de violência e não apenas para a parte física. A questão do empoderamento não se resume à força: é também estratégia, e isso independe da força física. Todas podem e conseguem.”
Bruna Arduino – “Eu achei as oficinas muito importantes. Já tinha participado de outras, mas elas focavam apenas na parte física. Esta aborda outras dimensões da violência. A parte mental também foi muito bem trabalhada, para que as mulheres possam se defender desde o princípio, com palavras, afirmações, olhar e, se necessário, constranger o homem e fazer com que ele se afaste. A gente consegue!”
Quem pode participar
As oficinas de autodefesa são abertas a servidoras, trabalhadoras de instituições parceiras, familiares e mulheres da comunidade em geral, com idade a partir de 14 anos.
O conteúdo das oficinas inclui reconhecimento de categorias de violência, percepção de ambiente e proteção do espaço íntimo, movimentos básicos de autodefesa, uso da voz como ferramenta de defesa e saídas de agressões típicas, como pegada de braço, cabelo, estrangulamento, abraços por trás e violência sexual. As participantes também aprendem a transformar objetos do dia a dia, como canetas, chaves e bolsas, em potencializadores de força.
Empodere-se
A Empodere-se atua desde 2017 com o objetivo de promover diversidade e inclusão junto a empresas e instituições, por meio de ferramentas voltadas ao cotidiano. “Aprender a se defender é um direito de todas, e cada vez mais mulheres têm procurado essa tecnologia social que tem salvado vidas”, contou Amanda Lemes.
Amanda explicou que a parte física é importante para uma emergência. Segundo ela, porém, a autodefesa vai além, pois constrói consciência e estratégia para o bem-estar em todas as dimensões da vida. “Dialogamos com as artes marciais, mas também com o preparo psicológico para enfrentar situações de risco e com toda a rede de acolhimento às mulheres que a cidade promove”, completou.
Serviço
Oficina de Defesa Pessoal
18 de julho (sábado), às 10h
Local: Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink
Endereço: avenida Benjamin Constant, 1633, Centro
Público-alvo: mulheres da região
25 de julho (sábado), às 19h
Local: Igreja do Evangelho Eterno (conhecida na região como “Igreja do Isac”)
Endereço: rua Coronel Serafim Migueis, 143, Jardim Eulina
Público-alvo: mulheres da região
Outras oficinas estão programadas para o mês de julho e agosto e serão divulgadas em breve.
