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Agricultores urbanos de Campinas iniciam capacitação no Protocolo de Transição Agroecológica

Agricultores urbanos, técnicos e representantes de instituições parceiras participaram, na terça-feira, 30 de junho, da primeira oficina de capacitação sobre o Protocolo de Transição Agroecológica (PTA) voltada às hortas comunitárias de Campinas. O encontro foi realizado na Horta-Escola do Jardim Florence, na região Noroeste. A formação foi ministrada pelo engenheiro agrônomo Osmar Mosca, técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O Protocolo de Transição Agroecológica é uma política do governo paulista que orienta agricultores na mudança gradual do cultivo convencional para a agroecologia, modelo de produção que dispensa agrotóxicos e fertilizantes químicos e busca recuperar o equilíbrio ecológico das áreas cultivadas. O protocolo vai além de um processo de certificação. Ele funciona como um instrumento de diagnóstico participativo: os próprios agricultores avaliam seus sistemas de produção e identificam o que pode melhorar no manejo do solo, no uso da água, na biodiversidade, na conservação ambiental e na utilização de insumos.

O instrumento foi criado em 2016 e alcançou mais de 600 agricultores certificados em dez anos, com cultivo em mais de 10 mil hectares, segundo balanço divulgado pela Cati em junho. O protocolo atende agricultores de áreas rurais, urbanas e periurbanas de todo o estado.

A adesão das hortas comunitárias ao protocolo toca diretamente a mesa das famílias campineiras. As hortas urbanas produzem alimentos frescos perto de casa e ampliam o acesso à alimentação saudável em territórios de maior vulnerabilidade social. Com a transição agroecológica, esses alimentos passam a ser cultivados sem agrotóxicos e com práticas que protegem o solo e a água, o que beneficia quem consome e quem produz.

O reconhecimento também abre portas. Hortas comprometidas com práticas agroecológicas ganham credibilidade junto a consumidores, parceiros, instituições públicas e potenciais apoiadores. Essa credibilidade pode facilitar o acesso a feiras, a projetos de comercialização, a programas de incentivo e a políticas públicas de compra de alimentos, o que fortalece a geração de renda dos agricultores urbanos.

As hortas urbanas cumprem ainda funções que vão além da produção de alimentos. Esses espaços recuperam áreas degradadas, valorizam os espaços públicos, promovem educação ambiental e fortalecem o senso de pertencimento das comunidades.

Prática no território

Os participantes realizaram uma caminhada técnica pela Horta-Escola do Jardim Florence e aplicaram na prática os princípios e indicadores do protocolo. O grupo observou aspectos como a diversidade de cultivos, a cobertura e a conservação do solo, o manejo da água, o controle ecológico de pragas e as estratégias de preservação ambiental.

A atividade proporcionou a troca de experiências entre agricultores de diferentes regiões da cidade. O exercício evidenciou o caráter multifuncional das hortas urbanas, que reúnem em um mesmo espaço contribuições ambientais, sociais, econômicas e educativas para os territórios onde estão inseridas.

Participaram do encontro integrantes da Horta Comunitária do Jardim São José, no distrito de Barão Geraldo, dos Canteiros Coletivos do Jardim Santa Lúcia, da Associação Cio da Terra, do Jardim Itajaí, e da própria Horta-Escola do Jardim Florence. Estiveram presentes também representantes da Prefeitura de Campinas, da Transpetro, empresa de transporte e logística da Petrobras, da Pé de Feijão, da Rede Livres, da Cooperativa de Trabalho, Assessoria Técnica, Extensão Rural e Meio Ambiente (Amater) e da Cati. A presença da Transpetro se explica pela parceria da empresa com o Ministério do Desenvolvimento Agrário para a Horta Comunitária do Jardim São José, que cede área da estatal para o cultivo de alimentos por famílias em vulnerabilidade social.

Polo formativo da agricultura urbana

A Horta-Escola do Jardim Florence funciona como polo de formação da rede de agricultura urbana de Campinas. O espaço nasceu como projeto piloto de horta comunitária e hoje concentra cursos e oficinas voltados aos agricultores cadastrados no programa municipal.

“Quando uma horta comunitária adota práticas agroecológicas, quem ganha é a família que leva para casa um alimento mais saudável. O incentivo ao protocolo reforça o compromisso de Campinas com sistemas alimentares mais justos, sustentáveis e inclusivos”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.

A iniciativa integra o Programa Campinas Solidária e Sustentável, que coordena a rede de agricultura urbana e periurbana da cidade. O programa está vinculado à Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional, a Caisan Campinas, colegiado que articula a política alimentar entre diferentes áreas da Prefeitura. A agricultura urbana é tratada pelo programa como estratégia de segurança alimentar, geração de renda, recuperação ambiental, educação ambiental e desenvolvimento sustentável.

“A capacitação no protocolo dá método a um trabalho que os agricultores urbanos já fazem com muito cuidado. Eles saem da oficina sabendo avaliar a própria horta e enxergando o caminho para produzir cada vez melhor”, afirmou Mariana Maia, coordenadora do Programa Campinas Solidária e Sustentável.

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