Mais de 9 mil infrações envolveram velocidades acima de 50% do permitido

A circulação em velocidades acima de 50% do permitido na via resultou em 9.305 infrações de trânsito em 2025. As condutas de risco foram identificadas pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), por meio dos equipamentos de fiscalização eletrônica (radares).
 
Comportamento de risco que mais resultou em autuações no ano passado, o excesso de velocidade somou 452.408 infrações – 56,6% das 799.016 penalidades expedidas. Dos 76 óbitos em vias urbanas, 43 casos foram analisados e 35% envolveram a velocidade excessiva ou inadequada. 
 
Somente em janeiro deste ano, os radares já identificaram 58,8 mil infrações por excesso de velocidade, sendo 1.084 (1,8%) por circulação em velocidade superior à máxima permitida em mais de 50%.
 
Flagrantes registrados pelos radares ao longo do ano mostram veículos trafegando acima de 100 km/h em vias regulamentadas com 50 km/h e 70 km/h, nas avenidas John Boyd Dunlop e Dr. Moraes Salles, por exemplo. Motociclistas foram flagrados circulando a mais de 120 km/h, na avenida José Amgarten e a mais de 170 km/h, na avenida Cônego Antônio Roccato. Também houve um condutor de automóvel flagrado a 132 km/h na avenida Lix da Cunha. As três vias têm velocidade regulamentada em 70 km/h. Alguns dos veículos cometem outra infração, ao circular sem a placa de identificação, o que impede o processamento da multa.
 
“Apesar de representar o menor percentual entre as infrações por velocidade excessiva, não são raros os flagrantes de motoristas e motociclistas circulando em velocidades acima de 80 km ou 100 km/h, totalmente incompatíveis com a regulamentada nas vias. Esse tipo de imprudência coloca em risco todos os demais usuários das vias e pode ter um preço impagável: o de uma vida”, alerta o coordenador da Central de Monitoramento e Supervisão de Radares, Nilvando Rezende.
 
Confira o número de infrações identificado, por faixa de velocidade:
 
Velocidade mata: 15 vidas perdidas em 2025
 
A velocidade também foi o segundo fator de risco que mais matou em 2025: foram pelo menos 15 vidas perdidas. Em 2024, essa conduta de risco matou 33 pessoas no trânsito campineiro.
 
A análise dos fatores de risco é feita pelo Comitê Intersetorial do Projeto Vida no Trânsito, grupo de trabalho intersecretarial dedicado a analisar detalhadamente cada sinistro fatal.
 
“Apesar de não ser possível identificar a quilometragem exata desenvolvida pelos condutores no momento da ocorrência, as análises demonstram que, pela gravidade das lesões das vítimas e pelos danos nos veículos constatados pelo Instituto de Criminalística, a velocidade praticada nos casos fatais estava acima de 50 km/h”, explica o especialista em Gestão da Base de Dados da Emdec, Marcelo Luiz de Araújo Antônio.
 
Velocidades altas: mais risco de sinistros graves ou fatais
 
A velocidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais fatores de risco para sinistros de trânsito. Os dados da organização demonstram que o aumento da velocidade média está diretamente relacionado tanto à probabilidade de um sinistro ocorrer quanto à gravidade das suas consequências.
 
Os estudos da organização demonstram que cada aumento de 1% na velocidade média gera um aumento de 4% no risco de sinistro fatal e um aumento de 3% no risco de sinistro grave. Dados do WRI Brasil apontam ainda que um atropelamento a 60 km/h equivale a uma queda do sexto andar, com 2% de chance de o pedestre sobreviver. A 30 km/h, a chance sobe para 90% – a mesma de uma queda do segundo andar. Uma redução de até 5% na velocidade média do veículo pode resultar em 30% menos sinistros fatais.
 
“Quanto mais alta a velocidade praticada pelo condutor, maior a probabilidade de perder o controle do veículo e maiores são o tempo e a distância necessários para parar o veículo. Ou seja, quanto maior a velocidade do veículo, maior o risco de lesões graves e mortes, principalmente para os pedestres, ciclistas ou motociclistas envolvidos no sinistro”, completou Marcelo Antônio.
 
Em 2022, a Emdec realizou um experimento na avenida John Boyd Dunlop envolvendo dois carros, um limitado a 50 km/h, o outro a 60 km/h, em diferentes horários e situações. A diferença de tempo média para percorrer uma distância de 12 km ficou em apenas 2 a 3 minutos de ‘atraso’ para o veículo a 50 km/h. Ou seja, um tempo adicional de 10 a 15 segundos a cada quilômetro percorrido.