Violência doméstica segue padrão em três fases; Ceamo orienta mulheres sobre como identificar o ciclo
Diante do aumento recente de casos de agressões contra mulheres e registros de feminicídio em Campinas, a Prefeitura reforça a importância de identificar os sinais do chamado ciclo da violência doméstica. Profissionais da Secretaria de Políticas para as Mulheres alertam que a violência raramente começa de forma abrupta e costuma seguir um padrão dividido em três fases: tensão, explosão e arrependimento e “lua de mel”.
De acordo com a assistente social do Centro de Referência e Apoio à Mulher (Ceamo) de Campinas, Soraia Oliveira, a agressão física geralmente ocorre após outros tipos de violência já estarem presentes na relação.
“Muitas vezes, a mulher está há anos sofrendo algum tipo de violência, mas não identifica como violência e sim como parte do relacionamento. É preciso reforçar que agressividade não é parte da natureza de ninguém. Atribuir tal característica aos homens reforça estereótipos de gênero que contribuem para a naturalização da violência nas relações íntimas de afeto. Identificar e nomear essa situação é o primeiro passo para romper o ciclo”, afirmou.
As três fases do ciclo de violência doméstica
Fase 1 – Tensão
O agressor apresenta irritação constante, acessos de raiva, humilhações e ameaças. A mulher tende a minimizar os fatos, evitar conflitos e, muitas vezes, se culpa pelo comportamento do parceiro. Essa etapa pode durar dias ou até anos.
Fase 2 – Explosão
Ocorre a agressão, que pode ser verbal, psicológica, moral, patrimonial ou física. A vítima tem consciência do risco, mas pode ficar paralisada diante da situação. Algumas mulheres, nesse momento, buscam ajuda ou apoio de familiares e amigos.
Fase 3 – Arrependimento e “lua de mel”
Após a agressão, o autor demonstra arrependimento, promete mudar e adota comportamento afetuoso. A mulher pode desistir de medidas protetivas e acreditar que a situação será diferente. Com o passar do tempo, essa fase tende a diminuir ou desaparecer, mantendo o ciclo entre tensão e explosão.
Segundo a assistente social, a escalada da violência pode atingir não apenas a mulher, mas também familiares vulneráveis e até animais de estimação.