Campinas apresenta políticas alimentares no maior laboratório urbano de segurança alimentar do mundo

Campinas está representada no Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (Luppa Lab #5), realizado em Caxias do Sul (RS), de 18 a 22 de maio. O evento reúne gestores municipais de todo o país para debater a agenda da alimentação urbana, trocar experiências e qualificar políticas públicas, com abordagem sistêmica e participativa. Mariana Maia, coordenadora do Programa Campinas Solidária e Sustentável, do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, representa o município.
 
O Luppa é uma plataforma colaborativa e programa contínuo de aprendizagem idealizado pelo Instituto Comida do Amanhã em correalização com o Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI Brasil), com apoio institucional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO Brasil). Esta 5ª edição conta com a correalização da Prefeitura de Caxias do Sul. Os participantes compartilham avanços e desafios e adquirem ferramentas para potencializar políticas alimentares de forma integrada e participativa.
 
Campinas chega ao encontro com um histórico consolidado na área. Em outubro de 2025, a Prefeitura lançou o II Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Plamsan 2026-2029), instrumento de planejamento que estabelece 48 metas integradas às áreas de saúde, educação, assistência social, agricultura e abastecimento, desenvolvimento econômico, direitos humanos e meio ambiente. O plano se vincula diretamente ao Plano Plurianual (PPA) 2026-2029, o que garante respaldo orçamentário para as metas.
 
O Cartão Nutrir, benefício mensal voltado a famílias em situação de vulnerabilidade, registrou 62.343 beneficiários ao longo de 2025, com média de 5.200 famílias atendidas por mês. O Banco Municipal de Alimentos atendeu, em média, 17.252 pessoas por mês no mesmo ano. O Programa Municipal de Alimentação Escolar (PMAE), em parceria com o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), serve cerca de 290 mil refeições diárias a estudantes da rede pública.
 
Na área de agricultura urbana, destaca-se o Programa Campinas Solidária e Sustentável, coordenado por Mariana Maia. Em 2025, foram cadastradas 52 novas hortas, entre institucionais e urbanas, e distribuídas 217 mil mudas pelo Programa de Hortas Assistidas e Monitoradas (Proahmor). O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), no mesmo ano, beneficiou 52 agricultores familiares, movimentou R$ 579 mil e entregou 58 toneladas de alimentos a 42 instituições locais.
 
Redução da insegurança alimentar
 
O conjunto de políticas contribuiu para reduzir o número de famílias em situação de insegurança alimentar gravíssima no município: de 6.569 em 2023 para 6.218 em 2024, queda de 5,3%. A proporção em Campinas chegou a 4,5%, abaixo da média nacional, de 6,4% no mesmo período.
 
“Quero aproveitar essa troca para fortalecer a comunicação entre as áreas que atuam com segurança alimentar e nutricional e qualificar a gestão dessas políticas em Campinas. A nossa meta é avançar na construção de um sistema agroalimentar mais justo, sustentável e próximo das necessidades dos territórios”, afirmou Mariana Maia, coordenadora do Programa Campinas Solidária e Sustentável.
 
“Segurança alimentar não é ação isolada, é política pública contínua, com metas, orçamento e prestação de contas”, declarou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social e presidente da Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).
 
A participação no Luppa Lab dialoga com a diretriz de articulação federativa que orienta a política alimentar de Campinas. A troca de experiências com outros municípios pode contribuir para aperfeiçoar os programas locais e para construir respostas compartilhadas aos desafios da alimentação urbana no país.