Documentário “Camelôs” emociona público ao retratar histórias de luta e união em Campinas
O documentário Camelôs estreou na noite desta quinta-feira, 7 de maio, no Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes, em Campinas, reunindo camelôs, familiares e autoridades. A produção, escrita e dirigida por Rauany Nunes Farias, retrata a trajetória dos trabalhadores do comércio ambulante desde os anos 1980 até os dias atuais, mostrando histórias marcadas pela luta, união e busca por dignidade.
Viabilizado por meio da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, a produção busca preservar a memória dos camelôs de Campinas e ampliar o reconhecimento da importância social, econômica e cultural dos camelôs em Campinas.
O centro de Campinas, onde fica o “camelódromo” ganhou destaque na produção, que também mostrou o dia a dia dos trabalhadores.
Após a sessão, houve uma roda de conversa com personagens do filme, além de membros da equipe de produção e do poder público.
Reconhecimento à trajetória dos trabalhadores
O prefeito Dário Saadi destacou que o documentário registra uma importante trajetória de transformação social. “Esse documentário traz a história de pessoas que começaram na economia informal e hoje são microempreendedores, trabalhadores formalizados. É um reconhecimento por toda essa caminhada de luta e perseverança”, afirmou.
O vice-prefeito Wanderley de Almeida ressaltou a importância histórica da categoria para Campinas e disse que o filme valoriza trabalhadores que há décadas ajudam a movimentar a economia da cidade.
Histórias reais emocionaram o público
O documentário apresentou relatos de trabalhadores que chegaram a Campinas ainda jovens, muitos vindos de outros estados, em busca de oportunidade e sustento.
As entrevistas lembraram momentos de dificuldades, manifestações e o fortalecimento da união entre os camelôs ao longo das décadas. O documentário também destacou o crescimento da categoria, que saiu da informalidade e conquistou reconhecimento, espaço de trabalho e formalização. Muitos entrevistados relataram que conseguiram construir família, criar os filhos e melhorar de vida por meio do trabalho como camelôs.
Durante a abertura do evento, o diretor Rauany Nunes Farias destacou a emoção de contar essa história. “É uma honra imensa. Foi um espaço que marcou minha infância e adolescência, quando eu frequentava o camelódromo com meu pai para comprar CDs, jogos e outros produtos que me deram acesso à cultura. Mais de 20 anos depois, tudo isso se transformou no filme”, afirmou.
O produtor João Folharini ressaltou a importância da Lei Paulo Gustavo para a produção da obra. Segundo ele, o documentário só foi possível graças ao incentivo cultural.
Roda de conversa reuniu lideranças da categoria
Após a exibição, o público acompanhou uma roda de conversa com o vereador Carlinhos Camelô e a presidente do Sindicato dos Empreendedores Individuais de Ponto Público Fixo e Móvel de Campinas (Sindpeic), Zezé Massaioli (ambos retratados no filme), além da equipe do documentário e da secretária municipal de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli.
“Isso para nós é uma honra, não só por contar a nossa história, mas também por reunir tantas pessoas que fizeram parte dessa caminhada. Esse documentário registra a luta dos camelôs e tudo o que construímos ao longo dos anos”, afirmou Carlinhos Camelô, que destacou a parceria com Zezé: “Sempre falamos a mesma língua. Durante mais de 30 anos, nunca tivemos divergências ou embates. Sempre decidimos tudo juntos, pensando no melhor para os camelôs”, completou.
Zezé Massaioli agradeceu à equipe do filme e destacou o espírito de coletividade construído entre os trabalhadores. “Nós nos tornamos uma grande família. Quando um tinha problema, todo mundo chegava junto. Essa união foi a resposta para tudo que conquistamos ao longo dos anos”, disse.
Alexandra Caprioli ressaltou o papel do audiovisual na valorização das histórias locais. “O filme trouxe o olhar dos camelôs pelos próprios camelôs e nos aproximou da luta deles. Esse é o grande valor do cinema”, afirmou. A secretária ressaltou a importância da Lei Paulo Gustavo no fortalecimento da produção cultural local. Segundo ela, o audiovisual movimenta diferentes áreas da economia criativa e envolve muitas pessoas nos bastidores de cada produção.
O evento também contou com a presença do deputado federal Jonas Donizette e dos vereadores Luiz Rossini e Débora Palermo.
Filme seguirá para festivais e novas exibições
O documentário também será inscrito em festivais de cinema. Informações e novidades sobre a produção podem ser acompanhadas pela página da Habitante Filmes no Instagram (https://www.instagram.com/habitantefilmes/).
O trailer e ficha técnica estão disponíveis na página do diretor Rauany (https://www.instagram.com/rauany/).