Palestra reúne nutricionistas e debate alimentação escolar para crianças com autismo em Campinas
April 25, 2026
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A Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social realizou, nesta sexta-feira, 24 de abril, no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas, uma palestra sobre desafios e estratégias nutricionais para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento integrou a programação municipal do Abril Azul, mês mundial de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista, e reuniu cerca de cem pessoas, entre familiares, cuidadores e profissionais da área.
Duas nutricionistas com atuação consolidada no tema conduziram as apresentações. Jomara Sousa Martins, coordenadora de Nutrição da Ceasa Campinas e profissional com experiência no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), apresentou diretrizes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As orientações tratam do atendimento de estudantes com seletividade alimentar nas escolas públicas brasileiras.
A dispensa de laudo médico para que crianças com seletividade alimentar tenham acesso a cardápios adaptados foi um dos pontos centrais da apresentação. De acordo com a norma, o diálogo entre escola e família é suficiente para acionar as adaptações necessárias. A ausência de diagnóstico formal, portanto, não deve servir como barreira ao direito à alimentação adequada.
“A dispensa do laudo médico para a adaptação do cardápio é um avanço importante, porque remove uma barreira que muitas famílias enfrentavam. O diálogo entre família, escola e profissionais da rede pública permite respostas mais rápidas, humanas e efetivas”, comentou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
Jomara Martins também destacou que a equipe da Ceasa realiza visitas às unidades escolares. O objetivo é orientar o planejamento alimentar com famílias e profissionais da educação, identificar os alimentos que a criança pode consumir e construir um cardápio viável dentro das diretrizes do PNAE.
A nutricionista Mari Aspasio, formada pela PUC-Campinas, abordou a dimensão clínica e familiar da alimentação no autismo. Ela reforçou que a seletividade alimentar não é “birra”, mas uma resposta de processamento sensorial. A abordagem, segundo a nutricionista, deve ser gradual e acolhedora, sem coerção. A profissional também destacou a relação entre saúde intestinal e comportamento e a importância de capacitar os pais para mediar a relação do filho com a comida.
“O Abril Azul nos lembra da importância de ampliar a informação e qualificar o atendimento às pessoas com autismo. Reunir famílias, cuidadores e profissionais neste debate fortalece a rede de apoio e ajuda Campinas a construir políticas públicas mais sensíveis às necessidades reais da população”, complementou a secretária.