Campinas registra 1ª morte por febre maculosa em 2026 e alerta sobre período de maior risco

Campinas registrou a primeira morte por febre maculosa em 2026. O registro também é o primeiro caso da doença no ano na cidade, e o paciente era um homem de 74 anos. A Secretaria de Saúde de Campinas lamenta a perda e se solidariza com a família.

O paciente residia na área de abrangência do Centro de Saúde Santa Rosa, na região noroeste da cidade. O início dos sintomas ocorreu em 15 de abril, e ele foi atendido em um hospital público da cidade. O óbito ocorreu no dia 21 de abril.

O local provável de infecção foi na mesma área de abrangência da moradia, onde o paciente realizava serviços de jardinagem, próximo a áreas verdes e cursos d’água.

Em 2025, Campinas registrou seis casos de febre maculosa e todos evoluíram para óbito.

Aproximação de período de maior risco

Com a aproximação do período de maior risco de transmissão da doença, a Secretaria de Saúde de Campinas reforça os alertas sobre prevenção e atenção aos sintomas que podem indicar infecção.

A febre maculosa é considerada uma doença grave, com alta letalidade, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii. A infecção se dá pela picada do carrapato-estrela infectado com essa bactéria.

O período de sazonalidade (quando aumenta o risco de infecção) tem início em junho e se estende até novembro. Segundo a bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde, esse é o período de predomínio das fases mais jovens do carrapato-estrela. Esse predomínio ocorre devido ao ciclo de vida do carrapato.

“Aumenta a chance das pessoas serem parasitadas porque essas fases jovens são menos seletivas quanto ao hospedeiro. Então, por ter uma menor seletividade, as pessoas ingressam nas áreas verdes e são mais facilmente parasitadas”, aponta Heloísa.

A região de Campinas é uma área endêmica para a doença devido às suas características territoriais.

Busca rápida por atendimento

Heloísa reforça a necessidade de buscar atendimento assim que o paciente apresentar febre após frequentar áreas verdes. O paciente não deve esperar o surgimento de outros sintomas.

“Se a pessoa apresentou febre após ter frequentado uma área verde, os sintomas tendem a piorar rapidamente, portanto, não deve esperar para procurar atendimento médico. O primeiro, o segundo e o terceiro dias (a partir do início dos sintomas) correspondem ao período oportuno para tratar a febre maculosa. Após esse período, mesmo com tratamento, a pessoa pode evoluir para óbito ou ficar com sequelas graves”, alerta a bióloga.

Além de febre, os principais sintomas são:

  • Dor de cabeça
  • Dor intensa no corpo
  • Mal-estar generalizado
  • Náuseas
  • Vômitos

Na febre maculosa brasileira, o período de incubação, desde a picada do carrapato até a manifestação dos sintomas, é de 2 a 14 dias.

Ao buscar atendimento, se possível, o paciente deve levar o carrapato que o picou para auxiliar na atuação da equipe de saúde.

“Esse carrapato pode ser identificado, e, ele sendo um Amblyomma [nome científico da espécie], todas as orientações vão ser passadas para a pessoa. Então, ele pode ser encaminhado para a UVZ [Unidade de Vigilância de Zoonoses] via unidade de saúde”, observa Heloísa.

Medidas de prevenção

O carrapato-estrela é a espécie mais comum de carrapato na região de Campinas. Ele é encontrado naturalmente em gramados e matas, em especial nas áreas próximas a rios, lagos e lagoas.

Se estiver contaminado, pode transmitir a bactéria que causa a febre maculosa.

Quem visita, trabalha ou mora em área de risco (próximo a matas, rios e parques com áreas verdes) pode seguir as seguintes medidas de prevenção:

  • Evitar caminhar, sentar e deitar na grama e nos locais com acúmulo de folhas secas caídas. Os carrapatos se concentram em áreas de sombra;
  • Evitar se aproximar de rios, lagos, lagoas e dos animais presentes no local;
  • Fazer piquenique, comemoração, ensaio fotográfico e atividade física nas áreas pavimentadas;
  • Utilizar roupas e calçados que cubram o corpo;
  • Usar roupas claras e observar o corpo e as roupas. Se algum carrapato chegar até você, será mais fácil enxergá-lo;
  • Encontrou um carrapato aderido na pele? Retire-o com cuidado, sem esmagá-lo, de preferência usando uma pinça, e lave o local com água e sabão;
  • Em casa, tome banho quente e use bucha vegetal, fazendo movimento circular. Se tiver algum carrapato na pele, a bucha ajuda a retirá-lo;
  • Ao visitar áreas verdes e parques da cidade, respeite as orientações das placas de informação e, se apresentar sinais e sintomas (febre, dor no corpo e dor de cabeça) em até 14 dias, procure um serviço de saúde e relate a situação e a exposição ambiental;
  • Se o seu pet frequenta área de risco, ele pode ser infestado pelo carrapato-estrela e levá-lo para casa. Por isso, é importante evitar essas áreas e, se ele as frequentar, também vistoriar o corpo do animal. Além disso, há carrapaticidas para cachorros;
  • Não existe um repelente específico contra carrapatos para humanos. Os repelentes contra insetos são apenas medidas complementares às principais medidas elencadas acima.

Mitos

A bióloga também comenta mitos existentes sobre o carrapato-estrela. Um deles, que não é verdadeiro, é que ele deve ser removido com um fósforo aceso ou agulha quente.

“O carrapato precisa de algumas horas para conseguir inocular a bactéria. Não é imediata a transmissão da bactéria. E, se você faz uma coisa dessas, pega uma agulhinha quente e coloca no carrapato, você pode acelerar esse processo e ser infectado antes do tempo que ele levaria se você não tivesse feito isso”, esclarece a profissional.

Outro mito é o de que todo carrapato transmite a febre maculosa. “Não é toda espécie e nem todo carrapato-estrela [que transmite]. É uma porcentagem muito pequena dos carrapatos-estrela que transmite a febre maculosa”, acrescenta Heloísa.

Ações contínuas

O Município realiza ações educativas sobre o tema de forma contínua para sensibilização das equipes de saúde e da população, como palestras, oficinas, visitas a imóveis para orientação aos moradores, capacitações de profissionais e exposições.

Além disso, a Administração também indica e monitora locais estratégicos para instalação de placas de alerta de risco de transmissão da febre maculosa brasileira.

A Prefeitura iniciou, em setembro de 2024, um trabalho de manejo para controle reprodutivo das capivaras que vivem livremente nos parques públicos de Campinas.

A iniciativa já esterilizou quase 200 animais que vivem na Lagoa do Taquaral e no Lago do Café. Serão contemplados ainda os seguintes locais:

  • Parque das Águas
  • Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim
  • Parque Hermógenes de Freitas Leitão
  • Parque Linear Capivari
  • Parque Linear Ribeirão das Pedras

A gestão do projeto é coordenada pela Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Durante o período de sazonalidade, a secretaria utiliza estratégias para sensibilizar profissionais de saúde das redes pública e particular de Campinas, orientando quanto à suspeita precoce e ao tratamento oportuno da doença.

A Prefeitura mantém uma página na internet que reúne uma série de informações sobre a febre maculosa brasileira. Acesse pelo link: https://campinas.sp.gov.br/sites/febremaculosa/inicio.

Além disso, a Lei Municipal 16.418/2023 obriga estabelecimentos, produtores, promotores e organizadores de eventos realizados em locais sujeitos à presença do carrapato-estrela a informar sobre o risco de febre maculosa brasileira.