Coordenador de serviço para a população em situação de rua publica artigo científico
June 5, 2026
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Um servidor da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas publicou um artigo científico sobre um tema que costuma passar despercebido, mas está no centro de qualquer atendimento: a forma como o profissional escuta quem procura ajuda. O autor é William Azevedo de Souza, coordenador da rede de proteção social especial de média e alta complexidade voltada à população em situação de rua. O texto saiu na revista Psicologia: Ciência e Profissão, periódico científico editado desde 1979 pelo Conselho Federal de Psicologia e indexado em bases nacionais e internacionais, entre elas a biblioteca digital SciELO e a base norte-americana PsycINFO.
A ideia central do artigo é simples de enunciar, embora exija prática para ser realizada. Escutar não é a mesma coisa que ouvir. Ouvir é registrar o que a pessoa diz. Escutar é entender o que está por trás do que ela diz, e isso muda a direção de todo o atendimento. Para a assistência social, segundo o autor, a escuta é a principal ferramenta de trabalho, porque é por meio dela que o profissional percebe as vulnerabilidades, os riscos e a real situação de cada pessoa.
Para organizar essa reflexão, o artigo descreve três formas de escutar. A primeira é o que o autor chama de escuta comum. É a escuta do dia a dia, que busca dar uma resposta rápida a um pedido. Um exemplo: a pessoa diz que precisa de documento, e o atendente já a encaminha ao cartório. A demanda é resolvida, mas pouco se sabe sobre quem fez o pedido.
A segunda é a escuta qualificada, que nasceu no campo da saúde. Aqui o profissional usa sua formação técnica para ir além do pedido imediato. Ele procura conhecer a história da pessoa, a família e o território onde ela vive, e considera o ponto de vista dela sobre a própria situação. É uma escuta que acolhe, e não apenas encaminha.
A terceira, mais aprofundada, leva em conta aquilo que a pessoa não diz com todas as letras, mas que aparece nas entrelinhas. O autor a fundamenta na psicanálise, campo de estudo criado por Sigmund Freud que se dedica justamente ao que escapa à fala consciente. Nessa forma de escutar, o profissional evita partir de respostas prontas e cria espaço para que a própria pessoa elabore o que precisa.
O autor relaciona esse estudo à sua experiência no Sistema Único de Assistência Social, a rede pública que organiza esses atendimentos em todo o país, conhecida pela sigla SUAS.