Falta de capacete e manobras perigosas somam mais de 700 condutas de risco entre 2025 e 2026
Risco assumido. Essa é a definição de condutas que envolvem a falta de capacete e a realização de manobras perigosas. Entre 2025 e 2026, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) registrou e autuou 711 comportamentos de risco deste tipo.
Foram 431 infrações pela falta de capacete, 103 pela realização de manobras perigosas (arrancadas ou frenagens bruscas, malabarismos, equilíbrio em uma das rodas) e 177 pela realização de malabarismos ou equilíbrio em uma das rodas na condução de motocicleta.
A identificação de comportamentos desse tipo depende do flagrante. “Embora a autuação possa ser realizada mesmo sem a abordagem, é preciso que o agente fiscalizador flagre o comportamento. Por isso, são menos comuns nas regiões centrais e eixos estratégicos, locais onde a presença da fiscalização é maior. Além disso, grande parte dos casos envolve motociclistas com placas adulteradas, ocultas e até sem placa, o que impede o processamento da infração”, explica o coordenador de Fiscalização e Operação de Trânsito da Emdec, Marcelo Carpenter.
Confira o número de condutas de risco identificadas pela Emdec, por período:
Manobras perigosas – arrancada brusca
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2025: 63.
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2026 (até março): 16.
Manobras perigosas – derrapagens ou frenagens com deslizamento de pneus
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2025: 20.
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2026 (até março): 4.
Pilotar motocicleta, motoneta ou ciclomotor realizando malabarismos ou equilibrando-se em uma das rodas
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2025: 155.
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2026 (até março): 22.
Conduzir moto, motoneta ou ciclomotor sem capacete
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2025: 211.
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2026 (até março): 68.
Conduzir moto, motoneta ou ciclomotor transportando passageiro sem capacete
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2025: 131.
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2026 (até março): 21.
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Penalidades previstas no CTB
O valor da multa por direção perigosa é de R$ 2,9 mil. É uma infração gravíssima, multiplicada por dez, que não gera pontos na Carteira Nacional de Habilitação, já que o direito de dirigir fica suspenso. O veículo também é removido ao Pátio Municipal. Em caso de reincidência no prazo de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a quase R$ 5,9 mil.
Quando o motociclista pilota realizando malabarismo, equilibrando-se em uma das rodas, deixa de utilizar o capacete ou transporta garupa sem capacete está cometendo infrações gravíssimas. A multa tem valor de R$ 293,47 e ocorre a suspensão do direito de dirigir.
Fatores de risco causaram 19 mortes no trânsito entre 2021 e 2025
Entre os sinistros fatais que tiveram o fator de risco identificado, a falta de capacete e a realização de manobras perigosas causaram 19 óbitos entre 2021 e 2025. Os dados se referem aos sinistros em que foi possível constatar a presença das duas condutas.
Foram 12 casos fatais relacionados à falta de capacete no período: 11 em vias urbanas e um em rodovias. E outras sete mortes associadas à direção perigosa: três no eixo urbano e quatro em rodovias.
De acordo com a análise realizada pela Emdec, dois fatores explicam a predominância de casos fatais relacionados à falta de capacete nas vias urbanas: a velocidade regulamentada é menor do que nas rodovias, o que leva à percepção de menor risco; e a recorrência desse comportamento em pequenos trajetos, realizados no bairro de residência, por exemplo.
Já no caso da direção perigosa, o comportamento é parecido tanto nas vias urbanas quanto nas rodovias. “Em geral, são ocorrências que envolvem enfrentamento do risco, excesso de confiança e exibicionismo, atitudes que acompanham o condutor independentemente do tipo de via, seja ela urbana ou rodoviária”, explica Marineide de Jesus Nunes, que atua na área de Gestão da Base de Dados da Emdec e compõe o comitê do Programa Vida no Trânsito, responsável pela análise dos fatores de risco.
Os fatores relacionados à falta de capacete podem ser identificados pelos socorristas das equipes do SAMU, Resgate e Corpo dos Bombeiros, que atuam no atendimento às vítimas e, também, pela gravidade da lesão na cabeça. Já a direção perigosa como fator associado ao óbito no trânsito é identificada por meio de testemunha. Porém, nem sempre é possível coletar esses dados no momento do sinistro, o que resulta em alta subnotificação nas bases de dados.