Coletivo Etnocidade realiza "Festival Vivência Indígena" em Campinas
Campinas recebe, no dia 7 de março, o Festival Vivência Indígena, realizado pelo Coletivo Etnocidade, com uma programação dedicada à valorização das culturas indígenas, da memória e da resistência dos povos originários. O evento acontece das 10h às 18h, na rua Dona Carolina Prado Penteado, 973, Jardim Bom Retiro, e reúne mostra cultural, oficinas tradicionais, apresentações culturais, culinária ancestral, venda de artefatos e exibição do documentário Etnocidade.
A proposta do festival é criar um espaço de encontro entre saberes, linguagens e experiências que seguem vivas no presente. Ao longo do dia, o público poderá acompanhar atividades que articulam cultura, território, espiritualidade, arte e convivência, em uma programação pensada para aproximar diferentes públicos da riqueza das vivências indígenas contemporâneas.
A realização do festival também marca um momento importante do percurso construído pelo Etnocidade nos últimos meses. Antes do evento, o coletivo promoveu o ciclo de palestras Nhande Pame — Somos Um, com encontros em espaços como Quilombo Amarais, Centro Cultural Louis Braille, Feira Empreendedoras Oziel, Faculdade Anhanguera e Unicamp. As conversas abordaram temas como território, pertencimento, ancestralidade, presença indígena no contexto urbano e os diferentes modos de existir entre o sagrado e a cidade.
Criado por Lu Ahamy Myrym Mbya e Awa Mbarete pataxó camacã, o Etnocidade nasceu com foco em ações de educação e, ao longo do tempo, ampliou sua atuação como espaço de apoio e acolhimento a indígenas em contexto urbanizado em Campinas e região. O trabalho do coletivo dialoga com uma realidade marcada pela presença de diferentes povos originários no município e pela necessidade de fortalecer direitos, vínculos comunitários e reconhecimento cultural também fora das aldeias.
Além das oficinas e apresentações, a programação inclui a exibição do documentário Etnocidade, que apresenta reflexões sobre identidade, território, permanência e o ser indígena no contexto urbanizado. Na culinária, o público encontrará preparos como peixe, pirão, mandioca cozida, paçoca de banana verde, bolo de milho, bolo de mandioca, doce de banana e farinha — elementos que reforçam a relação entre alimento, memória e tradição.
No festival, essa trajetória também ganha voz na participação de Mariano M’bya, que integra a programação e a construção artística do evento. Em sua fala sobre o projeto, ele resume o sentido dessa experiência: “Esse projeto é sobre pertencimento, identidade, ancestralidade, espiritualidade, sobre amor à nossa cultura.”
Mais do que uma agenda cultural, o Festival Vivência Indígena se apresenta como um convite para olhar a cidade a partir de outras perspectivas — reconhecendo que as culturas indígenas não pertencem apenas ao passado, mas seguem produzindo conhecimento, arte, espiritualidade e modos de vida no presente.