Cinco mulheres e um supercomputador: decisão de R$ 1,8 bi passa por Campinas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar nos próximos dias a cidade que receberá um dos projetos mais ambiciosos da área de tecnologia no país: um supercomputador voltado ao desenvolvimento de inteligência artificial, com investimento estimado em R$ 1,8 bilhão. Campinas está entre as cidades que disputam a instalação do projeto, previsto no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). Na reta final da definição, cinco mulheres ocupam posições estratégicas no processo que vai definir sua futura sede.

Três delas participam da análise que subsidiará a decisão presidencial: a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos; a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck e a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. Em Campinas, as articulações pela candidatura da cidade são conduzidas pela secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação, Adriana Flosi, e pela diretora do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), Juliana Daguano, primeira mulher a dirigir a instituição apontada como possível sede do supercomputador.

“Poucas instituições brasileiras reúnem um ambiente tão favorável para receber um projeto dessa magnitude quanto o CTI Renato Archer. A conexão do Centro com universidades, institutos de pesquisa e empresas cria um ecossistema de excelência, capaz de potencializar os resultados de uma estrutura estratégica como essa. A escolha de Campinas representaria um avanço importante para o desenvolvimento científico e tecnológico do país”, afirma Juliana.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o CTI Renato Archer acumula mais de quatro décadas de atuação em pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e inovação.

Campinas aposta na força do ecossistema de inovação

A proposta apresentada por Campinas ao governo federal tem como principais credenciais a infraestrutura tecnológica já existente, a proximidade com o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e a concentração de universidades, centros de pesquisa, startups e empresas de base tecnológica.

Para Adriana Flosi, a combinação entre infraestrutura tecnológica, produção científica e ambiente de inovação coloca Campinas em posição de destaque na disputa.

“Campinas possui um ecossistema único de ciência, tecnologia e inovação. Temos universidades de excelência, centros de pesquisa reconhecidos internacionalmente, empresas inovadoras e uma forte capacidade de articulação entre diferentes atores. A instalação desse supercomputador ampliaria ainda mais a contribuição da cidade para o avanço da inovação no Brasil”, afirma.

Supercomputador é peça-chave da estratégia brasileira de IA

O supercomputador faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e deverá ser utilizado em aplicações de inteligência artificial, previsão climática, desenvolvimento de medicamentos e simulações complexas.

Com capacidade prevista de 1 exaflop, equivalente a 1 quintilhão de operações matemáticas por segundo, o equipamento será um dos mais avançados da América Latina. A proposta prevê que 30% da capacidade de processamento seja destinada ao governo e 70% fique disponível para empresas e instituições de pesquisa.

A iniciativa faz parte da estratégia federal para posicionar o Brasil entre os cinco países com maior capacidade computacional do mundo até 2028. Além de ampliar a infraestrutura tecnológica nacional, o projeto pretende acelerar pesquisas e aplicações em áreas estratégicas para a economia, a indústria e a inovação.