A arte de cuidar: enfermeira que atuou na pandemia destaca força feminina na saúde

Há seis anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) caracterizou a Covid-19 como uma pandemia. Em meio à maior crise sanitária que o Brasil já enfrentou, profissionais de saúde foram fundamentais para o salvamento de vidas. Na Rede Mário Gatti, em Campinas, uma dessas profissionais é a enfermeira Mara Santana, que atua como gestora da Unidade Respiratória.

 

No Mês da Mulher, o protagonismo feminino na Rede Mário Gatti chama a atenção. Entre os servidores da rede, elas são a maioria. São 911 mulheres e 647 homens. Assim, elas representam 58,47% do total de servidores.

 

Uma delas é Mara, que há 29 anos atuando na rede, é lembrada por colegas e familiares como uma referência como mulher, mãe de dois filhos e profissional. “A área de saúde sempre esteve na minha casa. Meu pai foi atendente de enfermagem e minha mãe foi auxiliar de enfermagem. Vivemos a saúde dentro de casa, desde os pequenos cuidados, o ensinamento na promoção e na prevenção. E tanto que sou eu e mais duas irmãs da área”, conta a gestora.

 

Auxiliar de enfermagem concursada e enfermeira de formação, ela tem trajetória consolidada na assistência, tendo atuado por 15 anos no Pronto-Socorro do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

 

“Urgência e emergência gritam muito comigo, sabe? Eu gosto muito de ser aquela que enxerga a necessidade do momento e tem atitude para fazer ali a intervenção correta”, revela.

 

Estruturação da Unidade Respiratória

 

Posteriormente, ela esteve à frente da estruturação da Unidade Respiratória, onde é gestora há anos. Antes da criação dessa unidade, cada setor do hospital tinha seus equipamentos próprios. Depois, ela passou a centralizar e distribuir esses equipamentos, como ventiladores e monitores, de acordo com a necessidade de cada setor, otimizando o uso deles.

 

“Criou-se um vínculo forte de confiança porque hoje eles sabem: ‘olha, eu estou com um paciente que não está muito bom, eu acho que vai rolar a intubação. Você dá um ventilador pra gente?’ Na hora já sobe”, explica a enfermeira.

 

Durante sua gestão, houve ampliação significativa da disponibilização de serviços e equipamentos respiratórios para todas as unidades da rede.

 

Desafios da pandemia

 

Com a chegada da pandemia da Covid-19, a Unidade Respiratória teve um papel ainda mais importante, tendo em vista a necessidade de uso frequente de ventiladores durante as intubações. Mara relembra que o Hospital Mário Gatti chegou a ter 65 pacientes intubados simultaneamente.

 

“Deu muito trabalho. Precisou da contratação de profissionais que não conheciam nossos equipamentos. Então, a Unidade Respiratória teve que estar junto com esses profissionais ensinando muito”, recorda.

 

A equipe também teve um trabalho junto a empresas de outras áreas que se dispuseram a recuperar equipamentos para colocar em uso. “Eu penso que o município de Campinas foi bem na Covid […] Graças a Deus, não precisamos chegar ao ponto de escolhas. Tipo: ‘quem que eu vou equipar?’ Não, sempre existiu alguma forma de tratar”, aponta.

 

E, apesar de estar na linha de frente durante toda a pandemia, Mara nunca pegou a Covid-19. “Não me pergunte como”, se adianta.

 

Reconhecimento familiar e profissional

 

Admirada pelos filhos e demais familiares, Mara também é reconhecida como uma referência por colegas da saúde.

 

“A Mara é uma profissional ímpar, conduz a equipe com clareza, sendo firme quando precisa, e está sempre aberta para ouvir ideias e sugestões. É rápida nas tomadas de decisões e segura. Todos os dias agradeço a Deus por ter uma gestora presente e companheira”, diz a auxiliar de enfermagem Rosimar Guioti, que atua com a gestora na Unidade Respiratória.

 

“Trabalhar com a Mara durante a pandemia foi algo que marcou muito a minha vida profissional. Pude ver de perto sua forma de trabalhar: sempre com muita ética, responsabilidade e uma grande competência técnica”, afirma a técnica de enfermagem Ana Paula Simensato, que trabalhou com Mara.

 

‘Mulher artista’

 

No Mês da Mulher, Mara enxerga que é necessário que cada vez mais mulheres ocupem cargos de gestão. Entre as qualidades femininas, ela destaca o fluxo rápido de pensamento e capacidade de executar várias tarefas ao mesmo tempo.

 

“Quando a mulher é colocada na enfermagem, ela se torna uma artista, porque qual é o conceito da enfermagem? A enfermagem é a ciência na arte de cuidar. Isto é enfermagem. Então, imagina uma mulher tendo o empoderamento do conhecimento da ciência e sendo uma artista aplicando isso”, sugere a gestora.