Batuque na Cozinha oferece experiência imersiva no samba em Campinas

Campinas recebe, a partir de 7 de março, o Batuque na Cozinha, iniciativa gratuita idealizada pela musicista e arte-educadora Shey, que vai contar com nove aulas formativas de batucada, rodas de samba abertas ao público, vivências gastronômicas afro-diaspóricas e degustação de culinária afro-diaspórica aos participantes. O projeto foi contemplado pelo FICC (Fundo de Investimentos Culturais de Campinas) e conta com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura de Campinas. 

 

  

As atividades acontecerão aos sábados, das 13h às 16h, e contarão com a participação de profissionais do samba de Campinas. Para participar, não é necessário ter experiência prévia nem possuir instrumentos, que serão disponibilizados pelo projeto. 

 

O Batuque na Cozinha pretende, por meio de ações formativas, artísticas e comunitárias, integrar música, educação, patrimônio cultural e valorização das identidades afro-brasileiras, ampliando o acesso à cultura e reafirmando o samba como ferramenta de educação, transformação social, pertencimento e preservação da memória cultural em Campinas. 

Metodologia 

 

As oficinas oferecem práticas gratuitas de iniciação aos instrumentos da roda de samba, em diálogo com a pedagogia de Paulo Freire. A proposta inclui o contato com instrumentos tradicionais e a utilização de utensílios domésticos como recurso criativo e pedagógico. 

  

Aula inaugural e roda especial – Dia Internacional da Luta das Mulheres 

 

As aulas começam no dia 7 de março, às 13h, quando as pessoas selecionadas participarão da primeira atividade e terão a oportunidade de integrar a primeira edição do Samba da Camaleoa (Roda de Samba), em comemoração ao Dia Internacional da Luta das Mulheres. 

 

A roda acontecerá na Cervejaria Tábuas, em Barão Geraldo, das 20h às 23h, com entrada livre para mulheres. A participação na roda é aberta a quaisquer gêneros. 

 

A atividade também cumpre função social, com arrecadação de produtos de limpeza destinados à Ocupação Elesbão Vive/Palestina Livre, localizada no Centro de Campinas. 

  

Culinária Afro-Diaspórica 

 

As vivências gastronômicas são conduzidas pelo coletivo Rainha N’Zinga, que atua majoritariamente com pessoas negras, refugiadas do continente africano e pessoas transgêneras, fortalecendo os laços entre cultura, identidade e memória. 

  

Rodas de Samba da Camaleoa 

 

O Samba da Camaleoa é uma roda de samba interseccional, de protagonismo feminino, que reúne profissionais do samba e estudantes de batucada, promovendo a troca horizontal de saberes. As apresentações integram o projeto Batuque na Cozinha. 

 

Serão realizadas três rodas de samba abertas ao público: 

  • 11 de abril – Fêmea Fábrica, com participação de Ilcéi Mirian e Naná Cosme 

  • 25 de abril – MIS Campinas, com participação de Paulino Neves, Claudinei Calixto e Nil Sena 

  • 24 de maio – Sala dos Toninhos, com participação do compositor e cantor Niva do Partido Alto 

  

Locais das atividades 

Ao todo, serão realizadas nove aulas formativas, com início em 7 de março de 2026, nos seguintes espaços: 

  • Fêmea Fábrica 

  • Sala dos Toninhos 

  • Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS) 

  • Casa Ateliê Ciclo 

  

Sobre Shey 

 

Shey ensina instrumentos de roda de samba há 5 anos. Nascida na zona oeste, região periférica de Campinas, teve seu primeiro contato com manifestações artísticas na infância, na Escola de Samba Estrela D’Alva, onde foi passista. Integrou corais infantis e, aos 16 anos, iniciou sua trajetória profissional como cantora nas noites campineiras. 

 

Atualmente, aos 46 anos, coordena a Casa Ateliê Ciclo, promove mensalmente o Samba da Camaleoa — roda de samba de protagonismo feminino — e desenvolve oficinas de iniciação à batucada por meio do projeto Batuque na Cozinha. 

 

Foi idealizadora, cofundadora e coordenadora da Batucada Quilombo Íris de Jesus, coletivo de estudos de ritmos afro-brasileiros vinculado ao Quilombo Urbano Íris de Jesus, instituição da qual participou ativamente por oito anos. Também foi idealizadora e cofundadora do Samba da Conceição, roda de samba entre pessoas em situação de rua. 

 

Desenvolveu oficinas formativas de batucada na Fundart de Ubatuba, Fêmea Fábrica e no Museu da Imagem e do Som de Campinas (MIS), formando mais de 150 ritmistas. Seu trabalho autoral está disponível nas plataformas digitais de áudio e vídeo. Atua ainda na produção executiva, direção geral e musical e cenografia.