Documentário “Graffiti nas Escolas” ganha exibição gratuita no MIS Campinas
O projeto Graffiti nas Escolas realiza, no dia 12 de maio, às 19h30, a exibição do documentário homônimo no Museu da Imagem e do Som de Campinas, no Centro. A entrada é gratuita e a classificação é livre.
Dirigido por Felipe Valério, o filme, com 15 minutos de duração, acompanha de perto o processo vivido dentro das escolas: das primeiras conversas ao momento em que os muros deixam de ser apenas parede e passam a carregar identidade, gesto e autoria.
A exibição é acompanhada por uma mostra fotográfica que apresenta tanto os graffitis produzidos pelos alunos quanto registros autorais realizados ao longo do projeto. As imagens ampliam o olhar do documentário, revelando detalhes, atmosferas e encontros que atravessaram o processo.
Quando o muro vira voz
Realizado ao longo de seis meses em duas escolas estaduais de Campinas — E.E. Ruy Rodriguez e E.E. Maria Helena Antônio Cardoso —, o projeto promoveu oficinas de graffiti que combinaram prática, repertório e troca direta com artistas da cena local.
Mais do que aprender técnica, os alunos ocuparam os espaços da escola com suas próprias narrativas. O que antes era superfície neutra passa a ser território de expressão. Corredores, pátios e muros se transformam em extensão do que esses estudantes pensam, vivem e imaginam. E isso muda não só a paisagem, mas a forma como eles se relacionam com a escola.
A iniciativa foi desenvolvida com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB – Lei nº 14.399/2022) e teve como proponente o artista e arte-educador Ewerton Rodrigues de Melo, em parceria com Tomaz Martins da Silva, idealizador e coordenador do projeto. Além dos educadores responsáveis, participaram artistas atuantes na cena de arte urbana de Campinas, ampliando o repertório e as referências dos estudantes. Entre eles estão Vinicius Bueno (Semi), Everaldo Luiz (Evera), Gabriel Isac (Romeo), Felipe Pereira (Sator), Cristian Gabriel (Priv), Sheip e Maicon Gomes (Maicongo).
Arte, vínculo e transformação
O documentário não trata o graffiti apenas como linguagem estética, mas como ferramenta de vínculo. Ao longo das oficinas, surgem descobertas, inseguranças, evoluções e formas de olhar para si e para o outro. A câmera acompanha esse percurso sem pressa, revelando como a arte atravessa o cotidiano de alunos, educadores e até das famílias.
O resultado é uma narrativa sobre pertencimento, escuta e transformação concreta, daquelas que não ficam só no discurso.
Exibição e encontro
A sessão no MIS, somada à exposição fotográfica, cria um espaço de encontro entre público e processo. Mais do que assistir ao resultado final, a proposta é aproximar quem chega das camadas que construíram o projeto. Com entrada gratuita, o evento também reforça a ocupação de equipamentos culturais por produções locais e amplia o acesso a experiências que conectam arte urbana, educação e cidade.