Serviço de atenção domiciliar do Ouro Verde aumenta atendimentos e reforça cuidado humanizado
O número de atendimentos realizados pelo Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) do Complexo Hospitalar Edivaldo Orsi (Hospital Ouro Verde) teve um aumento de 50,1% nos últimos quatro anos. A elevação reforça a oferta de cuidado contínuo, integral e humanizado no ambiente domiciliar, além de contribuir para a otimização dos recursos do sistema de saúde.
O SAD tem como objetivo oferecer assistência integral à saúde no domicílio do paciente, garantindo continuidade do cuidado, humanização do atendimento e redução de internações hospitalares. É um serviço destinado a pacientes com doenças crônicas, em processo de reabilitação, em cuidados paliativos ou com dificuldade de locomoção até as unidades de saúde.
O total de atendimentos teve um aumento constante e gradativo nos últimos quatro anos. Foram 2.543 em 2022, seguidos por 2.840 (em 2023), 3.322 (em 2024) e 3.817 (em 2025). Com isso, a média mensal passou de 211 para 318 no período.
Segundo a enfermeira Wedja Janaina dos Santos Teles, coordenadora do SAD Sudoeste, a elevação ocorreu de forma natural diante da crescente demanda assistencial.
“Um dos principais fatores foi o período da pandemia de Covid-19, que exigiu maior rotatividade de leitos hospitalares e intensificou a necessidade de acompanhamento dos pacientes após a alta. Nesse contexto, o atendimento domiciliar tornou-se essencial para dar continuidade ao cuidado com segurança. Além disso, a comunicação efetiva com os hospitais, especialmente com o Complexo Hospitalar Ouro Verde (CHOV), contribuiu significativamente para o aumento das admissões no serviço, facilitando a transição do cuidado hospitalar para o domiciliar”, explica a coordenadora.
Outro fator relevante foi o fortalecimento da articulação com a atenção primária, por meio do contato direto com as unidades básicas de saúde, o que ampliou o encaminhamento de pacientes que necessitam de suporte contínuo no domicílio.
“O crescimento do serviço está diretamente relacionado à integração da rede de atenção à saúde e à capacidade da equipe em responder de forma eficiente às novas demandas”, acrescenta Wedja.
Adequação de equipe
A equipe já possuía uma estrutura organizada, o que permitiu absorver esse crescimento sem prejuízo na qualidade dos atendimentos. Com a publicação da Portaria GM/MS nº 3.005, em janeiro de 2024, que definiu a carga horária mínima de 60 horas semanais para enfermeiros nas Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD), foi possível adicionar mais um profissional à equipe.
“Esse ajuste trouxe um ganho importante, pois passamos a ter cobertura de enfermagem todos os dias da semana, de segunda a domingo. Na prática, isso aumentou a resolutividade do atendimento domiciliar, principalmente em intercorrências com dispositivos, reduzindo significativamente as remoções desnecessárias para o hospital”, detalha a enfermeira.
Benefícios para o paciente e a família
O serviço domiciliar propicia um atendimento humanizado ao paciente e aos familiares.
“O atendimento do paciente pelo SAD possibilita que ele [paciente] esteja em casa, em um ambiente familiar, seguro e confortável. Na maior parte das vezes, isso reduz situações de estresse, ansiedade e até quadros de confusão mental, especialmente em idosos. O atendimento domiciliar favorece a recuperação clínica, melhora a adesão ao tratamento e preserva a autonomia do paciente sempre que possível”, elenca a coordenadora.
Por meio do SAD, a equipe também consegue administrar, em domicílio, situações que antes exigiriam deslocamento ao hospital.
“Por exemplo, é possível atender pacientes em cuidados paliativos e em fase de terminalidade, nos quais realizamos controle de sintomas, manejo de intercorrências e suporte contínuo. Conseguimos proporcionar o óbito no domicílio, de forma assistida e humanizada, respeitando a vontade do paciente e da família, com o devido suporte da equipe multiprofissional, garantindo mais conforto, dignidade e acolhimento ao paciente e seus familiares”, exemplifica a enfermeira.
Com isso, também há benefícios na disponibilização da estrutura hospitalar aos pacientes que necessitam:
– redução do tempo de internação hospitalar;
– liberação de leitos para casos mais graves e urgentes;
– melhoria da rotatividade e da capacidade de atendimento do hospital;
– evita internações desnecessárias, especialmente em casos crônicos, paliativos ou de reabilitação, que podem ser conduzidos com segurança fora do ambiente hospitalar.
Como funciona o atendimento
Os atendimentos realizados no domicílio abrangem diversas modalidades de cuidado, entre as quais:
– acompanhamento clínico, com monitoramento de condições de saúde;
– administração de medicamentos;
– cuidados de enfermagem, como realização de curativos;
– manejo de sondas, traqueostomia e controle de sinais vitais;
– reabilitação, que inclui fisioterapia motora e respiratória, além de acompanhamento multidisciplinar.
– O serviço também contempla cuidados paliativos, com foco no alívio da dor e no conforto do paciente. Além disso, há ações de promoção da saúde e orientação aos familiares e cuidadores, visando à prevenção de complicações.
“O objetivo do atendimento domiciliar é não apenas promover benefícios clínicos, mas também bem-estar emocional, social e familiar, contribuindo para um cuidado integral e centrado no paciente”, pontua Wedja.
Equipe multiprofissional
O SAD Sudoeste é composto por uma equipe multiprofissional, sendo duas Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar (EMAD) e uma Equipe Multiprofissional de Apoio (EMAP).
A equipe é composta por um médico pediatra, três médicos clínicos, oito técnicos de enfermagem, três enfermeiros, dois fisioterapeutas, um assistente social, um nutricionista, uma fonoaudióloga, um auxiliar administrativo e um coordenador.