Campinas apresenta articulação entre segurança alimentar e ação climática em seminário internacional

Campinas apresentou terça-feira, 24 de junho, as políticas públicas que articulam segurança alimentar e ação climática no município. A exposição ocorreu durante o 4º Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional de Belo Horizonte, que tem como tema “Abastecimento Alimentar, Emergência Climática e Fome”. O evento reúne mais de 500 participantes de 111 municípios brasileiros e representantes de países da América Latina, Europa e África, e prossegue até sexta-feira, 26 de junho.

 

O seminário é promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI). A programação inclui conferências, painéis, oficinas temáticas e visitas técnicas a equipamentos de segurança alimentar da capital mineira.

Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, ressaltou a importância de Campinas compartilhar experiências e conhecer soluções adotadas por outros municípios e países. A secretária preside a Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan Campinas), colegiado que articula a política alimentar entre diferentes áreas da Prefeitura. “Estar em um espaço internacional como este permite apresentar os avanços de Campinas, aprender com outras cidades e fortalecer redes de cooperação. Esse intercâmbio contribui para aprimorarmos nossas políticas e construirmos sistemas alimentares mais resilientes, sustentáveis e capazes de proteger a população diante das emergências climáticas”, declarou.

 

Por que interessa à população

 

A participação de Campinas no fórum internacional diz respeito diretamente ao que chega ao prato das famílias campineiras. Secas prolongadas e enchentes afetam a produção agrícola, encarecem os alimentos e comprometem o acesso à alimentação adequada. O impacto é maior sobre as populações de baixa renda, que já destinam parcela significativa do orçamento à alimentação. As estratégias apresentadas pelo município no seminário foram construídas para enfrentar esse cenário.

O que Campinas apresentou

No painel “Experiências de Segurança Alimentar e Nutricional do município de Campinas-SP”, realizado em 24 de junho, Campinas foi representada por Mariana Maia e Gabriel Dias Mangolini Neves. Maia é coordenadora do Programa Campinas Solidária e Sustentável, do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, e integrante da Caisan Campinas. Neves é engenheiro ambiental da Secretaria do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade (Seclimas).
 

A apresentação destacou os avanços na implementação do II Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Plamsan 2026–2029). O instrumento estabelece 48 metas integradas a áreas como saúde, educação, assistência social, agricultura e abastecimento. O Plamsan está vinculado ao Plano Plurianual (PPA) 2026–2029, que define o orçamento municipal para o quadriênio em vigor. A vinculação assegura recursos para a execução das metas.

 

Um dos eixos centrais da exposição foi a agricultura urbana como estratégia para enfrentar, ao mesmo tempo, a insegurança alimentar e os impactos das mudanças climáticas. A prática inclui a produção de alimentos dentro da cidade e nas áreas de transição com a zona rural. Hortas urbanas e comunitárias aproximam a produção das populações que mais precisam, reduzem custos de transporte e ampliam o acesso a alimentos frescos e saudáveis. Ao mesmo tempo, criam oportunidades de trabalho e renda para famílias em situação de vulnerabilidade. O Programa Campinas Solidária e Sustentável coordena a rede municipal de agricultura urbana com a atuação articulada de 12 secretarias e autarquias.

Campinas também compartilhou as diretrizes do Plano Local de Ação Climática (Plac), instituído por decreto municipal em junho de 2024. O Plac estabelece 20 ações e 96 subações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a capacidade do município de lidar com eventos climáticos extremos até 2050. O plano integra a ação climática ao planejamento urbano, à mobilidade, ao saneamento e à produção de alimentos.

 

A apresentação destacou que encurtar os circuitos entre produção e consumo de alimentos, com menos intermediários e menor distância de transporte, fortalece tanto a segurança alimentar quanto a adaptação climática do município.

Resultados mensuráveis

Os resultados dessa articulação já são mensuráveis. Campinas reduziu em 5,3% o número de famílias em situação de insegurança alimentar gravíssima entre 2023 e 2024, passando de 6.569 para 6.218 famílias nessa condição. A proporção de famílias nessa condição em Campinas ficou em 4,5%, abaixo da média nacional, de 6,4%.

 

Sessão com organismos nacionais e internacionais

 

Além do painel aberto, Campinas participa de uma sessão organizada pela FAO, pelo MDS, pelo ICLEI, pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e pela Rede de Cidades Intermediárias e Sistemas Alimentares (Rede Cisa). A Rede Cisa articula 66 cidades de dez países da América Latina e do Caribe no planejamento conjunto de políticas alimentares urbanas.

O encontro tem como tema “Do nacional ao local: construindo convergências para sistemas alimentares urbanos resilientes”. A sessão reúne cidades integrantes da Rede Cisa, da Estratégia Alimenta Cidades, política federal voltada ao enfrentamento da insegurança alimentar nos centros urbanos, e do ICLEI. O objetivo é promover o intercâmbio de experiências sobre inovação social e financiamento para a transformação dos sistemas alimentares urbanos. A sessão também busca identificar mecanismos de cooperação entre governos nacionais e locais.

 

Trajetória recente

A participação no seminário se insere em uma sequência de ações que projetam Campinas no debate nacional e internacional sobre segurança alimentar. Em maio de 2026, o município apresentou suas políticas no Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (Luppa Lab #5), em Caxias do Sul. O Luppa é uma plataforma colaborativa do Instituto Comida do Amanhã, organização da sociedade civil voltada a políticas alimentares urbanas, e do ICLEI, com apoio da FAO.

 

Em junho, a Prefeitura realizou a Oficina Técnica Suas e Sisan, conduzida pelo Instituto Comida do Amanhã e pelo MDS. O encontro teve como objetivo construir um protocolo de articulação entre o Sistema Único de Assistência Social (Suas) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan).

 

O Plamsan e o Plac contam com apoio do World Resources Institute (WRI), organização global de pesquisa voltada ao desenvolvimento sustentável. O WRI também apoiou a participação de Campinas no seminário.

Serviço

 

Mais informações sobre as ações de segurança alimentar e nutricional de Campinas estão disponíveis em campinas.sp.gov.br/sites/segurancaalimentarenutricional.