Centro POP Sares II de Campinas promove roda de conversa sobre linguagem e racismo

O Centro POP Sares II realizou, na tarde desta quinta-feira, 19 de fevereiro, uma atividade com usuários do serviço para discutir o tema “Vamos repensar nosso vocabulário? – Racismo Sutil” (https://drive.campinas.sp.gov.br/index.php/s/MTj2N36YCyR2jyH). A ação foi baseada na cartilha “Para Todos”, do Programa Sesc Senac de Diversidade, e propôs uma reflexão sobre palavras e expressões usadas no cotidiano que podem carregar origens e sentidos ligados a práticas racistas e discriminatórias.
 
 
Durante a conversa, os participantes discutiram como o vocabulário pode reproduzir estereótipos históricos de forma naturalizada. Um dos exemplos abordados foi a palavra “nhaca”, geralmente utilizada para se referir a mau cheiro. No encontro, foi apresentado que Nhaca é o nome de uma ilha em Moçambique e que o termo teria passado a circular de forma pejorativa no contexto colonial, associando territórios africanos a sentidos negativos.
 
 
“A educação antirracista é um processo permanente, coletivo e contínuo. Não é uma ação isolada: é uma prática que precisa estar presente no atendimento, na escuta, na convivência e na forma como a equipe conduz o trabalho todos os dias”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
 
 
A roda de conversa também abriu espaço para relatos e para a análise de outras expressões comuns, com o objetivo de mostrar como o racismo pode aparecer de maneira indireta, sutil e, muitas vezes, pouco percebida no dia a dia.
 
 
Segundo a equipe do serviço, tratar do tema é parte do trabalho de garantia de direitos. A atividade destacou que a população em situação de rua é composta majoritariamente por pessoas pretas ou afrodescendentes, reflexo de desigualdades históricas e estruturais do país. Além de enfrentar preconceitos relacionados à condição social, ao gênero e ao uso de substâncias, esse público também convive com impactos do racismo estrutural.
 
 
A proposta, conforme apresentado no encontro, foi reforçar que a educação antirracista é um processo coletivo e permanente, capaz de ampliar a consciência crítica, fortalecer identidades e promover relações mais respeitosas dentro e fora do serviço.
 
 
Metodologia e materiais
 
A atividade utilizou:
  • Cartilha “Para Todos” (Programa Sesc Senac de Diversidade);
  • Roda de conversa dialogada;
  • Exemplos de expressões do cotidiano;
  • Espaço aberto para relatos e reflexões.
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Ao final, Maria Aparecida Teixeira Régis, coordenadora do Centro POP Sares II, afirmou que a ação integra o compromisso do serviço com o enfrentamento das desigualdades e com uma prática profissional ética, crítica e voltada à dignidade humana. “Repensar o vocabulário é também repensar atitudes. Muitas expressões podem parecer inofensivas para alguns, mas carregam histórias de discriminação. No Centro POP Sares, essa conversa é parte do nosso compromisso com a dignidade e com a garantia de direitos”, acrescentou.
 
 
Os Centros POP Sares 
 
Os Centros POP Sares I e II em Campinas constituem o principal eixo de atendimento especializado à população em situação de rua. São vinculados à Proteção Social Especial de Média Complexidade do SUAS (Sistema Único de Assistência Social).
 
As unidades oferecem: 
 
Acolhida e escuta qualificada (ambos); 
Atendimento individualizado com planos de acompanhamento (ambos); 
Garantia de higiene, alimentação e acesso a documentação (Centro POP Sares II); 
Atividades socioeducativas, culturais e de fortalecimento de vínculos (Centro POP Sares II); 
Encaminhamentos à rede de serviços e políticas públicas (ambos).
Dados de atendimento:  
2025: 11.703 atendimentos (média de 1.132 por mês).  
2024: 13.996 atendimentos (média de 1.166 por mês); 
 
Unidades em Campinas  
Centro POP Sares I 
Rua Regente Feijó, 824 – Centro 
Telefones: (19) 3231-4155 / 3236-4059
 
Centro POP Sares II 
Rua José Paulino, 603 – Centro 
Telefones: (19) 3235-2281 / 3235-1918