Campinas busca novas famílias acolhedoras e leva programa a igrejas da cidade

Campinas precisa de mais famílias acolhedoras. O município opera o programa desde 1997, o mais antigo do país na modalidade, mas trabalha abaixo da capacidade: dos 30 cadastros possíveis entre os dois serviços municipais, apenas 23 estão preenchidos. Para ampliar esse número, equipes da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social levam o programa a espaços da cidade, entre eles igrejas e comunidades religiosas.
 
A ação mais recente ocorreu no domingo, 31 de maio. A Igreja Batista Apostólica de Campinas (IBACAMP), localizada na Rua Luís Paolieri, 346, no Parque São Quirino, convidou a Coordenadoria Departamental da Alta Complexidade, Criança e Adolescente para uma apresentação durante o Culto da Família. Estavam presentes 280 membros da congregação.
 
Participaram a assistente social e coordenadora da rede de serviços da alta complexidade criança e adolescente, Maria José Geremias, a assistente social Larissy Jorge da Silva e a psicóloga Andrieli Amaral. Larissy e Andrieli atuam no Serviço de Acolhimento Familiar Conviver, executado pela Associação de Educação do Homem de Amanhã, a Guardinha, em parceria com a Prefeitura. A iniciativa de promover a ação partiu da própria IBACAMP, que desenvolve atividades voltadas para a dimensão social, conforme explicou o apóstolo Agostinho Soler, líder da igreja.
 
“A participação da IBACAMP mostra como a sociedade civil pode ser uma grande aliada na divulgação dessa modalidade. Precisamos ampliar o número de famílias acolhedoras para que mais crianças tenham a oportunidade de viver em um ambiente familiar enquanto sua situação é acompanhada pela rede de proteção”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
 
Após o culto, as profissionais atenderam membros da congregação interessados em saber mais sobre como se tornar família acolhedora.
 
O que é o acolhimento familiar
 
O acolhimento familiar é uma alternativa ao acolhimento institucional, ou seja, à internação em abrigos e casas-lares. Em vez de residência coletiva, a criança ou o adolescente afastado do convívio familiar por decisão judicial passa a viver, por um período provisório, na casa de uma família voluntária. O tempo ideal de acolhimento é de até 18 meses.
 
Durante esse período, equipes técnicas realizam o trabalho psicossocial com a família de origem. O objetivo central é a reintegração da criança. Quando isso não é possível, ela é encaminhada para adoção. A família acolhedora não substitui a família biológica e não participa de eventual processo de adoção.
 
O programa atende crianças e adolescentes de 0 a 18 anos incompletos. A prioridade é para a primeira infância, de 0 a 6 anos. As famílias acolhedoras recebem capacitação inicial, acompanhamento técnico contínuo durante todo o acolhimento e auxílio financeiro mensal de R$ 1.387,09 por criança, com teto de três bolsas para quem receber mais de um acolhido.
 
Pioneiro no país, serviço ainda busca ampliar base de famílias
 
Campinas criou o Sapeca em 1997, doze anos antes de o governo federal incluir o acolhimento familiar no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Desde então, o município já acolheu 521 crianças e adolescentes por meio do programa.
 
Hoje, o serviço é executado por dois equipamentos. O Sapeca é integralmente público. O Conviver é gerido pela Guardinha em parceria com a Prefeitura. Em maio de 2026, os dois somavam 23 famílias cadastradas para uma capacidade de 30. O Sapeca conta com 13 famílias, sendo 6 ativas; o Conviver, com 10, todas ativas.
 
O principal gargalo identificado pelas equipes é a dificuldade de recrutar novas famílias. A ação realizada na IBACAMP faz parte de uma estratégia mais ampla de divulgação que inclui outras comunidades religiosas e espaços públicos da cidade.
 
“Campinas tem uma trajetória pioneira no acolhimento familiar e segue comprometida em garantir que crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias tenham proteção, cuidado individualizado e convivência familiar em um momento tão delicado de suas vidas”, disse Vandecleya.
 
Como participar
 
Qualquer pessoa ou família residente em Campinas pode manifestar interesse em ser família acolhedora. O processo inclui capacitação e avaliações psicológicas e socioassistenciais. Não é necessário ter filhos nem ser casado.
 
Mais informações no site familiaacolhedora.campinas.sp.gov.br ou diretamente com os serviços:
Conviver (Guardinha): (19) 3772-9699 e (19) 99368-1440
Sapeca: (19) 3256-6067 e (19) 3256-6335