Saúde municipal apresenta avanços em indicadores durante audiência na Câmara
Gestores da Saúde municipal de Campinas apresentaram nesta quarta-feira, 27 de maio, a prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026 durante audiência na Câmara dos Vereadores. Entre os destaques, estão a linha de cuidado materno-infantil, a ampliação de visitas de agentes comunitários e a capacitação de servidores.
O 1º Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA) foi demonstrado para a Comissão Permanente de Política Social e Saúde, conduzida pelo vereador Paulo Haddad.
Na atenção básica, foram 1,48 milhão de atendimentos no 1º quadrimestre deste ano. A lista inclui consultas por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais, além de exames e procedimentos.
O número de visitas de agentes comunitários de saúde (ACS) subiu de 56.685 para 101.690 na comparação com o mesmo período de 2025, uma alta de 79,39%. O número de atendimentos odontológicos aumentou 3,22% — de 51.019 para 52.666.
Também na atenção básica, foram realizados 1,8 milhão de procedimentos e 13,3 mil atendimentos domiciliares nos quatro primeiros meses de 2026.
Avanços na linha de cuidado materno-infantil
A cidade vem apresentando redução da natalidade ano a ano. O número de nascidos vivos caiu 20,27% entre 2023 e 2025 — de 4.296 para 3.425.
Entre os indicadores, a proporção de gravidez na adolescência entre as faixas etárias de 10 a 19 anos está em 6,13%, dentro da meta de até 7% para 2026. O percentual de recém-nascidos atendidos na primeira semana de vida na Atenção Primária foi de 53,7%, acima do mínimo estipulado de 35%.
A taxa de mortalidade infantil foi de 9,64 para cada 1 mil nascidos vivos, dentro da meta de até 9,9. Já a mortalidade materna no período foi zerada, evidenciando a efetividade das ações assistenciais e de vigilância.
Além disso, no 1º quadrimestre de 2026, o Município não registrou casos novos de Aids em menores de 5 anos. Também não houve mortes por dengue, e o cenário foi acompanhado pela redução no número de casos da doença.
Meta anual de capacitações alcançada
No 1º quadrimestre, foram oferecidas 25.239 horas de atividades de formação para trabalhadores de saúde pela Escola de Saúde Pública, o que já ultrapassou a meta do ano, de 15 mil horas. O programa de capacitação foi elogiado pelo secretário de Saúde, Lair Zambon.
“É um dos projetos mais bonitos. [Campinas] será um município top do ponto de vista de capacitação dos colaboradores da saúde”, afirmou.
Também se destaca o índice de 100% de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) realizando no mínimo 12 ações de matriciamento (conexões entre equipes de saúde mental e de estratégia de saúde da família) ao ano na Saúde Mental. Outro destaque é a proporção de 92% de medicamentos padronizados disponibilizados para a Atenção Básica de forma humanizada e qualificada.
Na odontologia, a proporção de exodontias (remoção de um ou mais dentes) nos procedimentos da Atenção Básica foi de 6,47%, em cumprimento à meta de até 9,29%.
Entre as realizações do semestre, o secretário destacou o lançamento do sistema Integra Saúde, que reúne informações de atendimentos em toda a Rede e permite monitorar a jornada dos pacientes, agilizando a resolução dos casos.
“Alguém vai a um Centro de Saúde com ardência para urinar, colhe exame de urina, é tratado com antibiótico, mas chega às 7 horas da noite, volta a ter febre, a pessoa fica insegura e procura uma UPA. Quando ela chegar na UPA, [o profissional de saúde] vai enxergar todo o atendimento que foi feito de manhã. Isso melhora para todos. Eu vejo nisso um modelo de gestão bastante interessante”, detalhou.
Reflexo da vacinação nos atendimentos em PS
O presidente em exercício da Rede Mário Gatti, Edson Soares Bezerra, destacou o reflexo da vacinação na redução de atendimentos no período da sazonalidade de doenças respiratórias.
“É importante dizer que as estratégias de vacinação, por exemplo, contra o vírus sincicial respiratório, que foram introduzidas no ano passado, estão repercutindo neste ano e eu acredito que para o ano que vem mais ainda. É um bom exemplo de ações que começam na atenção básica e que repercutem na especialidade”, apontou.
Ele também comentou a atualização da versão do prontuário eletrônico do Hospital Mário Gatti, que permitiu a integração de toda a Rede.
“A Rede Mário Gatti já trabalhava com o sistema de prontuário eletrônico nas UPAs e no Ouro Verde. E a gente conseguiu fazer uma atualização desse sistema para o Hospital Mário Gatti, onde a gente trabalhava com uma versão um pouco mais antiga. E, desde o mês passado, a gente conseguiu incorporar a versão que faz com que toda a Rede trabalhe com a mesma linguagem, que é a AGHU 10”, explicou.
72,7% dos recursos são municipais
Durante os quatro primeiros meses deste ano, o Município investiu R$ 697,555 milhões na Saúde. Desse total, 72,73% dos recursos são municipais, 21,4% são federais e 4,1% são estaduais. O 1,7% restante se refere a emendas, receita própria e outras fontes.
Já a Rede Mário Gatti investiu R$ 140,042 milhões nos atendimentos de urgência, emergência e hospitalares durante o quadrimestre.
O município continua investindo acima de 17% do Tesouro Municipal na Saúde, conforme previsto em lei.
A audiência durou 2 horas e 25 minutos e foi transmitida pela TV e pela internet. Também integraram a mesa durante a apresentação a diretora do Departamento de Gestão e Desenvolvimento Organizacional (DGDO) da Saúde, Erika Cristina Jacob Guimarães, o diretor executivo do Fundo Municipal de Saúde, Reinaldo Antonio de Oliveira, o diretor financeiro da Rede Mário Gatti, Henrique Milhina Moreira, e o vereador Nick Schneider.