No verão, aumentam doenças e acidentes domésticos entre crianças; veja como prevenir

Com a chegada do verão, dos dias mais quentes e das férias, algumas doenças e acidentes evitáveis com crianças podem ocorrer com maior frequência. Por isso, é importante ter atenção redobrada com os pequenos nessa época do ano.

 

Segundo Roberta Ferreira Barros dos Santos, médica gestora do Pronto-Socorro Infantil e enfermaria da Unidade Pediátrica Mário Gattinho, as ocorrências mais comuns em crianças nessa época do ano são diarreias agudas, infecções de pele, desidratação, insolação, inflamações no ouvido (otite externa), além dos acidentes domésticos.

 

Somente episódios de diarreia no Mário Gattinho somaram 13.683 de janeiro a novembro de 2025, de acordo com dados da Coordenadoria de Informação, Gestão e Ações Coletivas da Rede Mário Gatti. De janeiro a junho, foram 2.906 atendimentos e de julho a novembro, 10.777, o que representa um aumento de 270,8%.

 

Alimentos

 

As infecções alimentares são uma das ocorrências mais comuns nos dias quentes. “Com as temperaturas mais altas, aumenta a proliferação de bactérias nos alimentos que ficam malconservados, fora da geladeira por períodos mais longos. Além disso – complementa Roberta Santos – temos aumento no consumo de alimentos e água fora de casa, em ambulantes, clubes e praias e essas refeições nem sempre estão bem conservadas”, diz Roberta Ferreira.

 

Segundo a médica, é nesta época do ano que as crianças passam mais tempo em casa e em ambientes externos e isso aumenta o risco de acidentes, como por submersão (afogamentos). “Pode ocorrer acidente mesmo em águas rasas e, até mesmo, em baldes, por exemplo. Além disso, temos também maior risco de traumas por quedas, cortes e queimaduras. Por isso, ter atenção ao que as crianças estão fazendo e ter o controle dos ambientes é essencial”.

 

Hidratação

 

A pediatra chama a atenção para a hidratação dos pequenos. “As crianças têm maior proporção de água no corpo, perdem água com a transpiração e nem sempre comunicam a sede, podendo passar longos períodos sem ingerir água. Com isso, a desidratação acontece de modo mais rápido e frequente. Oferecer água a elas com frequência é fundamental”, ressalta.

 

Caso seja necessário buscar assistência médica, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Pronto Atendimento (UPA) mais próxima. Em casos em que há sinais de gravidade na criança, como irritabilidade, sonolência, respiração difícil, pele arroxeada ou manchas de pele, a orientação é procurar o hospital.

 

Cuidados simples e constantes

 

• Evitar exposição solar entre 10h e 16h e por períodos longos;

• Usar protetor solar, roupas leves e proteger a cabeça e rosto;

• Manter a criança bem hidratada com água potável e sucos;

• Nunca deixar a criança em carros fechados, mesmo que por curtos períodos;

• Manter os ambientes ventilados;

• Oferecer alimentos frescos e bem preparados;

• Lavar as mãos frequentemente;

• Garantir que a vacinação esteja em dia, já que doenças como a diarreia por rotavírus, por exemplo, é prevenível com vacina.

 

Dicas de tratamentos

 

• Diarreia e vômitos: manter a hidratação oral (soro de reidratação), oferecer dieta leve e evitar automedicação. Atenção a sinais de desidratação nas crianças: choro sem lágrimas, boca seca, moleira ou olhos fundos, urina escura ou pouca, irritabilidade e letargia.

• Brotoejas: manter a pele fresca, banho morno, roupa leve e evitar cremes gordurosos.

• Otites: tirar a criança da água se houver dor e procurar avaliação médica.

• Conjuntivite: lavar as mãos, evitar coçar os olhos, compressas frias e cuidado para não contagiar outras crianças.

• Queimaduras solares: hidratação da pele, compressas frias e evitar nova exposição até a recuperação.