Prontuário afetivo aprofunda conexão humanizada entre equipe de saúde e usuários
“Anne Araújo Medeiros é a filha amada da mamãe Dani e da vovó Terezinha. Ama laranja, banana e paçoquinha. Gosta da música do Bolofofo e de dançar”. As informações sobre os gostos e preferências da paciente de 3 anos internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Unidade Pediátrica Mário Gattinho estão em seu Prontuário Afetivo. A suavidade dos dados da ficha tem como objetivo criar uma conexão mais profunda e humanizada entre a equipe de saúde e o acamado.
Assim como o prontuário médico tem o registro da história de saúde de um paciente, com relatos sobre consultas, exames, tratamentos etc., o Prontuário Afetivo conta um pouco sobre as individualidades do usuário. O projeto é desenvolvido nas UTIs do Hospital Mário Gatti e Mário Gattinho, com foco na humanização do tratamento dos pacientes.
Tratamento individualizado
“O prontuário é muito legal porque a gente se sente acolhida. Minha filha aqui não é só uma paciente, é uma pessoa que tem sentimentos, gostos e isso ajuda na interação entre ela e a equipe. Outro dia a médica olhou o prontuário e perguntou se ela gostava de paçoquinha, isso é muito acolhedor”, explicou Daniela Araújo, mãe da Anne Araújo, de 3 anos.
Daiane Cristina Freitas, mãe do pequeno Miguel Lucas Ferreira dos Santos, de 4 meses, se emocionou com o prontuário afetivo do filho. “Meu bebê estava muito ruim e agora está melhorando a cada dia, e as informações do prontuário afetivo fazem com que a comunicação entre a equipe do hospital e a família seja mais leve, próxima e carinhosa. É um projeto maravilhoso para os pais. O que foi escrito tocou meu coração e me ajudou nesse momento delicado. Vou levar o prontuário pra casa como lembrança desse cuidado”, afirmou.
Bem-estar e cuidado
Segundo Fabiana Rodrigues Martins, enfermeira da UTI do Mário Gattinho, o prontuário afetivo é um importante passo que damos no caminho da humanização do tratamento. “O projeto permite que a gente adeque a participação dos pais no tratamento e nos dá a possibilidade de trabalhar mudanças na abordagem do paciente, sempre com foco no bem-estar da criança”, acrescenta a enfermeira.
Construindo afeto
A construção do prontuário começa com o contato com a família, geralmente por telefone. Algumas pessoas estranham a proposta e preferem ir pessoalmente até a Humanização para entender melhor o que é o projeto. As perguntas feitas para a criação do Prontuário Afetivo permeiam os gostos pessoais do hospitalizado, o que gosta de fazer, quais os hábitos, as rotinas, quem são as pessoas mais próximas, músicas/desenhos de preferência, nome dos pais/filhos, profissão, entre outras.
“Com todas essas informações, nós montamos o Prontuário Afetivo. Incluímos neste documento algumas figuras relacionadas com as informações, deixamos ele bem colorido e visual, justamente para chamar a atenção da equipe que está na assistência. Essas informações ajudam os profissionais a interagir com ele e, assim, criar um vínculo afetivo e de confiança”, afirmou Lucimeire Martini, coordenadora do setor de Humanização.
De acordo com ela, mesmo que o paciente esteja sedado, é importante que haja a interação, porque essa comunicação humanizada pode trazer benefícios como conforto e redução do estresse. Ela acrescenta que a pessoa que está no leito pode ouvir e sentir a presença de quem cuida dela, de modo que o contato verbal e tátil pode dar mais segurança e conforto.
Mais informações sobre este e outros projetos desenvolvidos na Rede Mário Gatti podem ser obtidas pelo telefone (19) 3772 5880 ou pelo e-mail humanizacao@hmmg.sp.gov.br