Centro POP Sares II realiza ação sobre racismo estrutural e abolição incompleta no 13 de Maio

O Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro POP) Sares II realizou, nesta quarta-feira, 13 de maio, uma ação social em alusão à data que marca a abolição formal da escravidão no Brasil. A atividade reuniu usuários do serviço em torno da reflexão sobre o racismo estrutural e os efeitos históricos da escravidão que ainda se manifestam na sociedade contemporânea.
 
A programação começou com a exibição de um vídeo sobre a chamada abolição incompleta. O material contextualizou que a Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888, pôs fim à escravidão formal, mas não garantiu à população negra liberta condições de moradia, trabalho, renda ou acesso a serviços públicos. O debate que se seguiu explorou a presença do racismo no cotidiano, muitas vezes naturalizado em costumes, ditados populares e tradições culturais.
 
Entre os temas abordados estiveram o mito da manga com leite, apontado como um mecanismo histórico de controle e medo disseminado sobre a população negra escravizada. A crença de que manga com leite faz mal é um mito de origem colonial criado por senhores de engenho para impedir que pessoas escravizadas consumissem leite. O leite era um produto caro e nobre, enquanto a manga era abundante. A mentira servia para preservar o alimento para a elite e restringir o acesso dos negros a uma dieta nutritiva.
 
Foi abordada também a trajetória das mulheres negras nas ruas, presente na história associada ao Pé-de-Moleque. As discussões alcançaram, ainda, as narrativas que transformaram o sofrimento do povo negro em deboche social.
 
A atividade gerou relatos pessoais e momentos de silêncio entre os participantes. O encontro buscou articular memória histórica e cotidiano dos usuários atendidos pelo serviço, reforçando o vínculo entre dignidade, pertencimento e cuidado como fundamentos do trabalho com a população em situação de rua.
 
“A assistência social tem o compromisso de olhar para cada pessoa para além dos estigmas. Refletir sobre racismo estrutural, exclusão e vulnerabilidade é fundamental para aprimorarmos o cuidado, fortalecermos vínculos e promovermos políticas públicas mais humanas e efetivas”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
 
A ação foi organizada por Cidinha, como é conhecida Maria Aparecida Teixeira Régis, coordenadora do Centro POP Sares II, e conduzida pelos agentes sociais Micael Abner de Oliveira Antônio, Edite Barbosa Silva Duarte e Edneia Cristina dos Santos Brito, e pelo psicólogo Thiago Antunes de Oliveira.
 
“A liberdade sem dignidade continua sendo uma liberdade incompleta. Reconhecer a história é também um ato de transformação”, disse Cidinha.
 
Os Centros POP Sares
 
Os Centros POP Sares I e II constituem o principal eixo de atendimento especializado à população em situação de rua em Campinas. Vinculados à Proteção Social Especial de Média Complexidade do Sistema Único de Assistência Social (Suas), as unidades oferecem acolhida e escuta qualificada, atendimento individualizado, acesso à documentação civil, atividades socioeducativas e encaminhamentos à rede de serviços públicos.
 
Tanto em 2024 como em 2025, os levantamentos mostram uma média de 1,2 mil atendimentos por mês, comprovando o acerto das políticas praticadas pelos Centros POP Sares para conseguir a aproximação e o engajamento das pessoas em situação de rua nos serviços sociais oferecidos pela Prefeitura de Campinas.
 
Serviço
 
Centro POP Sares I Rua Regente Feijó, 824, Centro. Tel.: (19) 3231-4155 / 3236-4059
Centro POP Sares II Rua José Paulino, 603, Centro. Tel.: (19) 3235-2281 / 3235-1918
Atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
 
 

 

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