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Campinas orienta mais de 1.300 pessoas idosas a reconhecer e denunciar a violência no Junho Violeta

Em Campinas, mais de 1.300 pessoas idosas aprenderam a identificar as várias formas de violência e a buscar ajuda em caso de suspeita, ao longo do Junho Violeta 2026, campanha nacional e internacional de conscientização dedicada ao combate e prevenção da violência contra a pessoa idosa Em Campinas, as orientações chegaram à população em rodas de conversa, que reuniram mais de 30 grupos e percorreram diferentes regiões da cidade. A campanha somou 15 ações, em sua maioria nesse formato, e foi encerrada nesta terça-feira, 30 de junho, no Centro de Eventos da Secretaria Municipal de Educação, no Jardim do Vovô.
 
Para a população idosa, o ponto central da campanha foi prático: reconhecer a violência e saber denunciá-la. Boa parte dos casos ocorre dentro de casa e envolve familiares, o que torna a denúncia mais difícil. Nas rodas de conversa, as equipes explicaram, em linguagem acessível, as formas de violência (física, psicológica, financeira, negligência e abandono) e os canais de proteção. Os encontros também abriram espaço de escuta e deram voz às pessoas idosas presentes, que relataram experiências e tiraram dúvidas.
 
A campanha respondeu a um problema que cresce na cidade. Em cinco anos, os registros de violência contra a pessoa idosa em Campinas quase triplicaram, de 86 casos em 2020 para 256 em 2025, alta de 197%. Os dados são do Sinan, sistema do Ministério da Saúde que reúne as notificações de casos de violência, com 2025 ainda em caráter preliminar. O perfil das vítimas, apurado pela Secretaria Municipal de Saúde, mostra que 72,4% são mulheres e que 57,5% das agressões partem de familiares diretos, como filhos, netos e cônjuges. Os tipos mais frequentes são a violência física (35,3%), a negligência e o abandono (27%) e a violência psicológica (15,9%). A cidade tem 209.267 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 18,4% da população.
 
A organização das ações do Junho Violeta coube à Coordenadoria de Política para a Pessoa Idosa, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social. O trabalho foi feito em conjunto com os distritos de assistência social, que organizam os serviços nas diferentes regiões da cidade. O Conselho Municipal do Idoso de Campinas, o CMI, apoiou a campanha. O órgão, que representa os interesses da população idosa no município, forneceu ônibus e coffee break para os eventos.
 
Descentralização
 
As rodas de conversa foram o principal eixo de descentralização do Junho Violeta. A proposta levou o debate sobre direitos e canais de proteção a espaços comunitários de fácil acesso, próximos de onde a população idosa vive. Os grupos atendidos estavam ligados a Centros de Referência de Assistência Social (os Cras), a organizações da sociedade civil e a centros de saúde. Os Cras são unidades públicas que atendem famílias nos bairros e funcionam como porta de entrada para orientação e encaminhamento à rede de proteção.
 
Além das rodas, a programação reuniu o Seminário Cuidados da Pessoa Idosa, realizado em 16 de junho, voltado ao envelhecimento e ao cuidado, e uma reunião do Selo Morada Legal com as entidades. Criado em 2025, o selo é uma certificação municipal que atesta boas práticas, segurança e legalidade nas instituições de longa permanência, que acolhem pessoas idosas em tempo integral. A campanha incluiu ainda uma roda de conversa realizada dentro de uma ação intersetorial, formato que reúne serviços de diferentes áreas em torno de um mesmo objetivo.
 
Na véspera da abertura oficial, no domingo, 31 de maio, a campanha usou a linguagem do futebol para chamar a atenção da cidade. No lugar das crianças que costumam acompanhar os jogadores, 22 pessoas idosas entraram em campo ao lado dos atletas do Guarani. A entrada ocorreu antes da partida entre o time campineiro e o Amazonas, no estádio Brinco de Ouro da Princesa. A ação ilustrou o mote da campanha, “Jogue junto neste time, denuncie”.
 
A mobilização teve ainda uma frente digital, com banners exibidos em painéis eletrônicos espalhados pela cidade, e a entrega de materiais informativos. O principal deles foi a cartilha “Cartão Vermelho para a Violência contra a Pessoa Idosa”, distribuída nos encontros.
 
“A informação é uma das principais ferramentas para prevenir e enfrentar a violência contra a pessoa idosa. Quando explicamos de forma clara como identificar uma agressão e onde buscar ajuda, ampliamos a capacidade de proteção das pessoas idosas, de suas famílias e de toda a comunidade. O Junho Violeta termina, mas esse compromisso deve permanecer durante o ano inteiro”, destacou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
 
O Junho Violeta é a campanha nacional de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, realizada todos os anos em junho. Tem como marco o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2006. A cor violeta simboliza respeito, dignidade e luta pelos direitos da população idosa. Em Campinas, a mobilização integra o calendário oficial do município.
 
Serviço
Denúncias de violência contra a pessoa idosa: Disque 100, o Disque Direitos Humanos, canal gratuito, sigiloso e anônimo que funciona 24 horas, ou o 156, central de atendimento da Prefeitura de Campinas. Os Cras também orientam as famílias e encaminham os casos à rede de proteção.
 
 
 

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