Campinas passa a oferecer, de forma inédita no SUS municipal, exame de retina com uso de IA

A Secretaria de Saúde de Campinas inicia nesta quarta-feira, 15 de abril, o uso de um telerretinógrafo no Centro de Especialidades Médicas (CEEM). O equipamento, inédito no SUS municipal, realiza retinografia digital com auxílio de inteligência artificial (IA) e representa um avanço na oferta de exames especializados para a população. As vagas serão inicialmente destinadas aos pacientes já inseridos na linha de cuidado da oftalmologia. A ampliação será gradativa.

O aparelho captura imagens de alta resolução da retina e aciona algoritmos de IA para identificar alterações e sinalizar situações mais graves. As imagens seguem para análise e emissão de laudo por especialista, que define os encaminhamentos necessários, e garante que pacientes com condições mais sérias sejam priorizados no cuidado.

Entre as condições rastreadas estão retinopatia diabética, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e alterações vasculares – patologias que, quando detectadas precocemente, permitem tratamentos mais eficazes.

“O diagnóstico precoce de algumas lesões de retina são essenciais para que não ocorra a perda da visão”, diz Ana Paula de Oliveira, coordenadora do CEEM.

Marcelle Regina Silva Benetti, diretora do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital (DEPS), conta que essa tecnologia representa um salto na agilidade do diagnóstico. “Com o uso de inteligência artificial, conseguimos qualificar o diagnóstico oftalmológico com tecnologia de ponta, mais agilidade na análise das imagens e maior segurança na continuidade do cuidado dos pacientes.”

Avanços no CEEM

O CEEM foi aberto em dezembro de 2024 e marcou o início de um novo modelo de saúde em Campinas, com a setorização de atendimentos em especialidades. O acesso ao serviço é exclusivo por encaminhamento dos centros de saúde ou outros serviços da rede municipal, via central de regulação.

Hoje, o CEEM oferece consultas em especialidades como oftalmologia, ortopedia, reumatologia e otorrinolaringologia, além de exames de imagem e outros procedimentos. Desde a abertura, a unidade realizou mais de 58,7 mil atendimentos até março de 2026, sendo 16 mil somente em oftalmologia.

O investimento da Saúde na unidade resultou no fim da demanda reprimida em oftalmologia no último ano. Em setembro de 2024, havia 14.537 pacientes aguardando atendimento. Em cerca de um ano, esse número caiu para 2.461, redução de 83%. No mesmo período, a média mensal de consultas saltou de 2 mil para 3 mil, aumento de 50%.

“Zeramos a demanda reprimida em oftalmologia por meio de uma reestruturação profunda da linha de cuidado. A implantação do telerretinógrafo é mais um passo nessa direção, agora com tecnologia de ponta para qualificar ainda mais o diagnóstico”, afirmou Sara Sgobin, coordenadora da Atenção Secundária.