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Oficina impulsiona sistemas agroflorestais na região dos Amarais

A Prefeitura de Campinas realizou, nesta quarta-feira, 1º de julho, uma oficina na região dos Amarais. Participaram agricultores cadastrados no Programa Campinas Solidária e Sustentável, programa municipal que coordena a rede de agricultura urbana da cidade. O programa está vinculado à Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional, a Caisan Campinas.

A atividade integra o Projeto de Formação em Sistemas Agroflorestais, os SAFs, na área do Parque Linear do Córrego da Lagoa. A iniciativa busca fortalecer a agricultura urbana e periurbana em áreas usadas há mais de 25 anos para a produção de alimentos.

Os sistemas agroflorestais combinam cultivos agrícolas com árvores em uma mesma área. A técnica reduz a necessidade de insumos químicos, melhora a retenção de água no solo e diversifica a produção. Com isso, fortalece a segurança alimentar dos agricultores e a resiliência diante de variações climáticas.

A oficina toca diretamente a vida de quem mora nos bairros do entorno do Parque Linear do Córrego da Lagoa, na região Norte de Campinas. O parque ainda está em fase de implantação. É resultado de parceria entre a Secretaria Municipal do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) e a Fundação FEAC, dentro do projeto Desenvolve Amarais, voltado à recuperação de territórios vulnerabilizados.

O território, que abriga produção de alimentos há mais de 25 anos, enfrenta processos de degradação ambiental associados à urbanização acelerada, como assoreamento, poluição do córrego e perda de cobertura vegetal. A transição para sistemas agroflorestais ajuda a recuperar a área e reduz a ocupação irregular em regiões de preservação permanente. Ao mesmo tempo, sustenta a renda de famílias agricultoras e amplia o acesso a alimentos frescos para a comunidade.

Diálogo e pactuação coletiva

Mariana Maia, coordenadora do Programa Campinas Solidária e Sustentável, acompanhou a oficina. Agricultores, técnicos e representantes da sociedade civil participaram de rodas de conversa, dinâmicas de leitura do território e pactuação coletiva de compromissos.

A atividade consolidou a integração entre diferentes praças e experiências locais de agricultura urbana. Marcou também mais um passo no processo de regularização ambiental e produtiva do território, com atuação intersetorial entre poder público, sociedade civil, universidades e organizações parceiras.

Governança compartilhada

As oficinas de engajamento territorial são coordenadas por um Grupo de Trabalho vinculado à Caisan Campinas. Pelo poder público municipal, participam a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social e as secretarias de Trabalho e Renda (SMTR), Planejamento e Desenvolvimento Urbano (SMPDU), Habitação (Sehab), Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas) e Justiça (SMJ), além da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa).

Integram também o grupo o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, por meio da unidade Embrapa Territorial. Participa ainda a WRI Brasil, escritório brasileiro do World Resources Institute, organização internacional de pesquisa em desenvolvimento sustentável. Completam a articulação as organizações da sociedade civil Kamuri (Indigenismo, Ação Ambiental, Cultura e Educação), Rede Livres, Pé de Feijão e Sítio Boa.

“A recuperação de áreas como o entorno do Córrego da Lagoa mostra como a agricultura urbana pode unir produção de alimentos, geração de renda e cuidado com o meio ambiente. É um trabalho que só avança porque envolve o poder público, os agricultores e a sociedade civil juntos”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.

Continuidade do projeto

O Projeto de Engajamento Territorial e Formação em SAFs seguirá com encontros mensais até dezembro de 2026. As atividades incluem mutirões comunitários, visitas técnicas e vivências práticas.

A expectativa da Prefeitura é implantar áreas demonstrativas agroflorestais nos Amarais. A meta é consolidar uma rede territorial de agricultores urbanos comprometidos com a agroecologia e a recuperação ambiental. O projeto é considerado piloto e deve servir de referência para replicação em outras áreas do município.

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